Os justos estão engaiolados em suas casas; os bandidos, soltos pelas ruas

jul 25 2015 Published by under Zé do Bode

Rapaz, este mundo está de pernas para o ar. Na semana passada, visitei um primo meu na capital, não foi bem uma visita, hospedei na casa dele, furei a boia dele, dormi em uma cama dele… Primo é primo, fazer o quê. Ao chegar, primeiro parei defronte ao portão da residência, fiquei alguns minutos observando aquele tamanho de muro. Alto pra caramba! Para que tudo aquilo? Pior, sobre o muro havia uma cerca elétrica. Pensei que estava diante a uma fortaleza, ou a um presidiu de segurança máxima. Toquei o interfone. Tomei um susto. A voz do meu prime dizia meu nome: “O primo Zé chegou”. Como ele sabia que era eu? Que casa estranha. A porta abriu em segundos. Adentrei. Em seguida a porta se fechou. Andei três passos e me esbarrei em uma grade. Para que tudo isso? pensei intrigado. Dois cães logo apareceram. Estava explicado, era a gaiola dos cães. Mas como eu faria para chegar à varanda da casa? A porta se abriu e o primo veio em minha direção. Recebeu-me com muita alegria. Antes de abrir a jaula, ele pôs os cães nas correntes. Indaguei ao primo o que significava tudo aquilo. Ele apontou para alguns pontos, disse-me que havia câmeras por toda parte, observava até a rua. Imaginei que o primo estava louco. Falou-me que tudo aquilo era para a segurança dele, dos filhos e da esposa. Cocei minha cabeça. Como pode uma prisão ser o local seguro para uma pessoa de bem? “Tenho medo, o mundo está muito perigoso – afirmou o primo”. No nosso sertão somos livres feito pássaros, aqui na capital eles estão felizes quando estão presos. Como entender algo assim? “Nas ruas fervilham de bandidos, trombadinhas, delinquentes; a qualquer momento você pode ser vítima de bala perdida”. Quer dizer que a liberdade das ruas são para os marginais e a gaiola para os justos? A que ponto nosso País chegou. E ainda têm loucos que dizem que Deus é brasileiro. Deus é paz e amor, não compactua com o terror. Fiquei na capital por dois longos dias. Agora estou sentado em minha velha cadeira na varanda de meu barraco, pitando cachimbo e contemplando o belo luar. Será se meu primo algum dia já viu a Lua cheia? Uma coisa é certa, o sol quadrado ele ver todos os dias.

Crônica de Zé do Bode.

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