O que eu tenho a ver com a sua greve?

set 12 2015 Published by under Zé do Bode

O povo do Brasil é engraçado demais, nosso País deve ser o mais cômico do mundo. Aqui o infeliz do cidadão dá o sangue, dá a vida se for necessário para passar em um concurso público, é o sonho da grande massa. Depois que vence a prova e adentra para a cadeira que lhe foi confiada, o infeliz frustra seus irmãos. Será que o desejo de ser concursado é o de um funcionário relapso? Quer passar para ter as mordomias de um deputado. Quando se ver munido pela lei, sabedor que a regra do jogo atual o protegerá de uma possível demissão, ele se afrouxa, deixa ficar em sua poltrona e se faz de imperador. A desgraça do ser humano é se ver imponente perante a multidão. O concursado não pensa duas vezes em fazer do mês de trabalho um mês de férias. Estou de greve! Estampam um cartaz na porta da repartição. Queremos aumento de salário, queremos mais dias de férias, queremos trabalhar menos horas diária, queremos plano de saúde, queremos moradia, queremos lanche no meio da tarde, queremos cafezinho quente, queremos assessores, queremos tudo e mais um pouco. Ou fazem os gostos dos concursados, ou o Estado para literalmente. Aqueles mesmos que deram o sangue se colocam como coitados aproveitando de leis nefastas para conseguirem seus objetivos. Como o saco da cobiça nunca se enche por completo, basta ter alcançado uma vitória que em poucos dias começa a arquitetar novas manobras. Enquanto isso quem realmente necessita dos serviços públicos sofre em longas filas ou é barrado nas portas da instituições fechadas. Seu direito de greve não pode ferir o meu direito de cidadão. Em um país onde a decência é algo raro, fazer greve para os que aderem a tais práticas é gozar a vida com o dinheiro público sem nada oferecer em troca.

Crônica de Zé do Bode.

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