Lápis

Uma árvore centenária teve que ir ao chão, pássaros tiveram que perder seus ninhos, abelhas suas colmeias e o formigueiro esmagado pelo forte impacto se viram confusos diante a loucura desmedida e sem razão. Para que o lápis pudesse vir à vida foi necessária tamanha destruição. Um lápis, um simples lápis que na muitas das vezes o desfazemos, sem muito pensar, na primeira lata de lixo que encontramos. Agora estou a segurar um com a mão direita, logo abaixo um papel todo branco sorrir de contentamento. Papel! Quantas árvores tiveram a vida podada para dá vida a ele? Com a ponta afiada fere-se o que já fora uma planta, deixa nele marcas, tatuagens, desenhos: um passarinho, aquele mesmo que perdera o ninho na queda da velha árvore, uma abelha, a mesma que viu a colmeia ser destruída, a formiga, enfim nasce uma árvore da ponta do lápis, para encerrar, rabisca a morte. O papel é amassado, ganha formato de uma bola, com um gesto de jogador de basquetebol é arremessado na lixeira. Tudo se acaba no lixo… Da frondosa árvore se resume a uma pequena história, a isso.

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