A efêmera beleza da beleza

out 10 2015 Published by under Poesia

flor

A efêmera beleza da beleza

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No ar boia a beleza ilustrada no perfume doce da primavera

Pigmentos de várias tonalidades esculpindo formas perfeitas

A magia de um momento singelo e angelical faz visível

Uma flor com todo o poder natural se sente vaidosa

Narciso que se idólatra constantemente explode no ser

Poderosa atrai uma passível vítima inocente faminta

Feliz pelo sucesso do nascimento não consegue pensar

Vive a glória de um astro de luz ao redor de entulhos

Deseja os olhares de todos por algo que herdou

Logo a corte de um beija-flor se consuma

Feliz se deixa possuir por beijos estranhos

O pássaro saciado sai a voar alegre pelo espaço

Pobre flor, pobre ser que caiu conquistada pelo amor

Sem néctar apodrece no insucesso por ter germinado flor

 Efêmera como um rio não perene cortado pela seca

Deixa-se ver suas pétalas soltarem ao vento

Por onde anda sua beleza, Narciso?

Já não és mais uma flor?

Apenas um talo em fase de decomposição

Um cadáver de um busto que um dia brilhou

Tudo passa tão rapidamente que nem sequer se nota

Hoje tudo e os olhares e as atenções

Amanhã uma interrogação muda e cega de uma triste lembrança

Pelo ar boia as lembranças de um passado risonho

Pelo céu vibra a realidade da beleza contraída a uma bruxa

Pobre flor que tocada pelo amor encontrou a morte

Gozou alguns momentos puros de felicidades

Padeceu humilhada pelo vexame da Lei

Nosso orgulho de um dia de sol transforma-se

No medo medonho de uma noite sem estrelas

A beleza não se sustenta por si só

A matéria corrosiva das substâncias age

A princesa se curva a sapa

O príncipe ganha traços de morcegos

O belo por um instante badala aos quatro cantos

Agudos suaves de uma extraordinária canção

Breve como um precipitar de uma gota no mar azul

Em segundos some para sempre

Por ser extraordinário carece ser breve

Rápido como um toque do vento no rosto.

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