A arte em si

jun 16 2015 Published by under Poesia

A arte em si

Um pincel; no rastro dos seus pelos, as cores; sobre o teto, o azul celeste; no rodapé, o marrom do chão; riscos germinam pássaros; do amarelo aparece o sol; no vai e vem do instrumento nasce das mãos do artista um mundo puxado pelo carrossel da imaginação.

A voz, nas ondas suaves vibra o som; o dó se estende ao lá que busca o sol em sequência harmônica; nas rimas das palavras se encadeiam sonoridades, os versos soltos voam em alegria, ouvidos absorvem a suave melodia das cordas, o tempo passa e a música permanece viva.

As palavras, na folha branca deita-se a mão, o lápis corre ligeiro a depender do fluir, serras e depressões vão ficando, os códigos do além da mente aparecem ao sabor delicioso da vontade, pouco se diz muito, muito pode não representar nada, polissêmica nas suas extremidades.

O tato, adestradas as mãos, famintas por formas, do barro ergue-se o pensamento, um jarro, uma moringa; na madeira se entalham formas, o homem no seu movimento se passa por deus, estátuas e monumentos vão crescendo ao cheiro doce da vontade.

Enraíza pelos poros, a arte, cresce em beleza, ganha traços de filosofia; educa os olhos cegos, cria gosto as cordas vocais de muitos, borda sentido na existência, suavizando as arestas tortas do ser.

Se a arte não muda, se o mundo se faz de arte, o bicho artista se eleva, sonha e delira em criações, desgasta com o seu dom e a sua vontade a ferrugem ácida que o enrola.

Suavizar a harmonia, ajustar ao máximo a corda do criar, pouco a pouco na labuta de limar o torto, passo a passo começa a cavalgar sobre a linha reta de certa perfeição.

O artista casando da mesmice, incomodado com o que apenas conhece, luta dia e noite, morre se for preciso, sempre alimentando a vontade de dá forma ao belo raro.

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