A agonia do meu querido Rio

abr 22 2014 Published by under Poesia

Oh, Rio!

O que fizeste contigo?

Outrora abundante

Profundo

De mata alta

Fauna exuberante

Em suas límpidas águas

Passeavam rio acima

Rio abaixo

Traíras, caris, pacus e jundiás

Hoje te tenho cambaleante

Mata rala

Lixo pelas margens

Esgoto

Falta-te oxigênio

Quase sem vida

Triste

Vejo-te na face enrugada

Um filete de lágrimas

Oh, Rio!

Não chores…

Chorar?

Não são lágrimas o que correm

Desce meu sangue

De todos os lados recebo setas e dardos

Resisto porque sou forte

Mas já não tenho forças como antes

Aproveite

O que pensas ser lágrimas

É o que te alimentas

Quem não cuida do que tem

Nada há

Quando parar meu pranto

Que espanto!

Tudo perecerá

A tua dor, compadre

Não tenhas duvidas

Aumentarás

A minha será imensa

Pois já não conseguirei cumprir com a obrigação

Que é de desaguar no mar.

4 responses so far

  • Armando disse:

    Digo, abaixo.

  • Armando disse:

    Até hoje o comentário acima está aguardando moderação. Enquanto outros, enormes e cheios de baboseiras pessoais que só interessam ao autor, são logo são publicados. Vai moderar assim lá adiante.

  • Armando disse:

    O poema traduz uma realidade. O desabafo vale para fomentar adesões em favor da defesa do Rio, porém, tão importante quanto a denúncia reiterada do blog é o desdobramento que se pode dar para reverter a degradação. Para isso, terá que haver o engajamento e organização de todos que se condoem e se indignam com o problema. Não é difícil. Da mesma forma que se organiza um campeonato de futebol, a caminhada pela serra, a procissão, se organiza também a coletividade interessada na preservação do seu patrimônio. O querer já existe, basta começar a agir.

  • Raimundo Sucupira disse:

    Enquanto o IBAMA chega na Cidade com um monte de Varapaus armados até os dentes,invadindo as Casas atrás de um Pássaro,os Garimpeiros estão destruindo nosso Rio,essa é a pura Verdade,esses Incompetentes que respondem pela defeza da Natureza,fazem exatamente ao Contrário,fez vistas grossa,passa pra la e pra cá,sem fazer nada,que nos diga as Cerâmicas que tem devastado o Serrado,as Mineradoras que tem derrubado as Serras,em fim,tudo continua como dantes no quartel de abrantes,ou seja,ninguém toma as devida Providências…..

    Raimundo Sucupira