Poema / Meu querido Sertão

set 23 2012 Published by under Poemas

Meu querido Sertão

 

O Mandacaru já secou

O mar azul na cabeça

A Fogo-pagou se mandou

Sob os pés quente dureza.

 

Sertanejos olham a Deus

Clama por socorro e pão

Deixam o Norte com adeus

Para o Sul se perderão.

 

Comi calango assado

Dormi de barriga vazia

Hoje moro no São Paulo

Chorando a bela Bahia.

 

Nordestino eu sempre fui

Orgulho eu tenho muito

O sangue grita, geme, flui

Sonho voltar ao meu mundo.

 

Recordo-me da infância

Do cavalo adestrado

Vivendo a ignorância

Conhecedor dos culpados.

 

Faltava água no balde

Faltava carne na chapa

Sobravam bênçãos de Padres

Sobravam rios de lágrimas.

 

O que faço, meu Senhor Deus?

Interceda oh! Mãe Maria

O que tinha o filho comeu

Abafe as dores dos dias.

 

A vida aqui é sofrida

Enxada não entra no chão

Caboclo enche de vida

Quando a chuva cai no Sertão.

 

A coisa é assim mesmo

Sofrimento e vida dura

Nós que somos sertanejos

Não vemos aí amarguras.

 

Viver aqui nos dá prazer

Lutar é uma obrigação

O homem que aqui nascer

Carrega a paz no coração.

 

Não importa o sofrimento

Nem tão pouco a solidão

Para tudo há remendo

Quando se fala em Sertão.

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