A Morte chegou

nov 11 2015 Published by under Poemas

A Morte chegou

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De repente chega ela avassaladora

Sequer tem a coragem de bater à porta

Adentra com porta nos peitos e tudo

O que era e sempre foi já não o é mais

Agora apenas sofrida e lenta tristeza

O dia já não encanta como há pouco

A noite perdeu todas as estrelas a lua

Passarinhos na mensagem carregam dor

A voz de poesia que me enchia emudeceu

O perfume, as cores, a beleza murcharam a flor

Olho sem querer nos fatos acreditar

Arrasto-me como criado ao fundo fosso

Partiu a paz consigo levando o alegre sorriso

Um vazio em mim nunca visto se alargou

Pobre do ser que lhe é tirado à força o amor

Pois a paixão morta a metade se findou

Jogando os seres no calabouço do terror

O que será do vindoura a vida que cresce

Na falta do adubo que lhe enchia as veias

Padecimento, sofrimento, tormento

Se andar o ser precisa se curvar as correntes

Sofrerei eternamente vagando sem razão

Florescendo amarguras onde antes frutificava

Na história da vida minha tumultuada

Gozei até aqui as benesses de um paraíso

Como castigo pela felicidade conquistada

A metade que falta carregarei calejada

Da vida que me apresenta ingrata.

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