Mais um na multidão

nov 13 2015 Published by under Motivacional

Poderemos imaginar a importância de uma simples abelha operaria para a colmeia em que habita? Imaginar, sim, ter certeza do que promulgamos, talvez não. Um simples inseto predeterminado a cumprir ordens expressas pelo instinto que o governa e que o domina. É possível tirar do homem tal serviço se não o oferecer moeda de troca? O dinheiro, a conquista de um amor, ou mesmo as dores de fortes chibatadas… A razão faz do ser humano um bicho diferenciado na cadeia alimentar natural. Se na sociedade das abelhas a operaria não galga posições piramidais de poder, na conjuntura social dos primatas pensantes este fato não se coloca, sendo que os mecanismos de força e inteligência marcam a posição de cada peça no tabuleiro. Todos podem sonhar em ser reis, mas o trono só comporta um por período. Não há indivíduo que nasça soberano, sempre houve e sempre haverá disputas pela coroa de ouro e diamantes.

Um peão para no turbilhão de um grande centro, observa a abundância passar por suas retinas, pessoas que nunca vira na vida, que talvez nunca as verá novamente. Quantos rostos, quantas fisionomias, quanta gente. Aquilo continua pelas horas do dia todo, não existe repetição. Passam mulheres, idosos, crianças, homens, adolescentes, passa até funeral. O ser observa e pensa: “Quanto uma pessoa dessas vale para a sociedade? Ou melhor, qual é o meu real valor perante este mundo que inventamos?”. Encostado em um poste, um rapaz em mulambos conversa com outros dois amigos em igual situação. Na altura dos olhos, um homem bem vestido passa seguido por dois seguranças. Se há igualdade, por onde tem andado ela? Na colmeia, ou é operaria, ou é zangão, ou é rainha. Na sociedade em que vivemos estas castas se dividem em milhões. Cada um com seu peso e sua medida.

Ser mais um na multidão é algo que nos coloca a par da demência. Não se perca pensando na morte nem na loucura de se encontrar neste espaço sideral. O correto é esquecer-se de tais dilemas e viver da forma que nos foi apresentado o mundo até que chegue o dia da emboscada fatal. Mas quem disse que nos satisfazemos com o estado atual das coisas? Queremos mudanças, queremos impor nossa tatuagem ao espaço em que abraçamos. Todos sonham ser reis, é fato.

Corremos a vida toda em busca de um grão de arroz. Este mecanismo move nossa vontade e nos faz ativo. Para se chegar ao ponto x, o trabalhador se sujeita a percorrer os caminhos de y. A natureza se gaba ao ver que mesmo revestido de razão o homem se comporta como se fosse uma abelha operaria. A vida de uma peça é tão insignificante para o todo que a todo o momento são substituídas. Não subestime o seu valor, pois diminuindo as variáveis necessárias, seu peso vale zero. Busque em sua memória um parente, uma autoridade, um astro que já morreu. Após a partida, o mundo parou de girar? As peças imediatamente foram trocadas, ou esquecidas a um segundo plano.

Se estamos perdidos na multidão dos seres, estaremos perdidos na imensidão do cosmo para sempre. Somos nada e ao mesmo tempo infinitos, pois somos únicos. O mundo em geral não importa, serve como trampolim para se galgar um muro, o mundo que nos importa é o nosso próprio mundo, a nossa consciência. Tudo que for feito pelo mundo concreto ficará para tal lugar, o que for feito por nós para nós mesmos se manterá eterno em nossa energia vital para sempre.

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