Por onde anda mesmo o machado?

Certo dia, em algum mês do passado da região de Paramirim, uma figura muito conhecida naquela época, todos o chamavam de Felin, chegou à residência de Dona Pequena, entrou pelo portão dos fundos, passou pelo quintal, parando na porta da cozinha.

- Dona Pequena! – gritou ele.

- Quem é? – indaga a senhora em outro cômodo da casa.

- É Felin.

- Como eu queria lhe ver, Felin. – de imediato chegava à cozinha.

- Como vai a senhora.

- Vou bem, meu filho. Estou precisando de um serviço seu.

- Pode dizer.

- Minha lenha cortada acabou, preciso que você rache os paus que estão próximos ao muro.

Ele levantou o olhar para o local, em seguida disse:

- Tem muito, vai demorar uns dois dias para terminar o serviço.

- Rache um pouco, outro dia você retorne para rachar o restante.

- Tudo bem. Mas de barriga vazia eu não vou conseguir rachar sequer dois paus. Estou com fome. Tomei apenas um cafezinho preto de manhã, sequer um pedaço de pão tinha para comer.

- Vou fazer um prato.

- Capriche, a fome é grande, e o trabalho, também.

Dona Pequena trouxe um prato a derramar pelas bordas. Felin, segurando uma colher firmemente, afoito, começou a devorar o alimento. Poucos minutos e o prato estava vazio.

- Dona Pequena, já terminei. Tem um cafezinho aí?

- Temos sim, Felin.

Ele tomou o café devagar, olhou para o horizonte, enfim disse:

- Onde está o machado?

- Está encostado no quarto lá nos fundos.

- Me mostre ele.

A senhora chegou ao local e não o encontrou, procurou por todas as partes, nada. Chamou um dos filhos, mas o machado insistia em não aparecer.

- Dona Pequena, eu vou à venda de Nelson. Se a senhora encontrar o machado, mande alguém chamar a minha ilustre pessoa.

- Certo.

Pelo mesmo portão que havia entrado, ele saiu. Ao pôr os pés na rua, desapareceu no mundo.

No outro dia cedo, uma criança brincava em um monte de areia no quintal da casa de Dona Pequena, ao passar a mão em certo local, sentiu algo estranho, ao cavar um pouco encontrou o machado enterrado.

- Vó, encontrei o machado! – gritou a criança, a mesma sabia que a avó procurava pelo objeto.

Dona Pequena ao se inteirar que o machado estava enterrado na areia deduziu logo o que tinha acontecido. Felin ao entrar pelo quintal, sabido como era, a primeira coisa que fez foi enterrar o machado. Comeu e não trabalhou. O mundo é mesmo dos espertos.

História baseada em fatos reais, fatos esses da história da região do Vale do Paramirim.

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