Histórias das Figuras de Érico Cardoso – Bier 2

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Todos os anos Ademário Cardoso deixava sua residência na Sede, ou na rua como aqui se denomina, para passar uma temporada com a família na fazenda Manguinha na outra margem do Rio Paramirim. Ficava por lá uns três meses, gostava da natureza, da vida na roça, dos afazeres.

Certo dia, perto do horário do almoço, almoçava sempre ao meio dia, cultura da rotina da casa, um cidadão de nome Bier chega à porta e fica a fitar o patriarca do local, após um bom tempo deixou sair da sua boca um bendito elogio:

- Ademário Cardoso! – colocava mais força no sobrenome. – Ademário Cardoso, quatro homens destes consertaria Água Quente – batia forte no peito.

Com um elogio daquele ficava difícil não ceder às intenções do sujeito. Bier sabia como ninguém elogiar, ganhar o outro nas palavras, na conversa.

- Adentre para cá, Bier. Venha almoçar com a gente.

- Comerei aqui mesmo na fresca da calçada.

Dorzila serviu um prato recheado ao homem, esse devorou em poucos minutos, terminado, pediu um copo com água, depois um com café. Parou rente a porta a observar, olhos nos olhos com Ademário, disse:

- Esse rebanho de passa fome tá bom tudo de cair no tiro – e saiu à disparada estrada a fora.

Esse era Bier, uma das figuras da então Água Quente, rico em histórias.

História baseada em fatos reais, contada a nós pelo senhor Dormário Cardoso.

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