Onde estar a musicalidade?

dez 28 2014 Published by under Crônica

A música é a poesia cantada. Ela possui o poder de elevar a mente humana. São tantas as emoções. Um caldeirão de amor em que todos dançam sem distinção de cores. Na mistura dos estilos nascem os gostos e os artistas. A clássica acalma alguns, outros a odeiam. Uns amam o reggae, mas não suporta o samba. Há aqueles que só sabem dançar pagode, uma multidão que se perde no axé. Caminhando e cantando seguimos nossa evolução. Ou seria entre tapas e beijos? Não importa se esteja sentada na sua cadeira de rodas, ou aqui nesta mesa de bar, por todos os bares e lugares da vida a uma viola e uma voz a louvar o deus chamado Música.

Somos livres, como prega a santa Constituição. Livres para escolher o que é melhor para cada um. Somos livres para escutarmos a música que faz bem aos nossos sentidos. Nos últimos dias algo nos tirou a liberdade, impuseram-nos algumas canções que há dúvidas quanto a suas qualidades. Pelos ouvidos uma muriçoca a socar com força, a muriçoca soca, soca, soca, depois de tudo isso ela ainda pica, pica, pica. É loucura total. É torturante ao extremo. A mente quase se derreteu, o som era alto, estrondava pela rua, o bairro todo se via obrigado a saborear a muriçoca. Quando cansaram com a muriçoca, apareceu uma tal de lapada, eram tantas as lapadas que em três minutos foram milhares delas soltas pelo ar. Em seguida, os gritos começaram a chegar carregados de novinhas. Tanta apologia não chega a ser pedofilia? “Tudo é normal, somos livres, porra!” Alguém nos responde irado.

Resolvemos nos retirar da nossa casa, fomos a uma lanchonete. Dois minutos, as mesmas músicas voltaram a nos perturbar. Pagamos a conta e fomos ao sossego do rio. Aqui a muriçoca pode até nos incomodar, mas será o inseto. Não demorou, um jovem apareceu segurado um radinho desses que usam pen driver. Só se ouvia Mariazinha, Mariazinha, machuca, machuca. Não tem jeito, corremos para serra. Poucos minutos alguém liga um paredão de som na barraca as margens da barragem, o som era tão alto que subia para nos tirar a paz. De que vale o céu azul e o sol sempre a brilhar, se não tenho paz? Sou mais Roberto Carlos: “E que tudo mais vá pro inferno”.

Cada um possui sua liberdade, desde é claro que não interrompa ou agrida a liberdade do outro. Se gosta de um estilo de música, normal, coloque um fone de ouvido e curta seu som. As músicas de hoje são três palavras repetidas demasiadamente e com um ritmo que faz da pessoa uma marionete ambulante que para permanecer em pé somente com muito álcool e droga. Enquanto os que gostam de música se deliciam delas dentro de casa procurando a paz, a grande massa quer impor nessa minoria as barbaridades de uma sociedade doente que caminha sem rumo em direção ao caos.

Viva a Liberdade! Viva as leis que nunca foram leis. Viva a Música brasileira!

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