Mudança de hábitos

jan 24 2015 Published by under Crônica

obeso

A vida moderna curou vários hematomas que trucidavam os indivíduos nos tempos pretéritos. Se vencemos muitas doenças, ganhamos outras com a nova postura humana. Os hábitos vão se acomodando de acordo às exigências do momento. A alimentação que era a base de produtos naturais, passou no decorrer dos últimos anos a ser quase toda manufaturada.

Estava eu a praticar meu exercício rotineiro, final de tarde, na orla da lagoa, alternância entre caminhada e corrida. A natureza ao redor é uma pintura, de um lado a água, do outro, o pôr do sol; pássaros cantam, alguns animais pastam o capim verde… O que fazemos ali é bem mais que atividade física, é terapia contra o stress dos afazeres diários. Muitos estão por gostar do esporte, outros por pura imposição da vida.

Em certa parte, três homens dialogavam, um deles sempre vai à orla fazer caminhada, os outros dois poderíamos dizer que são meros turistas. O pouco que escutei deu para entender do que se tratava. O mais gordinho, usando short jeans, sandália, camisa polo, estava atento a conversa. O rapaz dizia que andava cerca de oito quilômetros. O gordinho achou aquilo algo de outro mundo. Como pode, andei cerca de cem metros e já me sinto exausto, indagava-o.

Outro atleta passou correndo e gritou: “E aí, rapaz, qual foi o médico?”. O primeiro remédio que os profissionais da medicina receitam aos pacientes chama-se caminhada. Se chega à orla uma pessoa diferente, gorda ainda por cima, com certeza foi imposição do médico.

O gordinho afoito a comidas gordurosas passou por uma bateria de exames. Ao receber o resultado quase caiu duro. Tudo nas alturas, por sinal, após tantos anos de comilança e bebedeira herdou dos maus hábitos o diabetes. Preocupado com o futuro foi a orla praticar uma caminhada. Aquele lugar não era a sua praia, sentia-se um estranho, sem jeito mantinha-se na retaguarda. Por que Deus foi fazer isso logo comigo? Pensava o pobre coitado. Gosto mesmo é de comer, beber, farrear. O que será de mim? continuava a delirar sufocado pelo seu calvário.

Os dias passaram e o gordinho acabou sumindo da orla, preferiu abandonar por um momento os conselhos do médico a gastar um pouco a sola dos pés. Mudar sempre é difícil, esquecer os prazeres, cortar as raízes da vida por completo e cultivar outras totalmente diferenciadas, algo pesado demais para um ser humano. Mas a vida nos impõe, quando menos esperamos, obstáculos, a princípios, enormes demais a serem vencidos. Em dado momento, não há alternativa senão avançar no novo caminho. Os que fogem e se escondem na preguiça perdem a oportunidade de gozar de uma existência mais saudável.

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