Faltou energia em Paramirim

ago 29 2013 Published by under Crônica

Não sei o porquê, mas hoje o dia nos fez retornar a tempos atrás. Já se passava das quinze horas quando Paramirim ficou sem energia elétrica. Só sentimos o desconforto quando nos retiram algo. Virou um reboliço só, todos queriam saber qual o motivo. Um logo disse: “Isso é culpa do Prefeito”. Do Prefeito? Nessas horas aparecem de tudo. Logo ficou sabendo que o Nordeste estava sem energia. O que o Prefeito tinha haver com tudo isso? Nada. O dia foi quente, o mormaço a incomodar, no céu começou a se formar algumas gordas nuvens. Um logo se adiantou: “Daqui a uns cinco dias choverá”. Será? Prever chuva no Sertão é igual a jogar em loteria, nunca se consegue acertar, todavia jamais se desiste de tentar, sempre a arriscar. O final de tarde nos lembrava de alguns outros finais de tardes, daquele tempo que quando ameaçava chover a energia, não ameaçava, ia embora. Já faz bastante tempo que não presenciávamos tal acontecimento, a noite vai se chegando e nós vamos de fato conhecendo a verdadeira noite, onde não há luz, apenas o negro da escuridão. As luzes dos carros nos parecem mais vivas, bonitas. A Via Láctea mostra todo o seu poder. Têm pessoas que nunca pararam para olhar para uma estrela, sabem que existem porque viram nos livros, sequer conhecem onde fica o Cruzeiro do Sul. Andamos pelas ruas e percebemos como é de fato a vida de um cego. Vida difícil e sem cor, brilho, nem da própria escuridão. Um bando de marrecas passa voando, pipipi pipipi pipipi, são as marrecas paturi. Para onde vão, marrecas? Cuidado com a escuridão. Ao colocar os pés na porta de entrada de casa, não estamos mentindo, a energia voltou. A molecada pelas ruas soltando seu grito: “EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE”. O tempo passa, as coisas mudam, ma no fim tudo continua do mesmo jeito como era antes.

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