Falsa glória, falsos reis

jan 12 2015 Published by under Crônica

rei

Os humanos criaram no decorrer da sua evolução algo que tenta colocar alguns seres acima dos demais, nos dias em que estamos se conhece por fama. Seria a superposição dos mais fortes sobre os mais fracos? Na mídia os indivíduos se atracam por alguns segundos de ibope. Uns são considerados reis em certa área, outros são como deuses, e assim seguem. Um pouco de análise é o bastante para desfazerem os mitos. Os ditos reis, os deuses, são doentes e fracos como toda a maioria. Onde estaria esta glória louvada por muitos? Se alguém souber, avise ao mundo para que todos conheçam tal luminosidade.

O que é ser o rei da Formula Um? O grande vencedor, campeão dos campeões, o máximo dos máximos, um verdadeiro gênio, o todo poderoso deus. Mas qual a grandeza mesmo de ser campeão em um esporte que não diz nada? A mídia fala das proezas desses pilotos, narram fatos incríveis, deixa os espectadores atônitos diante tamanha superioridade. Qual o valor dessa conquista para o piloto? Ser o primeiro, o campeão, reverenciado, ovacionado. Que gosto tem tal vitória? Um pouco de análise e tudo virá à lama feito excrementos frutos do trabalho do estômago de um bicho qualquer.

Na vida os seres matam até a mãe em prol da cobiçada fama. Para ser o grande campeão a pessoa usa das mais sórdidas manobras, proezas dignas do capeta e não de um deus. As pobres almas nos rabos se enrolam. Os dias passam e aqueles ferozes homens são apagados perante sua fragilidade histórica, quanto mais o historiador penetra nas entrelinhas do que não fora divulgado, maior é a pequenez do objeto ora analisado.

Há os verdadeiros campeões, aqueles que venceram suas dificuldades, aqueles que escreveram na trajetória da sua espécie um risco de bondade perante todo o grupo. São seres quase invisíveis, dotados de tamanha luz que a podridão do mundo pouco os seduzem. Não desejam ser deus, rei, príncipe, pois sabem da sua inferioridade dentro da obra. Vencem suas más inclinações, dominam seus instintos, lutam dia a dia contra seu corpo e sua mente que cobram loucuras mil.

O rei do futebol, o rei da formula um, o rei do basquete, o rei da piscina, os reis das competições; reis falsos que usam coroas de ouro como todo usurpador do poder o faz; brilham um quê de brilho que não é brilho aureolado, passam como o vento que já não se sente mais. Na vida, a sociedade emoldura seus deuses, engrandece a pequenez imunda de certos integrantes, faz da figura de um monstro algo a ser louvado e reverenciado. Quando os ditos reis são esquecidos, pobres, entram na melancolia do fracasso, tombam diante a realidade, muitos fogem as drogas ou aderem ao suicídio. Para onde foi à grandeza de tais reis? Para canto algum, pois a glória nunca os pertenceu.

Comments are off for this post