Diga-me: Quem és o dono?

abr 30 2013 Published by under Crônica

Paramirim é um Município abençoado por Deus, quando se fala em belezas naturais. Temos em nosso território, no topo da Serra da Comunidade de Santana, uma pedra sustentada por outras três de tamanho pequeno, uma raridade mundial. Possuímos um rio com vários pontos que podem ser explorados como fonte de renda e lazer. Também não podemos deixar de mencionar a grande quantidade de Sítios Rupestres. Somos proprietários de muito mais, mas já é o suficiente para mostrar o nosso imenso potencial. A pergunta é a seguinte: “Quais ou quem são os donos desses pontos naturais em Paramirim?”.

A população tem livre acesso, por exemplo, a Pedra de Santana? Até o momento nos aparenta que sim, mas quem garante que na semana que virá ou em outra data futura isso ainda se dará desta mesma forma. Há alguns meses, o grupo Os Trilheiros do Cafundó (Luiz Carlos Bill, Tulinha e Raimundo Sucupira), foi até um riacho, para conhecer e tirar algumas fotos. O lugar é bonito e poderia ser explorado como trilha. Mas tivemos uma baita de uma surpresa ao ser comunicado que o proprietário de tal local disse que iria nos processar pelo simples fato de termos entrado em sua área. Surgiu uma indagação: “Quem pode entrar nesses lugares naturais, já que quase todos se encontram dentro de propriedades particulares?”.

Na manhã do dia 11 de dezembro de 2011, resolvi ir à Serra das Torres para fazer algumas fotografias. Como gosto de pedalar escolhi a bicicleta como meio de transporte. Quando cheguei ao antepenúltimo mata-burro, surpresa, esse se encontra todo deteriorado, de automóvel ou de motocicleta por ali já não se passa mais. Coloquei a bike nas costa e venci o obstáculo. No próximo mata-burro, outra surpresa, foi posto vários fios de arame farpado impedindo a passagem de pessoas e de qualquer outro tipo de veículo. Naquele momento acabei me lembrando do rapaz que queria nos processar. Poderia muito bem vencer o entrave, mas usando o bom senso, resolvi retornar. Se a cerca está fechando o caminho é sinal que o proprietário não deseja que intrusos adentre na área em questão. Nesta situação o que fazer? Fiquei encurralado, pois não dispunha e nem tampouco disponho de uma resposta para dá.

Se por ventura o proprietário das terras que a Pedra de Santana se encontra, achando-se no direito, não permiti mais a entrada de pessoas não autorizada naquele local, o que a pessoa que desejasse lá ir poderia fazer senão obedecer ao desejo do dono. E se um proprietário de um terreno onde haja um Sítio de Pinturas Rupestres resolvesse por conta própria e por achar no direito, destrui-lo. Gostaríamos de saber o que poderia ser feito. Mas acreditamos que aqui não obteremos tais respostas.

Trabalhar com notícia na nossa região é difícil e complicado. Sinto-me, neste episódio, censurando e privado do direito de expressão. Talvez precisasse de uma autorização para visitar tais pontos, mas se tornaria uma prática burocrática e que acabaria por nos desestimular (mais ainda?). No momento penso muitas vezes antes de ir a qualquer local, nas muitas das ocasiões já não vou. Com o pequeno sucesso do nosso trabalho, invisíveis correntes vão sendo lançadas sobre nossos frágeis ombros. O que fazer? Mais uma indagação sem resposta. Enquanto isso, eu vou realizando o que minhas poucas forças me proporcionam, o restante, isso não faz parte da minha jurisdição.

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