A Importância da Leitura – Meu Amigo O Livro

ago 10 2016 Published by under Crônica, Vídeos

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Lição para a vida

Quando lhe encontrei, coisa estranha, linhas e mais linhas, letras aos milhares, uma porção de páginas. Quando lhe encontrei, não foi amor à primeira vista, obrigação, sim, a mim imposta. Quando lhe encontrei, como quis fazer uso do fogo, ou de um lago profundo e escuro. Quando lhe encontrei, uma tempestade, o fogo do Sol a me queimar, corda para amansar o instinto deste burro bravo e ignorante.

Comecei a percorrer minha estrada solitária, sem gosto, sem prazer, executava uma obrigação, era ao meu espírito um calvário cruel. De início, confesso-lhe que foi complicado, arranhava, pulava, não entendia, voltava, tentava seguir, a cabeça, literalmente, fervia, latejava e doía. Como tinha uma tarefa a realizar, como gosto de cumprir com o dever, prosseguia, vacilante, com minha pesada cruz incrustada na mente em desalinho.

Da aspereza dos polos, aos poucos não é que brotou um sentimento nobre, a revolta se converteu em amizade, com o tempo se transformou no mais puro e singelo amor. Amava aquele objeto, queria tê-lo constantemente, apaixonado ia para cama e acordava ao lado dele, união das duas partes em um todo. O costume moldou-se um novo hábito. Inimigos mortais no passado próximo, tornamo-nos amigos fiéis. Eu sempre ouvidos, ele sempre com palavras a me orientar.

Hoje perco tempo contemplando meu sucesso. O que seria de mim na sua falta? Como esse amor me fez mudar, não direi da água ao vinho, mas da lama à suavidade da chuva. O frescor da água, a limpidez, o cheiro sem cheiro, a cor sem cor, algo inexplicável, algo incomparável. Cresci e agradeço ao meu Professor, vários Professores, cada um à sua maneira, com o seu jeito particular de nos ensinar, de nos propor soluções até então estranhas a nós.

Falo dos milhares de professores mudos que vagam pela Terra, muitos perdidos nas estantes, prateleiras, malas, bolsos, livrarias, bibliotecas… O que dizer do poder impactante do Livro. Que sabedoria. Mudo por natureza, pronto a ensinar quem seus códigos conseguem decodificar. As carreirinhas de palavras a formarem enunciados, a dizer o que não conhecemos e o que já nos foi dito de uma nova maneira.

O gosto pela leitura se inicia quase sempre por imposição ou necessidade, com o tempo o dever passa a familiaridade de um ente querido, com mais idade vira obsessão, um amor eterno. Feliz do ancião que traz na amizade do dia a dia a companhia salutar dos livros.

Amar os Livros, para obter a sabedoria.

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