A flor do outro não é tão perfumada como pensamos

set 25 2015 Published by under Crônica

Como eu queria ser um pássaro. Como queria voar pelo céu anil a contemplar as montanhas, os vales, os oceanos… Nas asas do passarinho reside a felicidade mais feliz de todas. Um pequeno ser despreocupado das asperezas da vida social em que nos metemos. Como eu queria ter nascido um falcão, uma águia, um cardeal… Teria a liberdade suprema, seria o ser mais satisfeito do mundo. Às vezes, perco minutos olhando para o mar azul sobre minha cabeça boiando com as aves em um sonho fantástico. Deus escolheu os pássaros para depositar boa parte da felicidade do mundo, se para eles deu a metade, para o restante dos seres sobrou a divisão da outra parte, ganhamos um pingo deste lago enorme. Sou infeliz, os pássaros são alegres sempre.

Sou um pássaro, bicho, sou um pássaro que visto de longe enche os olhos do observador de fantasias. Sou um pássaro que acorda com os primeiros raios do sol. Um pássaro que precisa caçar a comida sempre. Se tenho sede, devo ir em busca. Onde estaria tal liberdade cantada pelo homem? Quando tenho filhotes o trabalho é redobrado, no meu instinto preciso alimentar meus filhos atendendo a ordens de um general invisível. Na noite, no meio da escuridão viro presa, sou caçado por vários animais, não tenho paz para dormir tranquilo, quando chove, falta-me um teto. A vida de um pássaro é tão ou mais difícil que a de um humano. De tanto voar, de tanto ver, tudo se torna banal às retinas fatigadas pela mesmice diária. Não queira ser um pássaro, pois sou um e sonho um dia me transformar em um homem.

Cada um deseja ser o outro, o certo é ser o que é, pois neste quesito o sonho será sempre sonho, pois a Natureza obrou de tal forma.

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