Um mais um?

jun 18 2015 Published by under Contos

Dois jovens dialogavam sobre tolices do dia a dia. Eles estavam metidos em assuntos furteis, literalmente “jogavam conversa fora”. A prosa seguia seu rumo costumeiro, algo vazio, sem importância, um tanto sem nexo. Nesta pequena roda de conversa, algo apareceu para tirar o sossego, um assunto nebuloso, forte o bastante para fazer-lhes perder os cabelos.

- Um mais um? – indagou Moreno.

- A prosa nossa está mesmo ruim – resmunga Galego. – A que ponto chegamos?

- Responda-me a pergunta que lhe fiz. Um mais um?

- Um mais um é dois.

- Um mais um é dois?

- Com certeza.

- Será?

- Claro. Todos sabemos que um mais um é dois. Foi desta maneira que aprendemos na escola.

- E dois mais dois?

- É fácil demais. Dois mais dois é quatro.

- Dois mais dois é quatro? Há algo estranho.

- Errado? Você está me chamando de burro?

- Cinco mais cinco?

- Cinco mais cinco é dez?

- Algo não bate. Parece que você não sabe fazer conta de adição.

A professora de nome Branca passava pelo corredor naquele instante.

- Professora! Professora! – grita Galego. – A senhora poderia nos responder uma pergunta?

- Claro. Qual pergunta?

- Meu amigo me indagou sobre uma questão de matemática. Eu o respondi corretamente, mas ele está falando que respondi errado.

- Sou professora de português. Talvez eu possa ajudar. Qual foi mesmo a pergunta que ele lhe fez?

- Professora, eu perguntei a ele quanto é um mais um – explicou Moreno.

- Eu respondi a ele que um mais um é dois, que dois mais dois é quatro, que cinco mais cinco é dez.

- Tem algo estranho na resposta dele, professora – fala Moreno. – Um mais um é dois, dois mais dois é quatro… Algo não soa bem.

- Não sou professora de matemática, todavia já sei qual é o erro. O erro se encontra na concordância do verbo “Ser”. Um mais um são dois, dois mais dois são quatro, cinco mais cinco são dez.

- Não lhe falei que tinha algo errado.

- Verdade. Um mais um são dois, dez mais dez são vinte…

- Tem mais alguma pergunta? – indaga a professora.

- Não – disse Moreno. – Muito obrigado por nos ter ajudado. Aprendemos muito nesta nossa conversa. Depois falam que jogamos conversa fora, às vezes aprendemos um pouco também.

- A vida ensina a todo momento – disse a professora enquanto começava a andar.

- A professora tanto é inteligente como bonita. Nunca mais me esquecerei que um mais um são dois… – reflete Galego. – Que professora! Com uma professora dessa eu seria o rapaz mais inteligente do mundo…

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