Servindo as Forças Armadas a pulso

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No Brasil a lei obriga o cidadão a servir as Forças Armadas. No passado, há alguns anos, ir para o Exército implicaria sérios riscos. Se necessitasse ter que lutar em alguma guerra, naqueles tempos a iminência de conflitos era grande, a pessoa estaria frente a frente com uma morte prematura. Muitos indivíduos tinham pavor só em pensar sobre um possível alistamento.

Um filho da região do Vale do Paramirim, certo dia, recebeu um comunicado, um documento exigindo a sua apresentação na Capital baiana para se alistar. O homem perdeu o sono, perdeu a fome, teve vários pesadelos.

Neste tempo do recebimento da intimação ao dia aprazado para estar diante ao oficial, ele refletiu sobre uma maneira de se ver livre desse maldito incômodo.

Os dias passaram rapidamente, na data e no horário determinado, lá estava ele sentando, em uma cadeira dura, frente ao general. O relógio marcava dez horas.

- Qual é o seu nome? – indaga o general, encontrava-se de cabeça baixa.

O silêncio acolhia todo o recinto, quebrado apenas por um canto de um passarinho em uma gaiola na parede.

- Qual é seu nome? – volta a perguntar.

O rapaz permaneceu imóvel, olhar fixo para o general.

- O leão comeu sua língua foi? Como você se chama? Não me faça de idiota.

O rapaz apontou com o dedo para o peito, dava a entender que ele tentava se comunicar por códigos.

- O senhor é surdo-mudo?

O homem permaneceu imóvel e com o seu olhar sempre fixo. Por sua vez o general deixou o rapaz sentado e começou a trabalhar com as suas anotações. Volta e meia indagava algo, porém não recebia resposta. Já se passava do meio-dia, a fome tomava conta dos dois.

- Já é mais de meio-dia, estou com uma fome – murmurou o general.

 O surdo-mudo pôs seu plano abaixo, a fome o traiu:

- Eu também – afoitamente disse ele. – Ops! Me dei mal.

- Surdo-mudo! Querendo ludibriar a autoridade? Irá servir o Exército sim, seu cabra! Agora me responda: qual é o seu nome?

- Fulano de tal.

- Não entendi. Fale mais alto. Soletre!

- F-u-l-a-n-o d-e T-a-l.

- Teremos o maior prazer em lhe ensinar boas maneiras. Uma delas é a de não mentir para autoridade nenhuma. A primeira coisa que faremos é a raspagem do seu cabelo.

- Eu não posso ficar aqui. Tenho que cuidar dos meus filhos.

- O surdo-mudo recuperou suas habilidades. Sua esposa cuidará bem deles. Sebastião!

Um rapaz vestido uniforme do exército apareceu rapidamente.

- Leve o homem e dê a ele as primeiras instruções. Espere. Parece que ele está com fome, só sirva o almoço daqui duas horas. É para aprender a não mentir. Agora o leve. Já.

História baseada em fatos reais.

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