Pisca, pisca no espaço

nov 15 2014 Published by under Contos, Crônica

ceu_estrelado

Estava eu metido nas minhas confusões da mente em uma madrugada de um dia qualquer. Deitado eu me encontrava em minha cama macia e cheirosa a observar pela janela aberta o céu. Algumas estrelas acenavam para mim. Piscavam como se quisessem me namorar, namorávamos a distância, perdia-me nos seus brilhos, nos seus mistérios. Por alguns minutos fiquei distraído, absorto ao mundo, meus olhos eram de certa estrela, apenas dela. A paixão é linda, mas acorrenta; entorpece, todavia nos faz prisioneiro.

A estrela por um instante perdeu seu posto de rainha, meus olhos passaram a consumir uma nova imagem, menor na importância, contudo usurpou a paixão do outro ser. O amor às vezes nos prega peça, quando tudo parece eterno, balde de água gelada.

Uma luz a piscar constantemente correu pelo céu. De imediato notei que se tratava de um avião, ia longe, na altura do horizonte, quase a perder na imensidão da distância. Foram poucos minutos de contemplação, no entanto acendeu em meu peito o fogo do pensamento. Meu cérebro se comunicava com o meu coração, este amoroso e passional, aquele racional na sua fiel estrutura.

Se esta mesma cena fosse vista nos tempos pretéritos, quais consequências teriam? Na pré-história, o homem em formação apontaria para a luz que piscava no céu e correria para a caverna mais próxima tomado pelo pavor, passaria a cultuar aquele sinal. As civilizações da Grécia, do Egito e dos Astecas adotariam como Deus aquele objeto não identificado. Da Vinci olharia cientificamente e assinalaria os extraterrestres como autores de tal façanha.

Um simples episódio dos dias atuais seria verdadeira bomba atômica em períodos anteriores. O celular que estamos tão habituados, há cem anos o taxaria de loucura dos cientistas. Até onde a humanidade poderá ir? Quais as surpresas que nos aguardam nas linhas futuras do tempo?

Estou aqui deitado a matutar, por este mundo milhares se perdem nos seus interesses. O avião que passou carrega em seu interior pessoas, algumas dormem, outras se divertem, talvez alguma olhem para certo ponto e indaguem o porquê de tudo isto. Ela a voar sobre as cidades, no chão milhares de seres a buscar o sustento, a dançar, a estudar, a comer, a namorar, a nascer, a morrer… A linha da evolução gira constantemente sobre si mesma, cada badalar do ponteiro uma nova flor se abre, a engrenagem não pode nunca estacionar, por isso há mudanças constantes.

O aviãozinho passou quase despercebido, neste mundo não há anonimato, sempre tem um a observar. O brilho das suas luzes voavam aos quatro cantos, luzes foram criadas para serem vistas, quando aparecem não consigo ficar sem contemplá-las.

O avião seguiu seu caminho, sob os brilhos das estrelas fui lançado ao mundo dos sonhos, dormi sem perceber; as estrelas voltaram, estavam mais bonitas, brilhavam intensamente; sonhava em conhecer outros mundos viajando em um avião, ao acordar na realidade me dei conta que tudo se faz possível, que se algo existe hoje é porque alguém delirou no passado.

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