A felicidade é dona do meu ser

ago 20 2015 Published by under Contos, Crônica

Hoje eu acordei feliz da vida. Mal abrir-me os olhos e já soltei uma gostosa gargalhada. Não me pergunte por qual motivo, pois nem eu mesmo sei explicar. Um passarinho logo roubou minha atenção, corri à janela, o danadinho cantava em demasia, quanta ternura, quanto amor naquele singelo ato. Fiquei por alguns minutos ali perdido no meu delírio de contentamento. A avezinha se foi, eu deixei a janela e fui cuidar da vida. O sorriso me acompanhava por onde quer que eu fosse. As asperezas do mundo não achavam encosto em mim, estava brindado contra a perversidade humana. De tempo em tempo, soltava uma gostosa gargalhada, muitos me olhavam espantados. Estaria eu doido? Talvez seja fruto da felicidade deixar seus atores meio bobos. Certo momento, deparei-me com um indivíduo que, insatisfeito com meu estado de luz, resolveu lançar um obstáculo ao meu brilhante caminho. Pisou em meu pé com força, desejava um revide, queria acabar com minha felicidade nos bofetões. Olhei-o nos olhos, doía, como doía aquela atitude do camarada que nunca tinha visto na vida. A dor era tanta que para não chorar eu gargalhava. Um minuto cruel que demorou bastante para passar. Ele tirou o pé sobre o meu, e ainda por cima me empurrou, estava zangado e em fúria. Por onde minha felicidade passava incomodava a legião de depravados que pululavam ao meu redor. A luz do meu sol incomodava os asteroides apagados e duros de sentimento que vagavam pela vida feitos fantasmas prontos a colidirem com outros corpos. Estando a multidão atolada na lama, com a corda ao pescoço, queria me arrastar para a sujeira em que se via metida. Aqueles seres ruminavam as fezes que comeram no desenrolar da existência. O mundo humano insensato e perverso trabalhando para o mal-estar social. Sorrindo deixei o ar podre da cidade, das aglomerações, da imundície dos irmãos; sorrindo procurei o passarinho, pela primeira vez no dia meu sorriso alegrou outro ser, ser este que ao notar minha felicidade cantava cada vez mais para não cessar aquele instante mágico. Nossa amizade a partir daquele dia criou raízes profundas, passamos a nos ver todos os dias. Se meu sorriso não faz bem aos irmãos humanos, guardo-o para oferecer ao amigo passarinho. Não adianta compartilhar a luz com os que adoram a escuridão.

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