Archive for the 'Poesia' category

A agonia do meu querido Rio

abr 22 2014 Published by under Poesia

Oh, Rio!

O que fizeste contigo?

Outrora abundante

Profundo

De mata alta

Fauna exuberante

Em suas límpidas águas

Passeavam rio acima

Rio abaixo

Traíras, caris, pacus e jundiás

Hoje te tenho cambaleante

Mata rala

Lixo pelas margens

Esgoto

Falta-te oxigênio

Quase sem vida

Triste

Vejo-te na face enrugada

Um filete de lágrimas

Oh, Rio!

Não chores…

Chorar?

Não são lágrimas o que correm

Desce meu sangue

De todos os lados recebo setas e dardos

Resisto porque sou forte

Mas já não tenho forças como antes

Aproveite

O que pensas ser lágrimas

É o que te alimentas

Quem não cuida do que tem

Nada há

Quando parar meu pranto

Que espanto!

Tudo perecerá

A tua dor, compadre

Não tenhas duvidas

Aumentarás

A minha será imensa

Pois já não conseguirei cumprir com a obrigação

Que é de desaguar no mar.

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Retrato de um momento

abr 04 2014 Published by under Poesia

O dia acabou

Ventos trazem escuridão

Sacolejam plantas

Assoviam sobre telhados

Carregam consigo fumaça

Empurram nuvens pelo céu

Escondem astros

Fazem alegria virar terror

Aguçam pensamentos

Logo o frio cresce

Acoberta a cidade

Afugenta as andorinhas

Dá importância ao cobertor

Obriga o povo a descansar

Aos casais de namorados

Confortam-se num forte abraço

É a natureza e o seu poder

Quebrando o gelo da vida quente e atribulada de cada ser.

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Crescendo com as mudanças

abr 03 2014 Published by under Poesia

Não queiras mudar o mundo, as pessoas, as coisas; Deus só deseja de ti a tua própria mudança. É pouco, mas o essencial para grandes transformações. Experimentes ser hoje melhor que ontem e amanhã melhor que o agora. Se todos nós agíssemos de tal maneira, a Terra seria um belo e empolgante paraíso.

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A bebida mata mais do que se imagina

jan 25 2014 Published by under Poesia

bebado

Meu filho morreu

Meu filho morreu de pinga

Dizem que morreu feliz

Não pari um filho para morrer assim

Sonhava em tê-lo como grande Doutor

Um Cientista

Ou um professor

Jamais imaginei tal sina

É duro para uma mãe

Duro demais

Ao calabouço eterno encaminhar seu fruto

Carcomido pelo vício

Desorientado

Perturbado

Dilacerado o espírito

Sem saber sepultou-me uma parte.

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Eu sou…

jan 22 2014 Published by under Poesia

via-lactea

Eu sou…

*

Sou como sou

Sou porque sou

Sou o que sou

Sou diferente

Sou único

Sou tudo

Sou o mundo

Queria ser Sócrates

Queria ser Einstein

Queria ter a voz de Roberto Carlos

Queria inteligência

Sapiência

Queria poder

Queria compor como Beethoven

Como queria dominar a matemática

Ser um exímio químico

E falar todas as línguas

Não basta

Queria mais

A Lua

O Sol

A Via Láctea

Queria está em todos os lugares

Ser um camponês

Solitário e perdido em si

Pastoreando as ovelhas

Arando o chão duro

Plantando o grão

Para no entardecer me perder

Na imensidão

Sou o que sou

Um risco

Apenas

Com fim e início

Que um dia brilhou

Que ao cumprir sua etapa

Simplesmente

Como em um estalo

Passou.

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Vício

jan 15 2014 Published by under Poesia

cigarro-de-palha

Vício

Chegou devagar

Sentou-se

Tirou do bolso um pedaço de fumo

Do outro, um canivete

Trabalhou

Com a língua colou a palha

Sorriu ao contemplar o céu

Voltou a meter a mão no bolso

Riscou o fogo

Deu três baforadas

Sorriu

Sorriu

Sorriu.

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Dura Sina

dez 11 2013 Published by under Poesia

Dura Sina.

Hoje ele acordou sedo

Tomou café como faz todos os dias

Trabalhou no serviço habitual

Almoçou debaixo da mesma árvore de sempre

Tragou o maldito cigarro

Banhou-se no chuveiro frio

Fez sexo

Saiu para ir à padaria

Não sabia ele que a morte voraz o esperava na esquina.

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Não e não e não

set 13 2013 Published by under Poesia

Não

Não e não e não

                ***

Não procure aplausos

Não venere a fama

Não pense que é Deus

Não se iluda com elogios

Não há reis neste mundo

Não existe eternidade na Terra

Não perca seu escasso tempo

Não se mate por pertences

Não ignore o texto

Não abra a porta

Não a feche

Não faça nada que desagrade

Não ande sem direção

Não cante para surdo

Não exija do outro

Não pare nunca de sonhar

Não diga não quando a resposta deve ser sim

Não diga sim quando tem que dizer não

Não é como você está pensando

Não e não e não

Não faça isso

Não é culpa do Criador

Não pare antes da chegada

Não pereça em vão

Não ao não

Não posso continuar

Não tenho mais forças

Não há palavras

Não, basta para encerrar:

Não!…

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Chegada e Partida

set 10 2013 Published by under Poesia

Cometa

Chegada e Partida

A vida começa na alegria de uma enigmática interrogação

A essência se finda na tristeza do mesmo sinal

Do nada eu vim

Para o nada voltarei

Somos poeira estrelar

Fagulhas de um cosmo sem fim.

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Mãe

abr 30 2013 Published by under Poesia

O que dizer da mãe que chora a dor do filho
Sofre as amarguras da vida implorando por socorro
Que suporta nove meses
Devota todo o tempo
Por que não dizer
A vida
A proteção da querida prole.

O filho é erguido ao sofrimento
Antes pregado a fortes injurias
O perecer se aproxima
Nuvens negras pairam pelo céu
A mãe aflita se desfaz em lágrimas
Chora a sua impotência perante os fatos
Perde a metade de si
Desmaia
Esparrama-se ao chão
Meche
Anda
Corre
Mutação
Agarra-se ao filho perdido
Não mais consegue dormir
Deixa de se alimentar
Na esperança de um futuro de trégua
Enquanto houver o último suspiro
Enquanto houver a derradeira madeira da embarcação
Ela se sentirá forte
Para lutar
Para seguir
Para viver
Para amar.

O filho se desfalece sobre o impactante olhar da harpia
A genitora observa com meiguice
O filho aos poucos se vai
No colo o carrega
Vela ao dissabor de dores estonteantes
Deposita-o sob a terra fresca da escura noite
As dores tão logo dão lugar às recordações
Para ela não existe o impossível
Doa a própria vida
Pela vida do filho
Para ela tudo pode
Para ela tudo é possível
Para a mãe
O bem maior é o filho
Para Maria
Jesus Cristo.

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