Archive for the 'Crônica' category

Vídeo da magia da flores

nov 25 2015 Published by under Crônica, Poemas, Vídeos

Cebolinha-de-sapo

Fenômenos naturais estão por todas as partes do mundo estrelar, do simples ovo, aos olhos de quem já se acostumou, ao pinto que apareceu como mágica dentro do estranho objeto. O Sertão aguarda há meses pelas nuvens escuras e pesadas, o sol castiga o solo e as plantas, a naturalidade do ambiente segue seu curso rio sem alarde. Certo entardecer, uma ventania varre a vegetação, o céu limpo se enche de nuvens. O espetáculo vai começar. Todos em seus lugares. O relâmpago clareia o céu, o trovão ronca no alto da serra. O cheiro dos primeiros pingos na terra seca se eleva e corre pelos quatro cantos. Que aroma delicioso, doce, salutar. O barulho da chuva andando, não, correndo a me encontrar faz gelar-me o sensível coração. Os pingos d’águas tocam o chão quente e áspero erguendo poeira, parecem a pegadas de uma tropa de cavalos em disparada. O aguaceiro chega, toma tudo, engole os padecimentos, restitui a vida aos seres. A cartola se abre, dois, três dias e uma ebulição. O mato em galhos descobertos cobre-se de folhas, o capim volta a crescer, os passarinhos cantam felizes, a cigarrinha solta seu agudo hipnotizador. Em alguns lugares, a relva se faz baixa, o lírio do campo em um estalar de dedos forra o ambiente, seu perfume adocicado vaga gostoso pelo ar molhado da evaporação. Quanta beleza nessas florzinhas. O vento de tempo em tempo as agita, bailam em um balé sincronizado. O garoto ao ver tamanha fartura corre e se põe a colher, como vai à escola, na mão leva um lindo buquê branco para a professora. As flores das cebolinhas seguem felizes nas mãos da criança, por onde passa distribui o suave aroma. Como em um sonho de contos de fadas, como as orquídeas, no outro dia já cedo, o campo, outrora esbranquiçado, acorda deprimido, as florzinhas se foram, desapareceram da mesma forma que haviam chegado. O garoto retorna trazendo consigo alguns colegas, triste e sem entender vai à escola sem o ramo de flores. O enredo seguirá até o próximo ano, até a próxima chuva da temporada seguinte. Quem viu as florzinhas da cebolinha-de-sapo viu, quem não as viu ao vivo e a cores somente no próximo ano. Desde criança, todos os anos, após a primeira chuva, corro para o campo para apreciar tais flores e sentir o seu perfume singular, já não as levo mais para presentear minha professora, já não tenho obrigação mais de estar em salda de aula, deixo-as na Natureza, que é a maior e mais sábia de todas as educadoras que já existiu.

Assista ao vídeo dos Lírios do Sertão, ou Cebolinha-de-sapo:

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A fome

set 28 2015 Published by under Crônica

fome

A linha da mediocridade da soberba humana se esfacela perante o rosto cadavérico da fome. Quando o estômago implora por energia, o corpo aguça os instintos afugentando as ideias. A fome tem o poder de mostrar aos seres que diante dela o restante é pura frivolidade. A vaidade desmedida do ser nenhum controle possui frente à opressão de uma estrutura que implora medonhamente por energia. As regras sociais, as leis, os dogmas, a parafernálias ditas aos setes cantos como salvação, tudo desaparece na iminência da dor que desestrutura a matéria e perturba o espírito. O homem que sente fome é fiel aos preceitos naturais, pois não disfarça o sentimento primordial que o fere. O traje, a maquiagem, as pedras preciosas, o posição alcançada hierarquicamente, de nada terá sentido se a mente se encontrar amarrada em uma tristeza profunda fruto da anemia das células. Frente a frente com a tortura esmagadora da fome, o ser humano é dobrado, faz-se prisioneiro de um calabouço invisível aos olhos daqueles que o observa, e amargo e quente para o que padece.

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Uma carta a uma amiga

set 26 2015 Published by under Crônica

escrevendo-com-uma-pena

Uma carta a uma amiga.

Hoje o dia está quente, sol pesado, suor em demasia, mas em mim um gelo de dez graus abaixo de zero. Queria ter forças para sair, tomar um banho no rio, sentar em um barzinho e beber um refresco, não consigo, em mim apenas ventania de pensamentos, trovoadas de emoções torturantes. Parece que estou voando sobre um terreno abalado por um perverso terremoto. Meu corpo treme, sinto-me um frio arranhando minhas entranhas como se estivesse com vontade de me trucidar. O Sol tão Sol é pequeno para sanar meu eu vazio, um eu insuportavelmente insuportável, um eu que não sou eu, um eu que quer algo, não sabe, porém, o que buscar. O céu sem estrelas ofusca minha imaginação, estou preso e de mãos atadas dentro de um maldito labirinto. Quero correr, quero gritar, quero qualquer coisa, não tenho forças para nada. A boca amarga como uma múmia perdida para sempre em um canto qualquer esquecida pelo tempo que não lhe pertence mais. Aqui dentro há frio, aqui dentro há escuro, aqui dentro tudo roda como em uma roleta russa, as facas passam rente ao rosto constantemente. Em meu quarto, deitando em minha cama, embrulhado com cobertor grosso, faço todo esforço para dormir. Preciso sonhar, preciso de um novo rumo para minha débil existência. Peço apenas um caminho, uma direção que me coloque em linha de colisão com a realidade, com a luz que ilumina e nos dá vontade de vencer nossas próprias imperfeições. Se meus olhos fecharem rapidamente, meu tormento desaparecerá, andarei em um mundo invisível onde em uma macieira colherei melancias, onde a água terá gosto de vinho, onde a felicidade reinará eternamente. Deus, escute minhas preces, por favor, restitui-me o sono, careço sonhar, preciso, imploro. A força é tamanha que meus olhos estão desabando ribanceira abaixo. Estou sonhando, faz calor, já não sinto mais frio, o cobertor já deixei para o lado. Voltei a viver, simplesmente porque voltei a sonhar. Tudo isso graças ao Nosso Senhor. Se não fosse Ele, não sei o que seria de mim, talvez estaria em outra dimensão. Foi um dia difícil, todavia venci.

Noite de 21 de fevereiro de 1979.

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A flor do outro não é tão perfumada como pensamos

set 25 2015 Published by under Crônica

Como eu queria ser um pássaro. Como queria voar pelo céu anil a contemplar as montanhas, os vales, os oceanos… Nas asas do passarinho reside a felicidade mais feliz de todas. Um pequeno ser despreocupado das asperezas da vida social em que nos metemos. Como eu queria ter nascido um falcão, uma águia, um cardeal… Teria a liberdade suprema, seria o ser mais satisfeito do mundo. Às vezes, perco minutos olhando para o mar azul sobre minha cabeça boiando com as aves em um sonho fantástico. Deus escolheu os pássaros para depositar boa parte da felicidade do mundo, se para eles deu a metade, para o restante dos seres sobrou a divisão da outra parte, ganhamos um pingo deste lago enorme. Sou infeliz, os pássaros são alegres sempre.

Sou um pássaro, bicho, sou um pássaro que visto de longe enche os olhos do observador de fantasias. Sou um pássaro que acorda com os primeiros raios do sol. Um pássaro que precisa caçar a comida sempre. Se tenho sede, devo ir em busca. Onde estaria tal liberdade cantada pelo homem? Quando tenho filhotes o trabalho é redobrado, no meu instinto preciso alimentar meus filhos atendendo a ordens de um general invisível. Na noite, no meio da escuridão viro presa, sou caçado por vários animais, não tenho paz para dormir tranquilo, quando chove, falta-me um teto. A vida de um pássaro é tão ou mais difícil que a de um humano. De tanto voar, de tanto ver, tudo se torna banal às retinas fatigadas pela mesmice diária. Não queira ser um pássaro, pois sou um e sonho um dia me transformar em um homem.

Cada um deseja ser o outro, o certo é ser o que é, pois neste quesito o sonho será sempre sonho, pois a Natureza obrou de tal forma.

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A felicidade é dona do meu ser

ago 20 2015 Published by under Contos, Crônica

Hoje eu acordei feliz da vida. Mal abrir-me os olhos e já soltei uma gostosa gargalhada. Não me pergunte por qual motivo, pois nem eu mesmo sei explicar. Um passarinho logo roubou minha atenção, corri à janela, o danadinho cantava em demasia, quanta ternura, quanto amor naquele singelo ato. Fiquei por alguns minutos ali perdido no meu delírio de contentamento. A avezinha se foi, eu deixei a janela e fui cuidar da vida. O sorriso me acompanhava por onde quer que eu fosse. As asperezas do mundo não achavam encosto em mim, estava brindado contra a perversidade humana. De tempo em tempo, soltava uma gostosa gargalhada, muitos me olhavam espantados. Estaria eu doido? Talvez seja fruto da felicidade deixar seus atores meio bobos. Certo momento, deparei-me com um indivíduo que, insatisfeito com meu estado de luz, resolveu lançar um obstáculo ao meu brilhante caminho. Pisou em meu pé com força, desejava um revide, queria acabar com minha felicidade nos bofetões. Olhei-o nos olhos, doía, como doía aquela atitude do camarada que nunca tinha visto na vida. A dor era tanta que para não chorar eu gargalhava. Um minuto cruel que demorou bastante para passar. Ele tirou o pé sobre o meu, e ainda por cima me empurrou, estava zangado e em fúria. Por onde minha felicidade passava incomodava a legião de depravados que pululavam ao meu redor. A luz do meu sol incomodava os asteroides apagados e duros de sentimento que vagavam pela vida feitos fantasmas prontos a colidirem com outros corpos. Estando a multidão atolada na lama, com a corda ao pescoço, queria me arrastar para a sujeira em que se via metida. Aqueles seres ruminavam as fezes que comeram no desenrolar da existência. O mundo humano insensato e perverso trabalhando para o mal-estar social. Sorrindo deixei o ar podre da cidade, das aglomerações, da imundície dos irmãos; sorrindo procurei o passarinho, pela primeira vez no dia meu sorriso alegrou outro ser, ser este que ao notar minha felicidade cantava cada vez mais para não cessar aquele instante mágico. Nossa amizade a partir daquele dia criou raízes profundas, passamos a nos ver todos os dias. Se meu sorriso não faz bem aos irmãos humanos, guardo-o para oferecer ao amigo passarinho. Não adianta compartilhar a luz com os que adoram a escuridão.

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Estou levando cadáveres no bagageiro do meu carro

ago 13 2015 Published by under Contos, Crônica

Amigo, estou transportando três cadáveres no porta mala do meu carro. Foi minha esposa que teve a maldita missão de degola-los vivos. Depois de mortos foram todos esquartejadas, lavados, temperados e assados. Aqui dentro do automóvel está um cheiro forte. Agora acabamos de passar defronte a um posto policial. O aroma era para chamar a atenção. Continuo a dirigir. Minha esposa está sorridente ao meu lado, feliz da vida, só pensa na praia onde estamos indo passear. Cheira bem esses cadáveres. Quando na areia da praia, vamos comer pedaço por pedaço; os ossos daremos ao nosso cão que não para de salivar na gaiola no banco de trás, parece estar com muita fome. Aqueles três frangos caipira que ontem estavam vivos, daqui a pouco cantarão nos nossos estômagos. O povo sempre a pensar besteira. Que eu saiba, matar frangos não é crime. Come-los também não. Deixe-me seguir viagem, hoje é feriado, é dia de praia, dia que se come frango com farofa e se bebe muita cerveja gelada. Observação: Na volta, a minha esposa conduzirá o veículo.

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Não jogue lixo nas ruas

mai 24 2015 Published by under Crônica

panfleto-lixo

Em um bairro de uma cidade grande do Brasil, local como vários outros, com seus problemas pontuais, na linha de colisão entre os aspectos gerais da Natureza e a falta de educação das pessoas, um fato fisgou a atenção de um grupo de jovens. Sempre quando chove forte, as ruas do referido bairro ficam todas alagadas; o transtorno para os moradores e transeuntes são gigantescos. Para tentar sanar esse problema, o grupo se reuniu para discutir e encontrar uma forma que amenize a situação. Na reunião, um dos jovens propôs que fosse feito um mutirão de limpeza, proposta eliminada, pois os funcionários da Prefeitura já fazem o trabalho e assim mesmo os alagamentos continuam a acontecer. Outro indivíduo, iluminado por sabe-se lá o quê, colocou sua ideia na mesa. A proposta se baseava em esclarecer, ou até mesmo educar a população. Que ideia genial. Se cada um fizer a sua parte, o todo se completará, não teremos mais o maldito problema. Mas como educar tanta gente? O idealizador, sempre iluminado pelas forças ocultas, disse: “Distribuiremos panfletos informativo todos os dias”. Diante à genial proposta, o grupo aderiu à causa. Saíram pelos comércios pedindo recursos para aquisição do material impresso. Em pouco tempo, duas toneladas de folhetos estavam nas mãos dos adolescentes. De imediato começaram a distribuição. As pessoas ao receberem, parabenizavam o grupo pela iniciativa. A confiança em dias melhores crescia no peito dos jovens. “Estamos sendo úteis para o nosso Bairro”. Bastou a primeira chuva torrencial para que todo o trabalho realizado fosse parar nas bocas dos vários bueiros. A sociedade está tão mal-educada que os panfletos eram jogados diretamente nas ruas. As duas toneladas de informação salutar ajudaram no alagamento do bairro. Tristes, os jovens perceberam que o problema não era a chuva nem tampouco o lixo, mas os humanos que ainda não aprenderam a ser humano consigo mesmo.

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Jumento Poeta

mai 01 2015 Published by under Contos, Crônica

jumento

Aquele que sabe algo, sabe tudo o que se sabe. O conhecimento abre portas tirando o ser da gaiola da ignorância. Quanto mais se ingere colheradas de aprendizado, maior é a fome. Na infinidade das coisas apenas o saber é capaz de transformar a inquietação do fim em algo plausível.

Certo dia, um Jumento, infeliz com a sua situação de burro, resolveu sair em busca de conhecimento. Algo dentro dele fervia, um calor tomou-lhe o corpo, empolgado correu em disparada atrás do seu novo sonho. Para muito, um objetivo complexo de ser alcançado, ainda mais se falando de um asno.

Passados alguns dias, o Jumento aprendera a vogal “A”. Ele saia pelos campos a soletrar a letra: um “AAAAAAAAAAAAAAA” um “AAAAAAAAA”. Qual foi o tamanho da felicidade que lhe apossava do peito. Os outros o olhavam de soslaio: “Endoidou de vez o pobre”.

Continuou na labuta do aprender, galgava a montanha passo a passo, as bruacas da mente vazias ganhavam suas primeiras sinapses. Um “AAAAAAAAA”, um “EEEEEEEEEEE”, um “IIIIIIIIIII”, um “OOOOOOOOOOOOO”, um “UUUUUUUUUUU”. Sentia-se um verdadeiro poeta, todos os outros jumentos o admiravam pela forma bonita que rinchava. Mesmo assim consideravam-no louco. Aprendera tão logo as consonantes, já sabia formar palavras. O jerico deixava a condição de burro.

De tanto tentar, de tanto buscar, conseguiu juntar os primeiros versos: “Eu fui jumento, não sabia as vogais, apenas rinchava, hoje ainda jumento, sou rico em conhecimento, um AAAAAAAA, um EEEEEEE, um IIIIIIIII, um OOOOOOOO, um UUUUUUUU”. Saiu a pronunciar sua poesia aos quatro cantos. Como pode um jumento se tornar poeta? Os amigos sem entender nada afastaram-se dele. Estava literalmente louco.

O Jumento ao adquirir um pouco de conhecimento viu crescer dentro de si a estrela do orgulho. Achava-se o maioral. Feliz com o que sabia, saiu a gozar de sua nova reputação. Considerava-se um gênio.  Nas suas andanças encontrou um idoso, um ser pálido, quieto, manso. O Jumento cheio de si, na sua petulância, quis zombar do senhor.

- Jumento, achas que sabes muito? Já paraste para observar o mundo? Quantas coisas há. Leias este livro que te empresto. Depois voltes que estarei aqui a te esperar.

O Jumento leu o livro uma vez, leu duas, leu três, demorou para entender o conteúdo. “Quem escreveu algo assim?”. Voltou a procurar o idoso.

- Que livro rico de informação – disse o Jumento.

- Escrevi este livro quando tinha quinze anos.

- Quinze anos?!

- Desejas que te empresto outros?

- Gostaria muito.

O Jumento passou a devorar um livro atrás do outro com farto apetite, quanto mais lia, mais inquieto ficava. Cada linha, cada parágrafo, traziam-lhe novas descobertas. O interesse só aumentava.

Em uma dada tarde, o idoso chamou a atenção do Jumento:

- Precisas deixar os livros por um tempo, precisas ir, sair e conhecer, aprender com as situações da vida. O mundo prático ensina muito. Basta de livros por um período.

O Jumento que escrevia livros, que fazia músicas, que recitava suas próprias poesias, saiu a perambular pelas cidades. Ao deparar com os humanos, na sua grande maioria ignorantes, analfabetos, viu que naquele espaço ele era um verdadeiro sábio. Em pouco tempo, conquistou o poder. Passou a carregar na cabeça uma coroa de alta majestade. Sabia como ninguém formular leis. A sua pátria prosperava, construiu escolas, universidades… A ignorância aos poucos deixava aquela terra. Sem motivação resolveu deixar tudo e ir a procura de novos sonhos. Já com a idade elevada, voltou a procurar o idoso. Ao chegar, apenas encontrou, sobre uma velha mesa de madeira, uma carta, nela uma frase estava escrita:

“Eu conseguir transformar um jumento em um sábio, agora é a sua vez de continuar com esta proposta que vem desde o começo do mundo”.

A carta foi escrita em uma língua antiga, somente seres de alto grau de sabedoria para entender tal frase.

O Jumento apoderou-se da casa, escrevia e estudava o tempo todo, esperava por um novo jumento, a proposta não poderia findar.

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Um celular por mil reais é barato; um livro por quinze, é caro

abr 21 2015 Published by under Crônica

livro-celular

É sabido por todos da Nação brasileira que nós brasileiros temos preguiça para estudar e pavor em ler. Andamos na contramão do progresso, a maioria do nosso povo é analfabeto funcional. A evolução do Brasil sempre andou pela estrada do marasmo, do “deixe a vida lhe levar”.  Neste clima de sol e festa, estimular a mente chega a ser abominável, os que assim procedem se dão muito bem.

Outro dia desses escutamos uma mãe de um aluno da rede pública dizer: “A professora pediu para que meu filho comprasse um livro de literatura para ser trabalhado no semestre. Comprar livro numa crise desta! Ela só pode está louca”. A mulher saiu a procura do referido livro, de porta em porta, queria emprestado. Se encontrou, não sabemos. O livro na internet custa aproximadamente quinze reais, como é um livro antigo, no sebo, encontrar-se-á abaixo de dez reais. Um livro por dez reais é barato ou caro? A mesma mãe deu ao filho um celular de mil reais, o garoto não precisou sequer chorar.

Se a geração atual não gosta de ler, a antecedente peregrinou pelo o mesmo caminho. A leitura tem o poder de transformar, de pegar um ser morno e transforma-lo em alguém de destaque no mundo. Precisamos aprender a gostar dos estudos, da leitura. “A sociedade só evolui com livros”.

Na internet estamos criando leitores voadores. Há uma matéria, o título aparece em alguma página nas redes sociais levando abaixo uma foto carregando um link que o direcionará a outro site; o indivíduo lê o título, observa a foto, se for do seu interesse, aperta no link, ao abrir a matéria apenas passa os olhos pelo começo e pelo final, satisfeito procura por outro assusto. As pessoas dizem que não têm tempo, mas o grande tempo perdido rolando a página do Facebook para baixo dura horas, no final, não se encontra quase nada, na maioria trivialidade da vida cotidiana: “levantei agora, estou tomando banho de piscina, que prato delicioso, olhe como estou linda”.

Mudar é difícil e complicado, todos sabemos, continuarmos agarrados aos nossos defeitos é burrice, chega a ser patético repetir tais palavras. Presenteie seu filho com um livro, procure o assunto que mais o interessa. Devemos começar devagar, que seja lida uma única página por dia, logo passará a duas, três, quatro…

Tomara que alguém tenha lido este texto. Interessante ou não, pequeno ou grande, que nasça neste leitor o gosto pela leitura.

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Vendem-se conselhos

mar 13 2015 Published by under Crônica

conselhos

Em uma tabuleta sobre a entrada de uma barraca de feira livre levava o seguinte dizer: “Vendem-se conselhos”. As pessoas passavam e sempre paravam por alguns segundos a meditar sobre a frase. Quem é o doido que deseja vender conselhos? Os transeuntes estacionavam, observavam, mas nunca adentravam. O vendedor paciente esperava pelos clientes sentado em um esteira sobre o chão.

Um senhor ao ler a tabuleta ficou indignado, enfurecido, quis tirar satisfação.

- Onde já se viu vender conselhos! Quem é o engraçadinho? Esse merece uma boa lição.

Adentrou à barraca. Deparou-se com um homem sentado a meditar. Parou por algum tempo, esperava que o homem olhasse para ele, todavia o vendedor continuava na sua posição habitual.

- O senhor é mudo? Não ver que tem uma pessoa dentro do seu estabelecimento.

- A pessoa que aí está é cliente? Deseja ele compra-me alguns conselhos?

- Você é muito engraçadinho! Que negócio é este de vender conselhos?

- Sempre quando eu dava de graça alguns conselhos a alguém, o mesmo virava e me dizia: “Se conselho fosse bom, não se dava, vendia-o”.

- Você é um ladrão safado! Vagabundo!

- Posso lhe dá um conselho?

- Pode?

- Mas custará cem reais.

- Que desgraçado! Eu não vou lhe pagar sequer um centavo pelos seus conselhos. Ladrão, isso sim é o que você é.

- Primeiro conselho: “Se eu fosse você, ficaria quieto”.

- A boca é minha, falo o que bem quiser. Você é um ladrão, safado, vagabundo.

- Segundo conselho: “Trate bem as pessoas”.

- Você merece é cair na porrada, isso sim.

- Terceiro conselho: “Pague a quem deve”.

- Eu não devo a ninguém.

- Claro que deve. Eu lhe vendi três conselhos agora mesmo. O senhor me deve trezentos reais.

- Você só pode está louco. Não vou lhe pagar nada.

- Vai sim, e agora.

- Não vou.

- Então lhe levarei à justiça.

- Não lhe pago nada, pois não comprei nada em sua mão.

- Tudo que passa em minha barraca está sendo filmado. Se você não me pagar o que me deve agora, pagará bem mais perante à justiça. O senhor me chamou de ladrão. Vou lhe processar. Estar tudo gravado. Tenho câmeras instaladas no meu estabelecimento.

O homem gelou de cima para baixo. Por ser honesto, tirou dos bolsos os trezentos reais e jogou sobre o vendedor de conselhos.

- Quarto conselho…

- Não precisa, não precisa, já estou de partida. – deixou o lugar correndo. – Não quero mais conselhos.

- Quarto conselho: “Nunca acredite no que os outros falam de imediato”. Aqui neste lugar não há câmera alguma. Vender conselhos é melhor que dá conselhos.

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