Archive for the 'Crônica' category

Minhas dúvidas, suas dúvidas, nossas dúvidas

dez 16 2016 Published by under Crônica

Não quero escrever minhas certezas, marco o papel com minhas dúvidas. Aquilo que é certo é correto em si e não carece de reboco. O chato do correto é querer que tudo seja certo. A linha reta e constante é tédio puro a ferir os sentidos; correto não é, mas bagunce a linha com subidas, decidas, curvas e depressões e veja a beleza surgir. Com a dúvida tudo muda. Preciso aprender para entendê-la. Quanta atração nos rouba a atenção. Que charme de madame poderosa a encantar com seus magníficos dotes sensuais. A dúvida tem perfume, possui uma pele maleável, há sabores venerados e cores em aquarela sutil. Por isso com minhas dúvidas coloco abaixo todas as certezas ditas certas até então. Sou radicalmente radical quanto à forma e à beleza. Quanto mais torto aos olhos, mais mistério a ser apreciado. Uma certeza jamais suportará o peso cruel e demoníaca de uma dúvida. Se duvida do que digo, pronuncie uma certeza que fervilha lentamente no seu coração, por sinal, sentiu ou não sentiu uma duvidazinha na sua consciência ao tentar apontar tal certeza. Enquanto o homem existir, sua existência será a maior das dúvidas já inventada. Duvidar é preciso sempre para nos manter de pé e disposto a cobrir as dúvidas com papel fino e transparente de certezas. Quem se diz correto, duvida da própria palavra.

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Um pouquinho de Felicidade

dez 07 2016 Published by under Crônica

Felicidade, todo mundo busca, todo mundo almeja, todo mudo quer, mas ninguém sabe como, ninguém conhece o caminho, ninguém nunca a vivenciou. Felicidade é assim, se alguém souber onde ela está, se alguém conhecer o caminho, conte-nos. Pois feliz é todo aquele que sabe o que é infelicidade e a ignora por completo. Se sorrimos ou se choramos, não dá para saber se somos felizes ou infelizes, pois o choro pode ser de alegria, e o sorriso de dor. Como todos perseguem a felicidade com denodo, sempre e eternamente, sabe-se bem pouco dela, alguns lapsos sentimos, logo nos escapam e a busca recomeça. O interessante não é apossar da felicidade, ter ela em uma gaiola como passarinho a nos alegrar a qualquer momento, o interessante é o engajamento de cada um para conseguir as migalhas alucinantes desta doce e inebriante substância que afugenta o tédio vazio da existência ilógica, colocando-nos num patamar racional de interesse por um mundo invisível. Para os que se dizem felizes e vivem inundados numa vida de infelicidade, o sol não deveria lhe incomodar tampouco a noite, bastaria a tolice de suas palavras para perceber o quanto é triste. A fruta da felicidade ao ser comida perde-se o gosto, comendo-se cinco causa enjoou, mais é de uma tristeza a fazer regressar o que o estômago foi obrigado a abraçar. Não se preocupe em ser feliz, sabemos que a felicidade é incompatível com preocupação. Não se preocupe em ser rico. Não se preocupe em ser feio. Não se preocupe em ser pobre. Não se preocupe com nada nesta vida. Se você conseguir não se preocupar, de fato, tiramos nossos chapéus, você é feliz.

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Tudo pelo Capital – Assumindo Riscos

dez 07 2016 Published by under Crônica

O mundo contemporâneo abriu uma nova etapa aos seres humanos, com desafios e oportunidades nunca vistas na história. Estamos em busca de um prumo para que nós possamos nos sustentar com sabedoria e destreza. As transformações já não acontecem à longo prazo, tudo gira tão rápido que nos parece girar à velocidade da luz. A primazia em realizar certo trabalho hoje, poderá não ter valor algum nos próximos dias. A sociedade passou a viver numa fluidez exorbitante. Tentamos apalpar algo e este algo é etéreo como o ar, existe aos olhos, no entanto não é físico. Neste mundo que se vai criando nascem necessidades as mais variadas possíveis. O consumo é o grande baluarte, ter para se sentir realizado. Na brevidade dos recursos terrenos temos a fosca noção de que jamais haverá escassez. A Terra é finita, finita são seus elementos constitutivos, finito também o é a vida que nela goza o prazer de existir. Nesta luta desembestada por angariar coisas, o homem se perde no embaraço das conquistas urgentes, esquecendo-se do próprio futuro, ou do vindouro dos filhos e dos netos. Para poder se impor à realidade da moda atual, ele se deixa acorrentar por práticas estranhas à ética, não medindo as consequências dos seus impensados atos. Não podemos julgar para não sermos julgados. Que cada um julgue seus próprios delitos, para isso recebemos da Criação a consciência. Buscar a eficiência jamais poderá implicar riscos anormais a seres postos a outros indivíduos. Se não podemos julgar a atitude de outrem, que outrem respeitem as normas de segurança para que não afetem a nós. A vida é um fio singular que pode se romper com o mais leve rufar do vento. Respeitando as normas sociais vigentes, sem ferir os códigos para conquistar vantagens indevidas, trata-se de um dos pontos centrais para uma convivência salutar entre os povos. Um erro no comando de uma tripulação poderá ocasionar uma gigantesca tragédia em proporção aos de filmes de ficção. Assumir um erro por mero capricho de provir a situação do bolso, levando um grupo a berlinda da sorte, se não é passível de julgamento, é de uma irresponsabilidade gritante. Que cada ser procure sempre não expor outros na sua fantasia por dinheiro e poder. Como o mundo não é perfeito, como somos propícios aos mais variados tipos de erros, realizar o que manda as regras do formulário é salvar a consciência de ser um perverso e exigente juiz.

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Sobre a Vida

nov 30 2016 Published by under Crônica

A vida por si só não se explica tampouco se define em si mesma. Pelos séculos passaram os homens garimpando no delírio da mente pontos que pudessem esclarecer tal essência. De tanto tentar, por tanto insistir, caminhos lógicos foram apresentados aos transeuntes deste mar obscuro, nebuloso e irracional. O certo é que tudo que criamos nos serve apenas como ponto basilar da nossa eterna agonia perante o invisível do desaparecimento precoce. Continuamos a navegar em meio ao caos de um mundo infinito e desconhecido. Criamos deuses para amenizar as dores de uma solidão existencial. Muitas coisas que vivenciamos podem não se confirmar empiricamente; são necessárias, porém, ao equilíbrio saudável da nossa adolescente sociedade. O que é em poucos minutos se transforma para bem ou para mal. Um segundo jamais será igual ao segundo seguinte. Os fatos se resolvem em lapso de tempo tão curto que sequer os percebemos. Sorrindo uma gostosa e prazerosa alegria não nos habilita pensarmos que o singelo sentimento se perpetuará por toda a nossa trajetória. Há fatores que não cabem a nós o controle total, ocasiões que somos meros passageiros de uma embarcação governada pelas forças naturais do tempo e do espaço. No embaraço das emoções do aparente fim, sobram-nos os mais doloridos sentimentos. Para muitos a dor cruel de conviver num estado asfixiante de puro e denso desespero faz da vida um caminho de espinhos à espera do ponto final. O vento continua em sua rota contínua de soprar o presente ao presente seguinte ignorando o passado, sem se preocupar com o futuro. Tombados vão sendo engolidos e cuspidos a um canto, sendo apenas lembrados por seus queridos de caminhada. E assim a vida corre neste trilho de nascimento e morte. A flor bonita e perfumada que se abre em uma manhã de sol, após uma salutar chuva, murcha e feia tomba para sempre nas esferas do desconhecido. Nossa maior revolta é não compreender as nuances deste mundo misterioso em que nos colocamos a passear. O que acalenta nosso aflito coração é os instantes de união entre amigos e familiares, faz-nos afugentar as ideias reais do universo para vivermos momentos saldáveis em um estado de aparente fantasia.

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Homenagem aos Mortos – Dia dos Finados

nov 02 2016 Published by under Crônica, Vídeos

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Homenagem aos mortos – Dia dos Finados

Um dia em homenagem à recordação. Momento para reverenciar todos aqueles que já passaram deste plano para o andar de cima. Quanto mistério há entre a vida e a morte. Quanta especulação existe quanto ao ser nascente. De onde vim? Para onde vou? Duas extremidades onde no meio percorreu um feixe de luz. A vida é assim, do nada brota, quando menos se espera murcha. Uma existência recheada de acontecimentos. Ao abrir os olhos, uma família aguarda o viajante estrelar. A amizade prospera e cresce, cresce também o amor que fará germinar novas sementes. Um elo que há muito tempo começou e que tende a se perpetuar. Em algum ponto do caminho, por algum motivo anormal, um raio separa alguém do seu meio. Para muitos, o momento mais doloroso é quando se apaga a luz, é quando se quebra um laço, é quando os pés não encontram mais o chão para se apoiarem. Cabe aos vivos sepultarem os mortos. Cabe aos vivos a dor da partida. Aqueles que se foram e que quando em vida fizeram crescer sentimentos nobres entre parentes e amigos gozam do afeto e do carinho. Levar uma flor ao túmulo, levar as lágrimas pelos bons tempos passados juntos, levar uma oração, são pétalas de reconhecimento e amor. Os dias passam e tudo e todos cavalgarão essa estranha estrada. Para muitos, a vida é o que se prospera; para muitos, a morte é a sequência da vida em outro espaço. Acreditar ou não em vida após a morte, o certo é que todos temos saudades, todos recordamos de ocasiões felizes, todos desejamos rever, que seja em sonhos, aqueles que marcaram positivamente nossas vidas. A dor do instante trágico com o tempo minimiza se tornando um afeto carinhoso de amor. Parar um pouco, olhar para o céu, visitar o cemitério, conversar com o além, faz-nos transportar, quebrar, este espaço, esta parede, que há entre o que ainda vive em carne e o que descansa ao lado do Criador. Só tenho a pedir a Deus que ilumine os vivos, que fertilize os corações humanos com energias salutares para o enfrentamento das atribulações do dia a dia. Só tenho a pedir a Deus que ilumine os que deixaram este mundo para ir gozar da paz do céu. Se não for pedir muito, cubra-nos com luz e amor. Obrigado por tudo, Senhor.

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A Importância da Leitura – Meu Amigo O Livro

ago 10 2016 Published by under Crônica, Vídeos

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Lição para a vida

Quando lhe encontrei, coisa estranha, linhas e mais linhas, letras aos milhares, uma porção de páginas. Quando lhe encontrei, não foi amor à primeira vista, obrigação, sim, a mim imposta. Quando lhe encontrei, como quis fazer uso do fogo, ou de um lago profundo e escuro. Quando lhe encontrei, uma tempestade, o fogo do Sol a me queimar, corda para amansar o instinto deste burro bravo e ignorante.

Comecei a percorrer minha estrada solitária, sem gosto, sem prazer, executava uma obrigação, era ao meu espírito um calvário cruel. De início, confesso-lhe que foi complicado, arranhava, pulava, não entendia, voltava, tentava seguir, a cabeça, literalmente, fervia, latejava e doía. Como tinha uma tarefa a realizar, como gosto de cumprir com o dever, prosseguia, vacilante, com minha pesada cruz incrustada na mente em desalinho.

Da aspereza dos polos, aos poucos não é que brotou um sentimento nobre, a revolta se converteu em amizade, com o tempo se transformou no mais puro e singelo amor. Amava aquele objeto, queria tê-lo constantemente, apaixonado ia para cama e acordava ao lado dele, união das duas partes em um todo. O costume moldou-se um novo hábito. Inimigos mortais no passado próximo, tornamo-nos amigos fiéis. Eu sempre ouvidos, ele sempre com palavras a me orientar.

Hoje perco tempo contemplando meu sucesso. O que seria de mim na sua falta? Como esse amor me fez mudar, não direi da água ao vinho, mas da lama à suavidade da chuva. O frescor da água, a limpidez, o cheiro sem cheiro, a cor sem cor, algo inexplicável, algo incomparável. Cresci e agradeço ao meu Professor, vários Professores, cada um à sua maneira, com o seu jeito particular de nos ensinar, de nos propor soluções até então estranhas a nós.

Falo dos milhares de professores mudos que vagam pela Terra, muitos perdidos nas estantes, prateleiras, malas, bolsos, livrarias, bibliotecas… O que dizer do poder impactante do Livro. Que sabedoria. Mudo por natureza, pronto a ensinar quem seus códigos conseguem decodificar. As carreirinhas de palavras a formarem enunciados, a dizer o que não conhecemos e o que já nos foi dito de uma nova maneira.

O gosto pela leitura se inicia quase sempre por imposição ou necessidade, com o tempo o dever passa a familiaridade de um ente querido, com mais idade vira obsessão, um amor eterno. Feliz do ancião que traz na amizade do dia a dia a companhia salutar dos livros.

Amar os Livros, para obter a sabedoria.

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Escravos modernos

jan 06 2016 Published by under Crônica

Quanta luta empenhada na libertação dos escravos, foram tempos difíceis, mas necessários para a evolução do amor e da boa convivência na sociedade. Nos atuais dias, neste capitalismo desenfreado, desembestado e malogrado paira sobre os indivíduos uma neblina que embriaga os sentidos. Somos escravos modernos, escravos satisfeitos com a servidão imposta pelo sistema vigente. Somos servos cativos sem ao menos nos darmos conta do tamanho das correntes que nos enrolam e nos aprisionam.

O escravo moderno levanta cedo, trabalha feito um condenado, troca o feriado por bonificação, vende as férias. O escravo moderno rouba, furta, usa de artimanhas para se dá bem. Tudo que um bom escravo moderno deseja é possuir em demasia. Um automóvel é pouco, dois é pouco, dez é pouco, tudo é pouco para a ganância de um ser que acha que possuir o colocará no topo social. Quero uma mansão, quero um apartamento, quero uma casa na praia, quero sempre mais. O escravo moderno dará a própria vida para adquirir os supérfluos. Carrega no braço o relógio de marca, no pescoço corrente de ouro, um óculos da moda, roupa dos ídolos bolas de soprar. O Escravo precisa angariar aquilo que nunca irá usufruir, pois todos nós temos limites, somos limitados.

Os tempos da tecnologia criaram seres dependentes por novidades. Cada lançamento um alvoroço, um corre-corre, filas gigantescas. Somos ou não somos escravos modernos? Faremos de tudo pelo celular de última geração, de tudo mesmo, muitos venderão a própria alma. Transformamo-nos em escravos dos bens materiais. A TV nos governa, o carro nos cobra acessórios fúteis, a sociedade nos obriga a estar onde o gasto é o primeiro requisito. Precisamos ostentar para satisfazer nosso ego de escravo obediente. O que possuímos vale mais do que nós mesmos. As atenções, os holofotes, são todos para o fascínio daquilo que o dinheiro pôde comprar. O si se perdeu no lamaçal dando holofotes apenas as preciosidades frívolas do material.

As pessoas desatentas, cegas pelas regras do capital, não conseguem visualizar o princípio basilar do sistema que nos oprime. Este sistema deseja que a sociedade toda consuma muito, que todos tenham muitas propriedades, que todos paguem bastante impostos. O escravo além de fazer as engrenagem do capitalismo girar com a força dos braços, ainda mantém com o seu suor a máquina governamental. Se tenho três veículos, três IPVAs deverei pagar ao ano; se tenho quatro casas de luxo, quatro IPTUs sou obrigado a quitar no decorrer de doze meses. Neste jogo de gato e rato, quanto menos patrimônio tiver, menos dor de cabeça terá para mantê-lo. O escravo moderno não trabalha para satisfazer as suas necessidades, labuta apenas para sustentar o mundo fantasioso que o obrigaram a dá vida.

Vale a pena lembra-se da famosa cena da caverna relatada por Platão em um dos seus clássicos livros filosóficos. Acostumamos a ver apenas aquilo que os sentidos apontam, esquecemo-nos de inquirir a razão. A vários fatos que nos levam a crer que para uma vida menos atribulada é preciso que cada um corrija seus extremos se posicionando na mediana das vontades e das necessidades. Fujamos dos vícios e da preguiça. O valor maior da obra somos nós mesmos, o restante só possui valor porque existimos, sem a nossa presença, a matéria perde todo o seu poder de fascinação.

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Morte e Vida

dez 10 2015 Published by under Crônica, Vídeos

Cachorro e Urubus

Assista ao vídeo Morte e Vida:

Morte e Vida.

Pobre ser que agora dorme eternamente na escuridão do tempo. Ainda há pouco, corria por estes campos fagueiro a latir um e outro transeunte que por aqui perambulavam. Tombou na curva inexplicável dos que tiveram a oportunidade de gozar da vida. Um automóvel em alta velocidade colidiu com o animal, uma pancada seca e mortal, caiu gemendo e uivando. O uivo pouco a pouco foi se extinguindo, devagarzinho. Agonizava esquecido em um canto de estrada a sua dor terminal. De repente, um calafrio forte, os olhos turvaram, o vazio tomou todo o corpo, o mundo apagou-se para sempre. Pronto! Estava tudo acabado. Um ponto final na vida do cão. Será? Seus lindos olhos continuavam a contemplar o infinito, mas já não tinham brilho para visualizar os acontecimentos, estavam mortos. O dia se passou rapidamente. No amanhecer seguinte, urubus faziam giros pelo céu, o cheiro da morte os convidava para um banquete. Um a um foram descendo, em poucos minutos eram dezenas deles a admirarem o cardápio. Eles não viam ali um cachorro morto, enxergavam um deliciosos aperitivo. A primeira ave que se aproximou, chegou pulando, airosa, faminta, gulosa… Os dois olhos do defunto eram como duas uvas sobre o churrasco. Uma bicada forte retirou um dos olhos, outra bicada arrancou o outro. Em pouco tempo a urubuzada caiu em cima em golpes de bico. A vida devorando a morte para continuar viva. Olhando para o cão, morto, desolado, sem forças para reagir, gritei: “Levante daí! Cadê o seu latido raivoso? Cadê toda a sua coragem? Lute! Espante esses seres que estão sobre você”. O cão submisso à força primordial sedia seu corpo. Morto já não sentia mais os efeitos da vida. Seria devorado por completo cumprindo os pareceres naturais da existência. Mesmo morto a sua história ainda continuou um pouco mais, pois se misturou com a saga das aves carniceiras.

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Um Brasil que queremos

dez 02 2015 Published by under Crônica

Queiramos um Brasil forte, virtuoso, digno, amoroso e repleto de paz. Por que persistirmos tanto com os erros? Para que tamanha ganância? Precisamos voltar a sonhar, precisamos fazer germinar o orgulho salutar de um povo altaneiro e brilhante. Quebremos nossos grilhões! Somos um povo castigado pelas próprias imperfeições. Erga, Gigante adormecido! Lutemos por novos ideais. Busquemos com afinco uma fonte límpida para tomarmos da pura água, para que nos purifiquemos desta sujeira que nos cobre todo o corpo. Passamos por momentos tristes, falta-nos ídolos, falta-nos referências, falta-nos virtude… A luz do levantar se encontra nas mãos de cada integrante desta benfazeja e amada Nação. Se todos somarmos energia, se todos darmos as mãos em busca de um propósito, sem dúvida alguma, com toda certeza, conseguiremos a aréola das magistrais estrelas. O caminho é um só, a luz. Queiramos sair desta escuridão em que nos encontramos. Todas as estradas possuem suas intempéries, obstáculos vários, mas todo andarilho carrega em si a missão de vencer sua trajetória até atracar em terra abençoada. As fadigas do nosso dia a dia são frutos da nossa índole preguiçosa, dos nossos pensamentos equivocados de vida, dos nossos sonhos irrealizados ou frustrados. A Pátria chora ferida pelos dardos que sua ilustre população não cansa de atirar. Queiramos bem a nossa Mãe, não sejamos filhos ingratos. Um País justo só será possível com pessoas justas. O horizonte é belo, as benesses que lá nos esperam são doces, não interrompemos a marcha. Avante, Povo guerreiro, que não idolatra os conflitos, que trabalha no simples objetivo de gozar de um pouco de felicidade. O que pretendemos deixar para os nosso filhos e netos? O que adiantará ter dinheiro e não possuir um lar saudável? A Natureza roga por carinho. Paremos um pouco e reflitamos sobre nossos cruéis atos. A felicidade não se encontra nos produtos mundanos, ela vem envolvida pelo sentimento de amor, de carinho e amizade. Busquemos, sim, a felicidade; com a sua companhia poderemos tudo, teremos tudo. Queiramos, amigo, queiramos um Brasil mais justo e melhor.

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Vídeo da magia da flores

nov 25 2015 Published by under Crônica, Poemas, Vídeos

Cebolinha-de-sapo

Fenômenos naturais estão por todas as partes do mundo estrelar, do simples ovo, aos olhos de quem já se acostumou, ao pinto que apareceu como mágica dentro do estranho objeto. O Sertão aguarda há meses pelas nuvens escuras e pesadas, o sol castiga o solo e as plantas, a naturalidade do ambiente segue seu curso rio sem alarde. Certo entardecer, uma ventania varre a vegetação, o céu limpo se enche de nuvens. O espetáculo vai começar. Todos em seus lugares. O relâmpago clareia o céu, o trovão ronca no alto da serra. O cheiro dos primeiros pingos na terra seca se eleva e corre pelos quatro cantos. Que aroma delicioso, doce, salutar. O barulho da chuva andando, não, correndo a me encontrar faz gelar-me o sensível coração. Os pingos d’águas tocam o chão quente e áspero erguendo poeira, parecem a pegadas de uma tropa de cavalos em disparada. O aguaceiro chega, toma tudo, engole os padecimentos, restitui a vida aos seres. A cartola se abre, dois, três dias e uma ebulição. O mato em galhos descobertos cobre-se de folhas, o capim volta a crescer, os passarinhos cantam felizes, a cigarrinha solta seu agudo hipnotizador. Em alguns lugares, a relva se faz baixa, o lírio do campo em um estalar de dedos forra o ambiente, seu perfume adocicado vaga gostoso pelo ar molhado da evaporação. Quanta beleza nessas florzinhas. O vento de tempo em tempo as agita, bailam em um balé sincronizado. O garoto ao ver tamanha fartura corre e se põe a colher, como vai à escola, na mão leva um lindo buquê branco para a professora. As flores das cebolinhas seguem felizes nas mãos da criança, por onde passa distribui o suave aroma. Como em um sonho de contos de fadas, como as orquídeas, no outro dia já cedo, o campo, outrora esbranquiçado, acorda deprimido, as florzinhas se foram, desapareceram da mesma forma que haviam chegado. O garoto retorna trazendo consigo alguns colegas, triste e sem entender vai à escola sem o ramo de flores. O enredo seguirá até o próximo ano, até a próxima chuva da temporada seguinte. Quem viu as florzinhas da cebolinha-de-sapo viu, quem não as viu ao vivo e a cores somente no próximo ano. Desde criança, todos os anos, após a primeira chuva, corro para o campo para apreciar tais flores e sentir o seu perfume singular, já não as levo mais para presentear minha professora, já não tenho obrigação mais de estar em salda de aula, deixo-as na Natureza, que é a maior e mais sábia de todas as educadoras que já existiu.

Assista ao vídeo dos Lírios do Sertão, ou Cebolinha-de-sapo:

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