Archive for the 'Crônica' category

Somos Forçados a Fazer Parte do Jogo

mar 12 2019 Published by under Crônica

Um estranho fato me roubou a atenção. De repente, ele se petrificou perante meus olhos. Chegou como uma explosão de bomba atômica, sem esperar. Aquilo ao me atingir, despertou-me uma vontade de explorar suas entranhas para tecer algumas considerações. Um pensamento estranho para o estado moderno em que nos encontramos, todavia fruto deste meio de transição de gerações. Talvez estas palavras que as escutei, outras pessoas também as escutaram ou virão a se deparar com elas no decorrer dos próximos dias, meses ou até anos.

Um rapaz, graduado em nível superior, dotado de suas faculdades mentais, disse-me que as redes sociais, que os sites de internet, que as funções do celular, que não seja a de ligação, para ele são tudo banalidades que dispensam interesse. A frase dita por ele não foi nestes termos, mas o conceito é o expresso. Sem falar na revolta e no nervosismo dele a tentar impor suas arcaicas ideias. O tempo passou e ele continua agarrado nos aprendizados do seu pretérito.

Já não cabe mais a nós querer ou não querer certas situações que o mundo nos obriga a realizar para termos capacidade para participar do presente atual se preparando para o futuro que já está à porta. Ignorar a tecnologia é o mesmo que tentar se flagelar regredindo a épocas passadas. O mundo é tal como se apresenta neste momento. Ao homem, cabe se aperfeiçoar, cabe a nós capacitar nosso corpo para as novas conjunturas, instruir a mente em torno de novos conceitos. O homem por ter a inteligência como patrimônio maior, deve, por obrigação natural, enriquecer os seus neurônios com conhecimentos variados e atuais.

Neste instante de turbulências várias, neste ponto de ruptura tecnológica, muitas pessoas, apavoradas, relutam em buscar capacitação e desejam com afinco permanecer no seu mundo feliz, na sua zona de conforto. O novo chega com muita força, obriga a lentidão a se retirar, faz-se a energia central do pêndulo que sustenta a sociedade. Atributos que eram tidos vitais desaparecem em um piscar de olhos. Empregos, profissões nascem com velocidade da luz, enquanto outros desaparecem como em toque de mágica. No meio de tudo isso estamos nós, somos ingredientes desta formidável sopa.

Tentei mostrar ao rapaz a verdade do nosso mundo. Mudar é preciso. Aquele que tentar brecar este impulso catapultado no decorrer da história será destroçado por esta força propulsora que absorve os que interagem e destrói as anomalias do sistema. É questão simples, ou participa do jogo e tenta obter lucro com as regras, ou será eliminado da vida social. O rapaz atordoado com minhas explicações, viu-se acuado, chamou-me de pessimista e arrogante. Neste mundo, dá conselho não é fácil, melhor vendê-los; mas será se há gente interessada em comprá-los?

A evolução tecnológica vem nos últimos anos ganhando velocidade de velocista. Se antes passeávamos a contemplar as modificações de décadas em décadas, agora o caldo muda de sabor dia a dia, uma verdadeira loucura. Você dorme empregado e acorda procurando por emprego. O que fazer para caminhar com os passos da evolução? Primeiro aprender a dominar o novo, depois ter uma posição firme em detectar abalos no terreno em que está instalado. A pessoa satisfeita com o pouco que sabe é a mais vulnerável em se perder. Nunca na história humana fomos exigidos mentalmente como neste século vinte e um.

O rapaz da conversa, por obrigação de seu emprego, se viu obrigado a adequar suas rotinas com aparelhos que executam procedimentos indiferentes as aptidões humanas. Sem notar, o indivíduo vai aos poucos penetrando na nova realidade, mesmo os mais ferrenhos opositores. A vida moderna é como uma máquina em pleno funcionamento, cada um de nós é uma peça da engrenagem maior. Se falharmos, de imediato, somos substituídos.

Luiz Carlos Marques Cardoso. 06/03/2019

Comments are off for this post

Cultura Popular do Brasil

mar 07 2019 Published by under Crônica

Qual a verdadeira cultura popular do Brasil? Será se temos uma cultura genuinamente brasileira? O que quer dizer cultura popular?

Três indagações pertinentes sobre o tema. Nosso país tem pouco mais de quinhentos anos do descobrimento. Todavia, bem antes aqui já viviam os índios. Para muitos, o Brasil começou em 22 de abril de 1500. Podemos passar uma borracha em tudo o que nesta terra floresceu antes? Dividir, ou começar nossa história com a descoberta da pátria amada chega a ser infantilidade de um povo que se julga superior. Superioridade que se perde nos dados, nas condutas, na mania de copiar. Por que é tão difícil sermos nós mesmos? Deixamos de ser uma estrela a emitir luz, e agarramos com unhas e dentes nas ideologias de outros povos. Somos ou não somos capaz de criar?

O brasileiro é fruto de uma mistura pulsante de raças. Quando Cabral aqui atracou com as suas caravelas, encontrou as várias tribos indígenas. Com a colonização dos portugueses tão logo chegaram os negros vindo do continente africano. Branco, negro e índio passaram a conviver e dividir o mesmo espaço. Nasceram os mulatos, mamelucos e cafuzos. O Brasil virou um celeiro da mais pura miscigenação. No decorrer dos anos foram chegando holandeses e japoneses. Cada indivíduo trouxe consigo algo da sua terra natal. As lembranças da infância, as músicas, as festas, as vestimentas e seus costumes corriqueiros. O Brasil sendo um país enorme foi moldando cada região com características distintas e nas muitas das vezes antagônicas umas das outras. A influência estrangeira foi se enraizando lentamente pelos quatro cantos.

Passamos a copiar e assim seguimos até nos atuais dias. O Brasil poderia ser diferente? Sim, poderia, contudo somos o que escolhemos ser, somos hoje os frutos das árvores que se plantaram e cuidaram no pretérito. Poderíamos gozar neste momento de melhor condição em várias áreas. No entanto, poderíamos também está em pior situação.

A cultura popular é a face da cultura nacional. Somos nossas manifestações, nossos desejos, nossos sonhos, nossa música, nossa arte… Remova tudo isso, e o que teremos é apenas o vazio. A vida humana em sociedade não se pauta apenas no trabalho, trabalho apenas existe pelo simples fato de haver as necessidades básicas. A vida é bem mais complexa. Na falta da cultura popular, sobrariam aos seres humanos a loucura, a debilidade total, a insanidade de uma vida sem razão. Quanto mais ricos formos em cultura popular, maior será nossa felicidade, razão pela qual vivemos. Os nossos sentidos precisam de estímulos para produzirem conhecimento, esta energia vem por meio do envolvimento e do engajamento social. Não nascemos para sermos máquinas, criamos as máquinas para que sobre tempo para o ócio criativo.

Gabamos por temos muitos recursos naturais, esquecemo-nos de sermos grandes a ponto de orgulhamos dos nossos feitos. Louvamos o que recebemos de graça, entretanto pouco contribuímos para a evolução das coisas. O que aconteceu que nos fez acomodados? O que este gigantesco País contribuiu para a humanidade geral? O que ele poderá contribuir nos próximos anos? Quem somos nós? Nem nós mesmo sabemos quem nós somos. Não sabemos o que queremos. Caminhamos sem direção rumo a qualquer lugar. E agora? Vamos continuar a remar rio abaixo deixando o fluxo da água nos levar? Ou vamos nos rebelar e enfrentar a forte correnteza em busca da beleza da nascente no topo da grande serra?

Já não temos mais gênios, os de destaques são tão rasos que o simples toque do vento os remove ao esquecimento imediato. A cultura popular verdadeira vence o tempo e os seus idealizadores. Vejamos a capoeira e o forró, ainda fortes e latentes no gosto da maioria. Por mais que a mídia tente impor à sociedade o conceito de uma minoria alucinada, a sociedade curte o novo, enjoa e retorna ao verdadeiramente belo e atraente. As músicas são tão banais que vira o ano e tudo já retornou ao balde de lixo. Os livros que lemos hoje são os mesmos que foram lidos por nossos antepassados. Os filmes são meras copias aprimoradas daquilo que foram sucesso. Muitos batem no peito e dizem: “Somos modernos! Fazemos parte da modernidade!”. Com tudo que temos em mãos, e o pouco que produzimos de valor real, somos meras crianças enganadas com o sabor doce de um pirulito oferecido pelo pai para paramos de chorar.

Demorei para acordar. Não sei se tenho tempo de recuperar meu tempo perdido. Uma coisa eu sei: “Vou seguir tentando até o último segundo de vida”. Que Deus me dê força e discernimento para escolher os atalhos corretos. Aonde irei chegar, não sei, se soubesse, talvez perderia o sabor de tentar.

Luiz Carlos Marques Cardoso.

09/02/2019

Comments are off for this post

A vida está difícil

fev 07 2019 Published by under Crônica

A vida está difícil

A vida está difícil. Realmente, para algumas vítimas da própria natureza, sim, sempre haverá seres nesta complicada situação. No geral, falando-se de Brasil, a vida é bem mais bela e prazerosa que no passado distante. Neste momento, nosso país passa por mais uma crise, algo que nos coloca na defensiva. Mesmo assim, ainda assim, as flores do presente são bem mais perfumadas que as do passado. Perambular nos documentários da história nos leva a períodos de intensa treva humana. Tempo de carnificina total. Doenças, hoje controladas com remédios, matavam milhares de pessoas. Guerras com os seus poderio de massacre tiravam dos seres até a esperança de ter um futuro. A loucura dos grandes ditadores. Pais vendo a morte dos filhos, filhos assistindo o fuzilamento dos pais. Nazismo, Fascismo, Comunismo a fazerem belas metrópoles se reduzirem a pó. A fome ocasionada pela crueldade dos governantes a dizimar populações inteiras. Hoje, mesmo com todos os seus problemas, ainda assim é bem melhor. Falamos do Brasil e de boa parte dos países da Terra, pois há locais que parecem ter parado no tempo, que o caos pulsa diariamente. A liberdade que dispomos hoje, no pretérito nem sempre foi possível. Comemos razoavelmente bem. Temos lazer. Curtimos domingos e feriados. Uns com condições melhores que outros, normal dentro do capitalismo. E ainda assim, perdemos nosso precioso tempo em nos queixarmos. Mesmo possuidores de requisitos que têm o poder de nos fazer feliz, mesmo com vasta soma de recursos financeiros, deixamos nos abater e perder o foco de uma vida regrada de paz. Outrora sonhávamos em ter o que temos hoje, padecíamos pelas agruras da terrível época; neste momento vivemos atordoados com os sonhos realizados, porém perdemos a capacidade de sonhar. Talvez a diferença de ser feliz ou infeliz esteja no simples fato de querer e poder sonhar, idealizar algo. A fantasia de um futuro diferente faz do presente mais doce e farto de possibilidades. A vida está melhor. Para os que têm tudo e acham que a vida está difícil, pare um instante, deixem a mente viajar, sonhem, isso lhes fará bem, muito bem.

Luiz Carlos Marques Cardoso.

05/02/2019

Comments are off for this post

Monólogo de um acusado de furto

dez 16 2016 Published by under Crônica

Por um momento, pensei que estava sonhando. Mas, agora, diante deste tribunal, vejo o quanto a realidade me apresenta como um funesto pesadelo. Estou neste lugar, acusado de cometer um furto. Para que tantos profissionais, apenas, para julgar um insignificante sujeito que por força da situação se viu obrigado a buli no que não lhe pertence. Do que me acusam, sei da minha culpabilidade, contudo não sou tudo isso que estão a dizer do meu ser. O promotor disse em suas palavras cruéis que um furto se caracteriza pelo ato simples de furtar, que a pena é a mesma para quem furta um milhão ou apenas um centavo. Pois quem furta uma quantia possui determinação e força para surrupiar a outra quantia maior? Aqui, ninguém pensa em usar uma medida a cada caso. São os senhores severos demais com este pobre cidadão. Aquele que levantou queixa contra mim, um senhor rico, de muitos dotes, poderoso e influente. Logo, vejo sentado em confortáveis poltronas senhores advogados contratados por ele, profissionais que estão a desenvolver seu santo ofício por um bom numerário em dinheiro. Quanto cada advogado desses ganha por dia? O que custa um frango, meus senhores? Um simples frango caipira? Se adentrei na fazenda dele e furtei um frango foi por uma boa causa. Naquele lugar havia milhares de frangos, só precisava de um, só levei um. Todavia fui filmado e neste momento me vejo preste a ser condenado a quatro anos de prisão, ou mais. Minha esposa e meu filho estavam famintos. Os senhores sabem a dor que é passar fome? Não, não, os senhores nem de longe conhecem ou viram a fome nos olhos. Eu a vi e a sentir na alma. É meus senhores, na alma. Pois ela após devorar as forças físicas, passa a consumir o espírito. Quanto a mim, morrer de fome seria até um alento. No entanto, padecer observando, de mãos atadas, minha família em lágrimas se derreter por falta de alimento, pesado demais para um bom pai e para um bom esposo. Furtei o frango e se for necessário novamente, novamente furtarei outro e outro e se possível todos os frangos que existem na face da Terra. Com o meu ato, o único crime que cometi, mas que não é crime nas esferas jurídicas da nossa Constituição, foi ter o desprazer de tirar a vida do frango. Quanto custa um frango, volto a indagar-lhes? Quanto custa um dia de trabalhos dos senhores? São muitos fogos para um zunido de uma mosca. Gostaria de trabalhar. Não sou preguiçoso, tenho ócio o dia todo, isso sei. Não porque desejo, e sim por não conseguir desta sociedade uma chance, uma corda para que eu possa segurar e transpor este rio caudaloso e frio. O Estado me ignora, as pessoas me ignoram, já a Justiça, com seus olhos de águia faminta, me persegue e me caça. Elevem seus olhos as esferas superiores, ou ao seu redor, ou até em vocês mesmos. Quantas autoridades que furtaram milhões sequer são chamadas a depor, vivem uma vida regadas a luxo e a mordomias, que insistem em pôr uma venda nos olhos da Justiça. Escolheram-me como bode expiatório. Alguém precisa pagar algo neste País. Por que não o ladrão de galinhas? Pura disparidade de um Estado falido de princípios e de moral. A ética do bolo é repartir as gostosas fatias entre os privilegiados do sistema. Para um degredado, para mim, melhor o conforto da prisão ao abandono e à indiferença da liberdade. Na cadeia, pelo menos tenho o que comer, ruim ou bom, em certos horários receberei minha ração; no mundo, não sou nada, não presto para nada, ninguém me enxerga. Meu medo é o meu receio. Condenando-me estarão condenando o meu filho e a minha esposa. Se sou ladrão para a justiça, o que será um filho de ladrão sem um pai no amanhã sem luz? A culpa da minha desgraça é a culpa dos senhores. Todos são culpados por meu crime. Se roubei foi pelo determinismo social que me arrastou feito a um rio bravo montanha abaixo. Meu pai não me criou para ser ladrão, fui criado para ser um cidadão de bem. A droga da divisão mal feita dos recursos da sociedade me obrigou ao resultado da ação. Enquanto os senhores têm muito e de sobra; nós outros não temos nada; pior, perdemos nossa honra para salvar o dia negro que nos devora em vida. Não estou a pedir esmolas, quero apenas que nos deem condição para que possamos ser pessoas íntegras. Como sei que em rio calmo não há revolução; ricos se acomodam nas suas banalidades de uma vida prazerosa; sei também que rio em início de jornada é bravo a ponto de abrir seu próprio caminho, rasgando montes, desbravando florestas; é da pobreza que germina a revolução dos tempos. O grito quem dá é o pobre. Rico murmura banalidades ao pé do ouvido. Se lancei mão de advogado, faço pelo simples fato de não carecer esconder meus erros por trás de leis. Quem necessita de advogado é a pessoa que errou e que deseja safar do barco furado. Furtei o frango, furtei, não nego. Os motivos já expressei. Quanto a minha pessoa e as pessoas do meu filho e da minha esposa estamos nas mãos dos senhores. Façam valer a lei e me promulgue já o veredito.

Comments are off for this post

Minhas dúvidas, suas dúvidas, nossas dúvidas

dez 16 2016 Published by under Crônica

Não quero escrever minhas certezas, marco o papel com minhas dúvidas. Aquilo que é certo é correto em si e não carece de reboco. O chato do correto é querer que tudo seja certo. A linha reta e constante é tédio puro a ferir os sentidos; correto não é, mas bagunce a linha com subidas, decidas, curvas e depressões e veja a beleza surgir. Com a dúvida tudo muda. Preciso aprender para entendê-la. Quanta atração nos rouba a atenção. Que charme de madame poderosa a encantar com seus magníficos dotes sensuais. A dúvida tem perfume, possui uma pele maleável, há sabores venerados e cores em aquarela sutil. Por isso com minhas dúvidas coloco abaixo todas as certezas ditas certas até então. Sou radicalmente radical quanto à forma e à beleza. Quanto mais torto aos olhos, mais mistério a ser apreciado. Uma certeza jamais suportará o peso cruel e demoníaca de uma dúvida. Se duvida do que digo, pronuncie uma certeza que fervilha lentamente no seu coração, por sinal, sentiu ou não sentiu uma duvidazinha na sua consciência ao tentar apontar tal certeza. Enquanto o homem existir, sua existência será a maior das dúvidas já inventada. Duvidar é preciso sempre para nos manter de pé e disposto a cobrir as dúvidas com papel fino e transparente de certezas. Quem se diz correto, duvida da própria palavra.

Comments are off for this post

Um pouquinho de Felicidade

dez 07 2016 Published by under Crônica

Felicidade, todo mundo busca, todo mundo almeja, todo mudo quer, mas ninguém sabe como, ninguém conhece o caminho, ninguém nunca a vivenciou. Felicidade é assim, se alguém souber onde ela está, se alguém conhecer o caminho, conte-nos. Pois feliz é todo aquele que sabe o que é infelicidade e a ignora por completo. Se sorrimos ou se choramos, não dá para saber se somos felizes ou infelizes, pois o choro pode ser de alegria, e o sorriso de dor. Como todos perseguem a felicidade com denodo, sempre e eternamente, sabe-se bem pouco dela, alguns lapsos sentimos, logo nos escapam e a busca recomeça. O interessante não é apossar da felicidade, ter ela em uma gaiola como passarinho a nos alegrar a qualquer momento, o interessante é o engajamento de cada um para conseguir as migalhas alucinantes desta doce e inebriante substância que afugenta o tédio vazio da existência ilógica, colocando-nos num patamar racional de interesse por um mundo invisível. Para os que se dizem felizes e vivem inundados numa vida de infelicidade, o sol não deveria lhe incomodar tampouco a noite, bastaria a tolice de suas palavras para perceber o quanto é triste. A fruta da felicidade ao ser comida perde-se o gosto, comendo-se cinco causa enjoou, mais é de uma tristeza a fazer regressar o que o estômago foi obrigado a abraçar. Não se preocupe em ser feliz, sabemos que a felicidade é incompatível com preocupação. Não se preocupe em ser rico. Não se preocupe em ser feio. Não se preocupe em ser pobre. Não se preocupe com nada nesta vida. Se você conseguir não se preocupar, de fato, tiramos nossos chapéus, você é feliz.

Comments are off for this post

Tudo pelo Capital – Assumindo Riscos

dez 07 2016 Published by under Crônica

O mundo contemporâneo abriu uma nova etapa aos seres humanos, com desafios e oportunidades nunca vistas na história. Estamos em busca de um prumo para que nós possamos nos sustentar com sabedoria e destreza. As transformações já não acontecem à longo prazo, tudo gira tão rápido que nos parece girar à velocidade da luz. A primazia em realizar certo trabalho hoje, poderá não ter valor algum nos próximos dias. A sociedade passou a viver numa fluidez exorbitante. Tentamos apalpar algo e este algo é etéreo como o ar, existe aos olhos, no entanto não é físico. Neste mundo que se vai criando nascem necessidades as mais variadas possíveis. O consumo é o grande baluarte, ter para se sentir realizado. Na brevidade dos recursos terrenos temos a fosca noção de que jamais haverá escassez. A Terra é finita, finita são seus elementos constitutivos, finito também o é a vida que nela goza o prazer de existir. Nesta luta desembestada por angariar coisas, o homem se perde no embaraço das conquistas urgentes, esquecendo-se do próprio futuro, ou do vindouro dos filhos e dos netos. Para poder se impor à realidade da moda atual, ele se deixa acorrentar por práticas estranhas à ética, não medindo as consequências dos seus impensados atos. Não podemos julgar para não sermos julgados. Que cada um julgue seus próprios delitos, para isso recebemos da Criação a consciência. Buscar a eficiência jamais poderá implicar riscos anormais a seres postos a outros indivíduos. Se não podemos julgar a atitude de outrem, que outrem respeitem as normas de segurança para que não afetem a nós. A vida é um fio singular que pode se romper com o mais leve rufar do vento. Respeitando as normas sociais vigentes, sem ferir os códigos para conquistar vantagens indevidas, trata-se de um dos pontos centrais para uma convivência salutar entre os povos. Um erro no comando de uma tripulação poderá ocasionar uma gigantesca tragédia em proporção aos de filmes de ficção. Assumir um erro por mero capricho de provir a situação do bolso, levando um grupo a berlinda da sorte, se não é passível de julgamento, é de uma irresponsabilidade gritante. Que cada ser procure sempre não expor outros na sua fantasia por dinheiro e poder. Como o mundo não é perfeito, como somos propícios aos mais variados tipos de erros, realizar o que manda as regras do formulário é salvar a consciência de ser um perverso e exigente juiz.

Comments are off for this post

Sobre a Vida

nov 30 2016 Published by under Crônica

A vida por si só não se explica tampouco se define em si mesma. Pelos séculos passaram os homens garimpando no delírio da mente pontos que pudessem esclarecer tal essência. De tanto tentar, por tanto insistir, caminhos lógicos foram apresentados aos transeuntes deste mar obscuro, nebuloso e irracional. O certo é que tudo que criamos nos serve apenas como ponto basilar da nossa eterna agonia perante o invisível do desaparecimento precoce. Continuamos a navegar em meio ao caos de um mundo infinito e desconhecido. Criamos deuses para amenizar as dores de uma solidão existencial. Muitas coisas que vivenciamos podem não se confirmar empiricamente; são necessárias, porém, ao equilíbrio saudável da nossa adolescente sociedade. O que é em poucos minutos se transforma para bem ou para mal. Um segundo jamais será igual ao segundo seguinte. Os fatos se resolvem em lapso de tempo tão curto que sequer os percebemos. Sorrindo uma gostosa e prazerosa alegria não nos habilita pensarmos que o singelo sentimento se perpetuará por toda a nossa trajetória. Há fatores que não cabem a nós o controle total, ocasiões que somos meros passageiros de uma embarcação governada pelas forças naturais do tempo e do espaço. No embaraço das emoções do aparente fim, sobram-nos os mais doloridos sentimentos. Para muitos a dor cruel de conviver num estado asfixiante de puro e denso desespero faz da vida um caminho de espinhos à espera do ponto final. O vento continua em sua rota contínua de soprar o presente ao presente seguinte ignorando o passado, sem se preocupar com o futuro. Tombados vão sendo engolidos e cuspidos a um canto, sendo apenas lembrados por seus queridos de caminhada. E assim a vida corre neste trilho de nascimento e morte. A flor bonita e perfumada que se abre em uma manhã de sol, após uma salutar chuva, murcha e feia tomba para sempre nas esferas do desconhecido. Nossa maior revolta é não compreender as nuances deste mundo misterioso em que nos colocamos a passear. O que acalenta nosso aflito coração é os instantes de união entre amigos e familiares, faz-nos afugentar as ideias reais do universo para vivermos momentos saldáveis em um estado de aparente fantasia.

Comments are off for this post

Homenagem aos Mortos – Dia dos Finados

nov 02 2016 Published by under Crônica, Vídeos

Assista ao Vídeo:

Homenagem aos mortos – Dia dos Finados

Um dia em homenagem à recordação. Momento para reverenciar todos aqueles que já passaram deste plano para o andar de cima. Quanto mistério há entre a vida e a morte. Quanta especulação existe quanto ao ser nascente. De onde vim? Para onde vou? Duas extremidades onde no meio percorreu um feixe de luz. A vida é assim, do nada brota, quando menos se espera murcha. Uma existência recheada de acontecimentos. Ao abrir os olhos, uma família aguarda o viajante estrelar. A amizade prospera e cresce, cresce também o amor que fará germinar novas sementes. Um elo que há muito tempo começou e que tende a se perpetuar. Em algum ponto do caminho, por algum motivo anormal, um raio separa alguém do seu meio. Para muitos, o momento mais doloroso é quando se apaga a luz, é quando se quebra um laço, é quando os pés não encontram mais o chão para se apoiarem. Cabe aos vivos sepultarem os mortos. Cabe aos vivos a dor da partida. Aqueles que se foram e que quando em vida fizeram crescer sentimentos nobres entre parentes e amigos gozam do afeto e do carinho. Levar uma flor ao túmulo, levar as lágrimas pelos bons tempos passados juntos, levar uma oração, são pétalas de reconhecimento e amor. Os dias passam e tudo e todos cavalgarão essa estranha estrada. Para muitos, a vida é o que se prospera; para muitos, a morte é a sequência da vida em outro espaço. Acreditar ou não em vida após a morte, o certo é que todos temos saudades, todos recordamos de ocasiões felizes, todos desejamos rever, que seja em sonhos, aqueles que marcaram positivamente nossas vidas. A dor do instante trágico com o tempo minimiza se tornando um afeto carinhoso de amor. Parar um pouco, olhar para o céu, visitar o cemitério, conversar com o além, faz-nos transportar, quebrar, este espaço, esta parede, que há entre o que ainda vive em carne e o que descansa ao lado do Criador. Só tenho a pedir a Deus que ilumine os vivos, que fertilize os corações humanos com energias salutares para o enfrentamento das atribulações do dia a dia. Só tenho a pedir a Deus que ilumine os que deixaram este mundo para ir gozar da paz do céu. Se não for pedir muito, cubra-nos com luz e amor. Obrigado por tudo, Senhor.

Comments are off for this post

A Importância da Leitura – Meu Amigo O Livro

ago 10 2016 Published by under Crônica, Vídeos

Assista ao Vídeo:

Lição para a vida

Quando lhe encontrei, coisa estranha, linhas e mais linhas, letras aos milhares, uma porção de páginas. Quando lhe encontrei, não foi amor à primeira vista, obrigação, sim, a mim imposta. Quando lhe encontrei, como quis fazer uso do fogo, ou de um lago profundo e escuro. Quando lhe encontrei, uma tempestade, o fogo do Sol a me queimar, corda para amansar o instinto deste burro bravo e ignorante.

Comecei a percorrer minha estrada solitária, sem gosto, sem prazer, executava uma obrigação, era ao meu espírito um calvário cruel. De início, confesso-lhe que foi complicado, arranhava, pulava, não entendia, voltava, tentava seguir, a cabeça, literalmente, fervia, latejava e doía. Como tinha uma tarefa a realizar, como gosto de cumprir com o dever, prosseguia, vacilante, com minha pesada cruz incrustada na mente em desalinho.

Da aspereza dos polos, aos poucos não é que brotou um sentimento nobre, a revolta se converteu em amizade, com o tempo se transformou no mais puro e singelo amor. Amava aquele objeto, queria tê-lo constantemente, apaixonado ia para cama e acordava ao lado dele, união das duas partes em um todo. O costume moldou-se um novo hábito. Inimigos mortais no passado próximo, tornamo-nos amigos fiéis. Eu sempre ouvidos, ele sempre com palavras a me orientar.

Hoje perco tempo contemplando meu sucesso. O que seria de mim na sua falta? Como esse amor me fez mudar, não direi da água ao vinho, mas da lama à suavidade da chuva. O frescor da água, a limpidez, o cheiro sem cheiro, a cor sem cor, algo inexplicável, algo incomparável. Cresci e agradeço ao meu Professor, vários Professores, cada um à sua maneira, com o seu jeito particular de nos ensinar, de nos propor soluções até então estranhas a nós.

Falo dos milhares de professores mudos que vagam pela Terra, muitos perdidos nas estantes, prateleiras, malas, bolsos, livrarias, bibliotecas… O que dizer do poder impactante do Livro. Que sabedoria. Mudo por natureza, pronto a ensinar quem seus códigos conseguem decodificar. As carreirinhas de palavras a formarem enunciados, a dizer o que não conhecemos e o que já nos foi dito de uma nova maneira.

O gosto pela leitura se inicia quase sempre por imposição ou necessidade, com o tempo o dever passa a familiaridade de um ente querido, com mais idade vira obsessão, um amor eterno. Feliz do ancião que traz na amizade do dia a dia a companhia salutar dos livros.

Amar os Livros, para obter a sabedoria.

Comments are off for this post

Older posts »