Archive for the 'Cangaço' category

Cangaço – Episódio 05 – Filme de Benjamin Abrahão

nov 19 2019 Published by under Cangaço

Assista ao Vídeo:

Hoje iremos apresentar nosso quinto episódio da série cangaço. Eu sou Luiz Carlos Marques Cardoso. Nosso vídeo será sobre a filmagem feita por Benjamin Abrahão Calil Botto no ano de 1936. Ele foi responsável por registrar o bando de Lampião e deixar para posteridade um arquivo visual em vídeos e fotos do que foi o cangaço. Um sírio, cabra arretado, merece todos os nossos aplausos. Uma tarefa das mais difíceis na época, ou uma missão impossível. Dizem por aí que só teve êxito pela ajuda lá do céu de Padre Cícero Romão Batista, o Padim Ciço. O certo é que Benjamin Abrahão com todas as dificuldades do ambiente, financeira e de equipamentos conseguiu tamanha proeza. Deixou a imprensa brasileira com inveja, digamos revoltada por ter sido ele o grande corajoso em realizar tal façanha. O trabalho dele incomodou muita gente, até o presidente Getúlio Vargas, que no seu regime de opressão apreendeu todo o material feito por Benjamin, ou quase todo. Neste vídeo não iremos falar da vida do sírio em questão, e sim do vídeo que ele fez e que sobreviveu ao tempo e aos incomodados da época, que não foram poucos. Então vamos ao vídeo.

Nas terras do Brasil não nasceu

Repórter de envergadura

Cabra detentor de coragem

Homem de fibra e ventura

Falamos de um sírio danado

Daqueles seres iluminados

Que na história mundial figuram.

***

O homem era mesmo arretado

Andou nas terras do sertão

Conseguiu enorme proeza

Vídeos, fotos de Lampião

Um homem que veio da Síria

E colaborou com a mídia

Nome Benjamin Abrahão

***

Trabalho muito importante

Um auspicioso relato

De bandidos tidos valentes

Feras entocadas no mato

Precisou vir um estrangeiro

Para mostrar aos brasileiros

A rotina cruel do cangaço.

O primeiro encontro de Benjamin Abrahão com Lampião e seu bando se dará no final do mês de março de 1936, depois de vários meses perambulando pelo sertão, deste o segundo semestre de 1935. Os cangaceiros Juriti e Marreca o conduzem ao coite do chefe. Lampião o salva com uma indigesta frase? “Não sei como você veio bater aqui com vida cabra velho”. Depois de farto interrogatório, o rei do cangaço chama o visitante para almoçar e tomar conhaque macieira sob a copa rala de uma quixabeira. Eles comem carne de bode com farinha de mandioca. Benjamin já tinha estado na presença de Lampião em Juazeiro, na residência de Padre Cícero, quando Lampião foi convocado para enfrentar os revoltosos da coluna Preste. Nesta época é que Virgulino Ferreira da Silva ganha a patente de capitão. Nesta primeira estada com os cangaceiros, Benjamim colhe algumas interessantes fotografias, desejava fotografar mais, porém Lampião disse que já estava bom, que deixasse para outra ocasião. O sírio nada mais poderia fazer a não ser contentar-se com o material colhido e aguardar por uma nova oportunidade.

A nova oportunidade aparece no meado de julho do ano em curso. Desta vez Benjamin encontra Lampião e seus cabras todos bem vestidos, alimentando bem. O rei do cangaço animado em posar para a câmara. O engraçado é que Lampião no decorrer das filmagens se transforma em codiretor do filme, ele comanda a cabroeira, indica as posições, as cenas a serem gravadas. Os cangaceiros a vontade realizam com muita desenvoltura.

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Cangaço – Episódio 03 – José Leite Santana (Jararaca)

out 04 2019 Published by under Cangaço

Assista ao Vídeo:

Você sabe da história do cangaceiro José Leite Santana? Você já ouviu falar em Jararaca? Era dia 13 de junho de 1927, dia de Santo Antônio. Esta data marcou a cidade de Mossoró no estado do Rio Grande do Norte para sempre. Até hoje ela é lembrada pelos moradores do município. Naquele dia, Lampião e seu bando de asseclas invadiram Mossoró. Mas antes, o capitão Virgulino Ferreira da Silva havia mandado um bilhete ao prefeito exigindo quatrocentos contos de réis para deixar a cidade em paz, caso recusasse o pedido ele iria invadir o local e só Deus sabe o que iria acontecer com os moradores. O prefeito Rodolfo Fernandes montou resistência, iria enfrentar com os seus munícipes a fera do cangaço. Lampião temia entrar em cidades grandes, com mais de uma torre de igreja, Mossoró possuía três igrejas. Os cangaceiros invadiram a cidade sob neblina. Foi recebido à bala. Aí aparece o cangaceiro José Leite Santana, que tinha como acunha Jararaca. Jararaca é uma cobra peçonhenta, seu veneno é poderoso e pode ser fatal. Só pelo apelido já podemos imaginar do que este indivíduo era capaz. Segundo relatos um cabra perverso, cruel e mau. Dizem que costumava matar crianças na ponta do punhal, mas antes jogava a criança para cima e depois a aparava na ponta da afiadíssima arma, enquanto os pais choravam e ele sorria. Assim que o bando invadiu a cidade, na refrega da luta, Manoel Duarte acertou um cangaceiro de nome Colchete na cabeça, este vai ao chão morto. Ele mais Jararaca tentavam invadir a residência do prefeito. Jararaca ao ver seu amigo no chão resolveu ir de encontro do corpo do falecido para surrupiar seus pertences. Acabou sendo alvejado também. Conseguiu se safar rastejando. O bando de Lampião reconhecendo a derrota se retira da cidade, só que desfalcado dos dois cangaceiros. Jararaca pediu ajuda a certo indivíduo na estação de trem, pedia remédios para os ferimentos. O rapaz de nome Pedro Tomé foi buscar, contudo ao retornar trouxe foi a polícia. José Leite Santana acabou preso, levado a cadeia. Com a notícia todos queriam ver o cangaceiro. Jararaca por duas vezes concedeu entrevista. Em uma delas relatou uma lista de coiteiros de Lampião. O certo é que na madrugada do dia 19 do mesmo mês Jararaca iria passar desta para melhor, iria prestar conta ao Divino. A morte do cangaceiro é envolta em muitos histórias e mistérios. A princípio disseram que iriam levar o preso para a capital Natal. Colocou-o em um carro e no decorrer da noite partiram. Pararam defronte ao cemitério São Sebastião. O cangaceiro sentiu cheiro de tramoia no ar. Algo de errado estava acontecendo. No interior do cemitério já havia uma cova aberta. Jararaca mesmo diante da morte mostrou ser um cabra valente e corajoso. Foi golpeado com o cabo da arma do soldado e jogado desacordado, porém ainda com vida no buraco. Dizem que foi enterrado vivo. No outro dia, as pessoas de Mossoró acordaram desconfiadas, desejosas de saber do paradeiro do bandoleiro. Com o tempo o caso veio à tona. Descobriram a sepultura do famigerado cangaceiro. Aí começa a aparecer pedidos e a realizar rezas ao pé do túmulo dele. Passa de vilão a santo.

José Leite Santana, Jararaca, é natural de Buíque, Pernambuco. Nasceu no dia 05 de maio de 1901. Faleceu com 26 anos de idade no dia 18 de junho de 1927.

Por que mataram Jararaca? Ao ler as notícias e as histórias relacionadas a morte do cangaceiro e a cidade de Mossoró, chegamos a duas conclusões possíveis. A primeira e a mais forte é da morte ter sido encomendada por alguns político, ou coronel rico, denunciado, ou com medo de ser delatado pelo preso por ser este um coiteiro do capitão Lampião. Jararaca em depoimento já havia delatado alguns nomes, pode ser sido um destes ou outro que por ventura se sentiu ameaçado. Para ele seria apenas menos um cangaceiro no mundo para distribuir terror.

A outro hipótese é das autoridades policiais de Mossoró terem ficado temerosos com o cangaceiro preso. Sabe-se lá se Lampião juntaria mais homens para um novo ataque a cidade para soltar o assecla e impor terror no local. Jararaca preso era motivo de preocupação. Neste intuito acharam por bem eliminá-lo.

São duas deduções que fizemos dos matérias que averiguamos na internet, por sinal há vasto material. Quando escolhi a morte de Jararaca para este texto e um vídeo que postamos no You Tube, achava que pouca coisa encontraria, apenas que morrera o cangaceiro na ocasião da derrota do bando de Virgulino e pronto, no entanto me surpreendi com o enredo que nasceu em torno de José Leite Santana.

***

Jararaca não é serpente

Foi cangaceiro do sertão

Mais frio do que o próprio gelo

Em batalha uma explosão

Cabra mestre na navalha

Por quase nada matava

Aqui só temia a Lampião.

***

Jararaca foi ao cárcere

Dia do santo casamenteiro

Mossoró bem defendida

Pôs correr os cangaceiros

Na refrega mais um morreu

A malta perversa correu

Ao canto de mulher rendeira.

***

A polícia deu cabo à fera

Vulgo José Leite Santana

Ainda vivo foi sepultado

Sem ter dó sem ter cerimônia

De bandido passou a santo

Temido ganhou ar e encanto

Hoje louvado por suas façanhas.

***

Luiz Carlos Marques Cardoso.

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Cangaço – Episódio 02 – Bigode De Ouro Versos Lampião

ago 28 2019 Published by under Cangaço

Assista ao Vídeo:

Nosso segundo episódio sobre o Cangaço tem como título: José Joaquim de Miranda versos Virgulino Ferreira da Silva. Este fato foi contado no livro Lampião na Bahia. Lampião e seu bando mataram o sargento Miranda, apelidado de Bigode de Ouro, e mais dois soldados. Foi no final do ano de 1928. Acaba ali a paz entre os cangaceiros e a Bahia.

***
Enfrentar Virgulino assim
Sem a devida prevenção
É coisa de um suicida
Fato que merece atenção
O tal do Bigode de Ouro
Assemelhando-se a um tolo
Foi abatido por Lampião.
***
Os cabras mataram mais dois
Cangaceiro em plena ação
Soldados em fogo cruzado
Já não há mais paz no Sertão
A Bahia manchada de sangue
Ferida caçaria o infame
Autor desta vil perversão.

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Cangaço – Episódio 01 – Nosso Novo Projeto

ago 02 2019 Published by under Cangaço

Assista ao Vídeo:

Abrimos com este vídeo nosso novo projeto aqui no nosso canal no You Tube. Iremos abordar temas relacionados ao Cangaço e a história de Virgulino Ferreira da Silva, Lampião. Venha com a gente conhecer contos, notícias, fatos, textos, poesias, literatura referente aos cangaceiros.

Poema – Repente

Foi na data de vinte e oito

Que tombara morto Lampião

Mil novecentos e trinta e oito

Ano que marcara o sertão

O mês exato foi o de julho

Momento de muito orgulho

Pois deram fim ao Capitão.

***

Hoje a data se repete

Oitenta e um anos da ação

Ano de dois mil e dezenove

Data de comemoração

Abrimos este novo projeto

De cunho bastante discreto

Das façanhas de Lampião.

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