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Cangaço – Episódio 03 – José Leite Santana (Jararaca)

out 04 2019 Published by under Cangaço

Assista ao Vídeo:

Você sabe da história do cangaceiro José Leite Santana? Você já ouviu falar em Jararaca? Era dia 13 de junho de 1927, dia de Santo Antônio. Esta data marcou a cidade de Mossoró no estado do Rio Grande do Norte para sempre. Até hoje ela é lembrada pelos moradores do município. Naquele dia, Lampião e seu bando de asseclas invadiram Mossoró. Mas antes, o capitão Virgulino Ferreira da Silva havia mandado um bilhete ao prefeito exigindo quatrocentos contos de réis para deixar a cidade em paz, caso recusasse o pedido ele iria invadir o local e só Deus sabe o que iria acontecer com os moradores. O prefeito Rodolfo Fernandes montou resistência, iria enfrentar com os seus munícipes a fera do cangaço. Lampião temia entrar em cidades grandes, com mais de uma torre de igreja, Mossoró possuía três igrejas. Os cangaceiros invadiram a cidade sob neblina. Foi recebido à bala. Aí aparece o cangaceiro José Leite Santana, que tinha como acunha Jararaca. Jararaca é uma cobra peçonhenta, seu veneno é poderoso e pode ser fatal. Só pelo apelido já podemos imaginar do que este indivíduo era capaz. Segundo relatos um cabra perverso, cruel e mau. Dizem que costumava matar crianças na ponta do punhal, mas antes jogava a criança para cima e depois a aparava na ponta da afiadíssima arma, enquanto os pais choravam e ele sorria. Assim que o bando invadiu a cidade, na refrega da luta, Manoel Duarte acertou um cangaceiro de nome Colchete na cabeça, este vai ao chão morto. Ele mais Jararaca tentavam invadir a residência do prefeito. Jararaca ao ver seu amigo no chão resolveu ir de encontro do corpo do falecido para surrupiar seus pertences. Acabou sendo alvejado também. Conseguiu se safar rastejando. O bando de Lampião reconhecendo a derrota se retira da cidade, só que desfalcado dos dois cangaceiros. Jararaca pediu ajuda a certo indivíduo na estação de trem, pedia remédios para os ferimentos. O rapaz de nome Pedro Tomé foi buscar, contudo ao retornar trouxe foi a polícia. José Leite Santana acabou preso, levado a cadeia. Com a notícia todos queriam ver o cangaceiro. Jararaca por duas vezes concedeu entrevista. Em uma delas relatou uma lista de coiteiros de Lampião. O certo é que na madrugada do dia 19 do mesmo mês Jararaca iria passar desta para melhor, iria prestar conta ao Divino. A morte do cangaceiro é envolta em muitos histórias e mistérios. A princípio disseram que iriam levar o preso para a capital Natal. Colocou-o em um carro e no decorrer da noite partiram. Pararam defronte ao cemitério São Sebastião. O cangaceiro sentiu cheiro de tramoia no ar. Algo de errado estava acontecendo. No interior do cemitério já havia uma cova aberta. Jararaca mesmo diante da morte mostrou ser um cabra valente e corajoso. Foi golpeado com o cabo da arma do soldado e jogado desacordado, porém ainda com vida no buraco. Dizem que foi enterrado vivo. No outro dia, as pessoas de Mossoró acordaram desconfiadas, desejosas de saber do paradeiro do bandoleiro. Com o tempo o caso veio à tona. Descobriram a sepultura do famigerado cangaceiro. Aí começa a aparecer pedidos e a realizar rezas ao pé do túmulo dele. Passa de vilão a santo.

José Leite Santana, Jararaca, é natural de Buíque, Pernambuco. Nasceu no dia 05 de maio de 1901. Faleceu com 26 anos de idade no dia 18 de junho de 1927.

Por que mataram Jararaca? Ao ler as notícias e as histórias relacionadas a morte do cangaceiro e a cidade de Mossoró, chegamos a duas conclusões possíveis. A primeira e a mais forte é da morte ter sido encomendada por alguns político, ou coronel rico, denunciado, ou com medo de ser delatado pelo preso por ser este um coiteiro do capitão Lampião. Jararaca em depoimento já havia delatado alguns nomes, pode ser sido um destes ou outro que por ventura se sentiu ameaçado. Para ele seria apenas menos um cangaceiro no mundo para distribuir terror.

A outro hipótese é das autoridades policiais de Mossoró terem ficado temerosos com o cangaceiro preso. Sabe-se lá se Lampião juntaria mais homens para um novo ataque a cidade para soltar o assecla e impor terror no local. Jararaca preso era motivo de preocupação. Neste intuito acharam por bem eliminá-lo.

São duas deduções que fizemos dos matérias que averiguamos na internet, por sinal há vasto material. Quando escolhi a morte de Jararaca para este texto e um vídeo que postamos no You Tube, achava que pouca coisa encontraria, apenas que morrera o cangaceiro na ocasião da derrota do bando de Virgulino e pronto, no entanto me surpreendi com o enredo que nasceu em torno de José Leite Santana.

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Jararaca não é serpente

Foi cangaceiro do sertão

Mais frio do que o próprio gelo

Em batalha uma explosão

Cabra mestre na navalha

Por quase nada matava

Aqui só temia a Lampião.

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Jararaca foi ao cárcere

Dia do santo casamenteiro

Mossoró bem defendida

Pôs correr os cangaceiros

Na refrega mais um morreu

A malta perversa correu

Ao canto de mulher rendeira.

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A polícia deu cabo à fera

Vulgo José Leite Santana

Ainda vivo foi sepultado

Sem ter dó sem ter cerimônia

De bandido passou a santo

Temido ganhou ar e encanto

Hoje louvado por suas façanhas.

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Luiz Carlos Marques Cardoso.

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