Archive for: março, 2019

Somos Forçados a Fazer Parte do Jogo

mar 12 2019 Published by under Crônica

Um estranho fato me roubou a atenção. De repente, ele se petrificou perante meus olhos. Chegou como uma explosão de bomba atômica, sem esperar. Aquilo ao me atingir, despertou-me uma vontade de explorar suas entranhas para tecer algumas considerações. Um pensamento estranho para o estado moderno em que nos encontramos, todavia fruto deste meio de transição de gerações. Talvez estas palavras que as escutei, outras pessoas também as escutaram ou virão a se deparar com elas no decorrer dos próximos dias, meses ou até anos.

Um rapaz, graduado em nível superior, dotado de suas faculdades mentais, disse-me que as redes sociais, que os sites de internet, que as funções do celular, que não seja a de ligação, para ele são tudo banalidades que dispensam interesse. A frase dita por ele não foi nestes termos, mas o conceito é o expresso. Sem falar na revolta e no nervosismo dele a tentar impor suas arcaicas ideias. O tempo passou e ele continua agarrado nos aprendizados do seu pretérito.

Já não cabe mais a nós querer ou não querer certas situações que o mundo nos obriga a realizar para termos capacidade para participar do presente atual se preparando para o futuro que já está à porta. Ignorar a tecnologia é o mesmo que tentar se flagelar regredindo a épocas passadas. O mundo é tal como se apresenta neste momento. Ao homem, cabe se aperfeiçoar, cabe a nós capacitar nosso corpo para as novas conjunturas, instruir a mente em torno de novos conceitos. O homem por ter a inteligência como patrimônio maior, deve, por obrigação natural, enriquecer os seus neurônios com conhecimentos variados e atuais.

Neste instante de turbulências várias, neste ponto de ruptura tecnológica, muitas pessoas, apavoradas, relutam em buscar capacitação e desejam com afinco permanecer no seu mundo feliz, na sua zona de conforto. O novo chega com muita força, obriga a lentidão a se retirar, faz-se a energia central do pêndulo que sustenta a sociedade. Atributos que eram tidos vitais desaparecem em um piscar de olhos. Empregos, profissões nascem com velocidade da luz, enquanto outros desaparecem como em toque de mágica. No meio de tudo isso estamos nós, somos ingredientes desta formidável sopa.

Tentei mostrar ao rapaz a verdade do nosso mundo. Mudar é preciso. Aquele que tentar brecar este impulso catapultado no decorrer da história será destroçado por esta força propulsora que absorve os que interagem e destrói as anomalias do sistema. É questão simples, ou participa do jogo e tenta obter lucro com as regras, ou será eliminado da vida social. O rapaz atordoado com minhas explicações, viu-se acuado, chamou-me de pessimista e arrogante. Neste mundo, dá conselho não é fácil, melhor vendê-los; mas será se há gente interessada em comprá-los?

A evolução tecnológica vem nos últimos anos ganhando velocidade de velocista. Se antes passeávamos a contemplar as modificações de décadas em décadas, agora o caldo muda de sabor dia a dia, uma verdadeira loucura. Você dorme empregado e acorda procurando por emprego. O que fazer para caminhar com os passos da evolução? Primeiro aprender a dominar o novo, depois ter uma posição firme em detectar abalos no terreno em que está instalado. A pessoa satisfeita com o pouco que sabe é a mais vulnerável em se perder. Nunca na história humana fomos exigidos mentalmente como neste século vinte e um.

O rapaz da conversa, por obrigação de seu emprego, se viu obrigado a adequar suas rotinas com aparelhos que executam procedimentos indiferentes as aptidões humanas. Sem notar, o indivíduo vai aos poucos penetrando na nova realidade, mesmo os mais ferrenhos opositores. A vida moderna é como uma máquina em pleno funcionamento, cada um de nós é uma peça da engrenagem maior. Se falharmos, de imediato, somos substituídos.

Luiz Carlos Marques Cardoso. 06/03/2019

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Cultura Popular do Brasil

mar 07 2019 Published by under Crônica

Qual a verdadeira cultura popular do Brasil? Será se temos uma cultura genuinamente brasileira? O que quer dizer cultura popular?

Três indagações pertinentes sobre o tema. Nosso país tem pouco mais de quinhentos anos do descobrimento. Todavia, bem antes aqui já viviam os índios. Para muitos, o Brasil começou em 22 de abril de 1500. Podemos passar uma borracha em tudo o que nesta terra floresceu antes? Dividir, ou começar nossa história com a descoberta da pátria amada chega a ser infantilidade de um povo que se julga superior. Superioridade que se perde nos dados, nas condutas, na mania de copiar. Por que é tão difícil sermos nós mesmos? Deixamos de ser uma estrela a emitir luz, e agarramos com unhas e dentes nas ideologias de outros povos. Somos ou não somos capaz de criar?

O brasileiro é fruto de uma mistura pulsante de raças. Quando Cabral aqui atracou com as suas caravelas, encontrou as várias tribos indígenas. Com a colonização dos portugueses tão logo chegaram os negros vindo do continente africano. Branco, negro e índio passaram a conviver e dividir o mesmo espaço. Nasceram os mulatos, mamelucos e cafuzos. O Brasil virou um celeiro da mais pura miscigenação. No decorrer dos anos foram chegando holandeses e japoneses. Cada indivíduo trouxe consigo algo da sua terra natal. As lembranças da infância, as músicas, as festas, as vestimentas e seus costumes corriqueiros. O Brasil sendo um país enorme foi moldando cada região com características distintas e nas muitas das vezes antagônicas umas das outras. A influência estrangeira foi se enraizando lentamente pelos quatro cantos.

Passamos a copiar e assim seguimos até nos atuais dias. O Brasil poderia ser diferente? Sim, poderia, contudo somos o que escolhemos ser, somos hoje os frutos das árvores que se plantaram e cuidaram no pretérito. Poderíamos gozar neste momento de melhor condição em várias áreas. No entanto, poderíamos também está em pior situação.

A cultura popular é a face da cultura nacional. Somos nossas manifestações, nossos desejos, nossos sonhos, nossa música, nossa arte… Remova tudo isso, e o que teremos é apenas o vazio. A vida humana em sociedade não se pauta apenas no trabalho, trabalho apenas existe pelo simples fato de haver as necessidades básicas. A vida é bem mais complexa. Na falta da cultura popular, sobrariam aos seres humanos a loucura, a debilidade total, a insanidade de uma vida sem razão. Quanto mais ricos formos em cultura popular, maior será nossa felicidade, razão pela qual vivemos. Os nossos sentidos precisam de estímulos para produzirem conhecimento, esta energia vem por meio do envolvimento e do engajamento social. Não nascemos para sermos máquinas, criamos as máquinas para que sobre tempo para o ócio criativo.

Gabamos por temos muitos recursos naturais, esquecemo-nos de sermos grandes a ponto de orgulhamos dos nossos feitos. Louvamos o que recebemos de graça, entretanto pouco contribuímos para a evolução das coisas. O que aconteceu que nos fez acomodados? O que este gigantesco País contribuiu para a humanidade geral? O que ele poderá contribuir nos próximos anos? Quem somos nós? Nem nós mesmo sabemos quem nós somos. Não sabemos o que queremos. Caminhamos sem direção rumo a qualquer lugar. E agora? Vamos continuar a remar rio abaixo deixando o fluxo da água nos levar? Ou vamos nos rebelar e enfrentar a forte correnteza em busca da beleza da nascente no topo da grande serra?

Já não temos mais gênios, os de destaques são tão rasos que o simples toque do vento os remove ao esquecimento imediato. A cultura popular verdadeira vence o tempo e os seus idealizadores. Vejamos a capoeira e o forró, ainda fortes e latentes no gosto da maioria. Por mais que a mídia tente impor à sociedade o conceito de uma minoria alucinada, a sociedade curte o novo, enjoa e retorna ao verdadeiramente belo e atraente. As músicas são tão banais que vira o ano e tudo já retornou ao balde de lixo. Os livros que lemos hoje são os mesmos que foram lidos por nossos antepassados. Os filmes são meras copias aprimoradas daquilo que foram sucesso. Muitos batem no peito e dizem: “Somos modernos! Fazemos parte da modernidade!”. Com tudo que temos em mãos, e o pouco que produzimos de valor real, somos meras crianças enganadas com o sabor doce de um pirulito oferecido pelo pai para paramos de chorar.

Demorei para acordar. Não sei se tenho tempo de recuperar meu tempo perdido. Uma coisa eu sei: “Vou seguir tentando até o último segundo de vida”. Que Deus me dê força e discernimento para escolher os atalhos corretos. Aonde irei chegar, não sei, se soubesse, talvez perderia o sabor de tentar.

Luiz Carlos Marques Cardoso.

09/02/2019

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