Archive for: novembro, 2016

Sobre a Vida

nov 30 2016 Published by under Crônica

A vida por si só não se explica tampouco se define em si mesma. Pelos séculos passaram os homens garimpando no delírio da mente pontos que pudessem esclarecer tal essência. De tanto tentar, por tanto insistir, caminhos lógicos foram apresentados aos transeuntes deste mar obscuro, nebuloso e irracional. O certo é que tudo que criamos nos serve apenas como ponto basilar da nossa eterna agonia perante o invisível do desaparecimento precoce. Continuamos a navegar em meio ao caos de um mundo infinito e desconhecido. Criamos deuses para amenizar as dores de uma solidão existencial. Muitas coisas que vivenciamos podem não se confirmar empiricamente; são necessárias, porém, ao equilíbrio saudável da nossa adolescente sociedade. O que é em poucos minutos se transforma para bem ou para mal. Um segundo jamais será igual ao segundo seguinte. Os fatos se resolvem em lapso de tempo tão curto que sequer os percebemos. Sorrindo uma gostosa e prazerosa alegria não nos habilita pensarmos que o singelo sentimento se perpetuará por toda a nossa trajetória. Há fatores que não cabem a nós o controle total, ocasiões que somos meros passageiros de uma embarcação governada pelas forças naturais do tempo e do espaço. No embaraço das emoções do aparente fim, sobram-nos os mais doloridos sentimentos. Para muitos a dor cruel de conviver num estado asfixiante de puro e denso desespero faz da vida um caminho de espinhos à espera do ponto final. O vento continua em sua rota contínua de soprar o presente ao presente seguinte ignorando o passado, sem se preocupar com o futuro. Tombados vão sendo engolidos e cuspidos a um canto, sendo apenas lembrados por seus queridos de caminhada. E assim a vida corre neste trilho de nascimento e morte. A flor bonita e perfumada que se abre em uma manhã de sol, após uma salutar chuva, murcha e feia tomba para sempre nas esferas do desconhecido. Nossa maior revolta é não compreender as nuances deste mundo misterioso em que nos colocamos a passear. O que acalenta nosso aflito coração é os instantes de união entre amigos e familiares, faz-nos afugentar as ideias reais do universo para vivermos momentos saldáveis em um estado de aparente fantasia.

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Enquanto o Brasil todo chorava, eles sorriam

nov 30 2016 Published by under Zé do Bode

A que ponto chegaram nossos intelectuais deputados. Pouca gente já ia com a cara desse grupo sem cara e sem coração, agora, somos todos. As pessoas do nosso querido Brasil estão furiosas com o que eles vêm fazendo com a amada Pátria. Como pode aqueles que respondem perante a Justiça legislar? Claro que irão legislar a bem próprio. Tira um presidente e coloca outro, a remada continua a mesma, sempre na contramão do bom-senso. Os deputados eleitos pelo povo acham-se intelectuais, mas não passam, na sua grande maioria de tapareis abestalhados, sequer sabem o que fazem, estão nos cargos por dinheiro, apenas por dinheiro. O Brasil que se lasque, assim é o pensamento deles. E estamos nos lascando mesmo. Quem precisa de hospital sabe bem o que é ser humilhado. Enquanto isso, eles vivem gozando do exorbitante montante arrecadado de impostos, nosso suado suor sendo convertido em regalias aos crápulas do poder. Quando há algo de interesse da Nação, cada partido defende seus interesses políticos; quando há algo de interesse deles, há apenas um partido, todos votam iguais; pelo menos um deputado teve a decência, ou vergonha na cara, de votar contra seus amigos de câmara. O que mencionamos não é novidade para nenhum brasileiro. O pior foi fazer de um momento de comoção em um instante crucial para legitimar suas tenebrosas manobras. Enquanto o Brasil todo chorava a desgraça ocorrida com a delegação da Chapecoense, os deputados sorridentes festejavam a vitória da corrupção dentro do Estado. O Brasil de luto e os deputados trabalhando até o amanhecer. Deputados trabalhando? Já é novidade. Até de manhã cedo? É coisa do cão. Não respeitaram sequer a comoção Nacional. O que poderemos esperar dessa gente sem escrúpulos? Chegamos ao fundo do poço. Breve chegará a eleição. Votar para que mesmo? Será se ainda existe alguém digno de um voto? Rasgar o título? Não ir votar? Votar em branco? Ficaremos com o branco, pelo menos é limpo e reflete pureza.

Crônica de Zé do Bode.

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Dando vida a uma poesia – Cordel

nov 05 2016 Published by under Cordel

Assista ao Vídeo:

Dando vida a uma poesia

***

Para montar um verso

Uso da imaginação

A coisa vai surgindo

Com certa precisão

Ao final do contexto

Brotou do coração.

***

O que escrevo flui

Linha por linha

Não há método

Apenas ciscar de galinha

Letra seguindo letra

Borbulham do nada as rimas.

***

E assim canto o mundo

Pinto com cores de mel

Num vai e vem constante

Escrevo os sonhos no papel

Glorificando a beleza

Perfazendo o céu.

***

Como erguer uma casa

Constrói-se uma poesia

Começa com o alicerce

Procura a simetria

Com tijolos monta-se a parede

Com palavras nasce a magia.

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Homenagem aos Mortos – Dia dos Finados

nov 02 2016 Published by under Crônica, Vídeos

Assista ao Vídeo:

Homenagem aos mortos – Dia dos Finados

Um dia em homenagem à recordação. Momento para reverenciar todos aqueles que já passaram deste plano para o andar de cima. Quanto mistério há entre a vida e a morte. Quanta especulação existe quanto ao ser nascente. De onde vim? Para onde vou? Duas extremidades onde no meio percorreu um feixe de luz. A vida é assim, do nada brota, quando menos se espera murcha. Uma existência recheada de acontecimentos. Ao abrir os olhos, uma família aguarda o viajante estrelar. A amizade prospera e cresce, cresce também o amor que fará germinar novas sementes. Um elo que há muito tempo começou e que tende a se perpetuar. Em algum ponto do caminho, por algum motivo anormal, um raio separa alguém do seu meio. Para muitos, o momento mais doloroso é quando se apaga a luz, é quando se quebra um laço, é quando os pés não encontram mais o chão para se apoiarem. Cabe aos vivos sepultarem os mortos. Cabe aos vivos a dor da partida. Aqueles que se foram e que quando em vida fizeram crescer sentimentos nobres entre parentes e amigos gozam do afeto e do carinho. Levar uma flor ao túmulo, levar as lágrimas pelos bons tempos passados juntos, levar uma oração, são pétalas de reconhecimento e amor. Os dias passam e tudo e todos cavalgarão essa estranha estrada. Para muitos, a vida é o que se prospera; para muitos, a morte é a sequência da vida em outro espaço. Acreditar ou não em vida após a morte, o certo é que todos temos saudades, todos recordamos de ocasiões felizes, todos desejamos rever, que seja em sonhos, aqueles que marcaram positivamente nossas vidas. A dor do instante trágico com o tempo minimiza se tornando um afeto carinhoso de amor. Parar um pouco, olhar para o céu, visitar o cemitério, conversar com o além, faz-nos transportar, quebrar, este espaço, esta parede, que há entre o que ainda vive em carne e o que descansa ao lado do Criador. Só tenho a pedir a Deus que ilumine os vivos, que fertilize os corações humanos com energias salutares para o enfrentamento das atribulações do dia a dia. Só tenho a pedir a Deus que ilumine os que deixaram este mundo para ir gozar da paz do céu. Se não for pedir muito, cubra-nos com luz e amor. Obrigado por tudo, Senhor.

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