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A fome

set 28 2015 Published by under Crônica

fome

A linha da mediocridade da soberba humana se esfacela perante o rosto cadavérico da fome. Quando o estômago implora por energia, o corpo aguça os instintos afugentando as ideias. A fome tem o poder de mostrar aos seres que diante dela o restante é pura frivolidade. A vaidade desmedida do ser nenhum controle possui frente à opressão de uma estrutura que implora medonhamente por energia. As regras sociais, as leis, os dogmas, a parafernálias ditas aos setes cantos como salvação, tudo desaparece na iminência da dor que desestrutura a matéria e perturba o espírito. O homem que sente fome é fiel aos preceitos naturais, pois não disfarça o sentimento primordial que o fere. O traje, a maquiagem, as pedras preciosas, o posição alcançada hierarquicamente, de nada terá sentido se a mente se encontrar amarrada em uma tristeza profunda fruto da anemia das células. Frente a frente com a tortura esmagadora da fome, o ser humano é dobrado, faz-se prisioneiro de um calabouço invisível aos olhos daqueles que o observa, e amargo e quente para o que padece.

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