Archive for: setembro 1st, 2015

Indecisão entre matar ou não matar

set 01 2015 Published by under Zé do Bode

barata

Rapaz, não sei o que anda acontecendo comigo. Do nada passei a me comportar como um ambientalista. Hoje mesmo, olhe só, fiquei frente a frente com um inseto nojento, repugnante, asqueroso… Ele parado a espera que eu o pisasse. Fiquei inerte igual a uma porta, nem tranca, nem destranca. Olhava para a barata com raiva, meu desejo era esmaga-la, apaga-la deste mundo para sempre. Não consigo entender, meu coração dizia não, meu corpo me obrigava a agir. Estava como uma múmia. Matar ou não matar? Reposta simples, sim ou não. Doía minha cabeça com aquela indecisão toda. Se eu a tivesse matado logo, a paz reinaria em mim. Por que não matei de imediato a infeliz? Se fosse em um passado próximo, pobre barata. Quantas baratas não trucidei com minha botina? Por que esta maldita barata não vai embora e me deixe em paz? A danada olha para mim e sacode aquelas antenas. Maldita! Se eu a mato, higienizarei minha casa, mas minha consciência poderá me cobrar esta dívida. Se eu não a mato, o animal poderá me transmitir doença. Deus, perdoe-me, tenho o dever de matá-la. Cadê ela? Sumiu. Que droga! A barata poderá estar em qualquer canto da casa. Já pensou em uma barata dentro do sanduíche? Já imaginou uma barata esmigalhada no interior de um sapato pelo seu pé? Já pensou ser beijado por uma barata à noite? Tenho que a encontrar agora. Meu sossego foi roubado por este insignificante inseto. Se eu tivesse matado na primeira oportunidade, tudo estaria na maior tranquilidade. Por que deixei o mostro fugir? Esta maldita barata me pagará caro! Não descansarei enquanto não cumprir com minha obrigação de matador. Botinas nas mãos e vamos nós revirar a casa. Custe o que custar, de hoje a barata não passa. Se passar, estarei acabado, em mal lençóis, louco varrido. Está vendo o que uma barata pode fazer na vida de alguém? Deixe de conversa fiada, pois tenho um trabalho a fazer. Acho melhor chamar a turma da dedetização. Não quero papo mais com barata.

Crônica de Zé do Bode.

Comments are off for this post