Archive for: julho, 2015

Minha casa encontra-se bem ao pé da serra

jul 30 2015 Published by under Poesia

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Sou da roça,

Sou do mato,

Moro no pé da serra,

Aqui os passarinhos cantam alegremente,

Aqui o sol nasce sobre o monte,

Aqui o riacho passa no quintal,

A vida segue lenta,

Os dias correm fagueiros,

As horas são como pétalas de luz,

Os minutos são fagulhas de felicidades,

Os segundos se transformam em mel,

Tudo cheira mato,

Gosto suave dos aromas salutares do campo,

Aqui sou mais eu,

Aqui sou feliz,

Aqui é onde moro,

Neste rancho foi onde nasci,

Se existe outro lugar melhor,

Juro que ainda não o conheci.

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Sertão Nordestino

jul 27 2015 Published by under Poesia

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Sertão Nordestino.

***

No meu Sertão nasci

No meu Sertão quero morar

No meu Sertão cresci

No meu Sertão vou repousar.

Sertão, Sertão, Sertão

Coração, Coração, Coração

Mandacaru, Umbuzeiro, Juá

De todos os cantos igual a ti não há.

Meu Sertão querido

Querido Sertão meu

Meu Sertão querido

Querido Sertão meu.

Oh! Sertão de meus pais

Oh! Sertão meu

Oh! Tamanho amor

Que o mato Oh! enverdeceu.

A casa e o curral

O roçado e as palmas

A cerca de Quiabento

O chiqueiro de varas.

Sol a pino doí

A enxada não cava

A água se foi faz tempo

Benesses da temporada.

Sertão, Sertão, Sertão

Alma, corpo, pão

Alegria nos lábios

De chuva na estação.

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Os justos estão engaiolados em suas casas; os bandidos, soltos pelas ruas

jul 25 2015 Published by under Zé do Bode

Rapaz, este mundo está de pernas para o ar. Na semana passada, visitei um primo meu na capital, não foi bem uma visita, hospedei na casa dele, furei a boia dele, dormi em uma cama dele… Primo é primo, fazer o quê. Ao chegar, primeiro parei defronte ao portão da residência, fiquei alguns minutos observando aquele tamanho de muro. Alto pra caramba! Para que tudo aquilo? Pior, sobre o muro havia uma cerca elétrica. Pensei que estava diante a uma fortaleza, ou a um presidiu de segurança máxima. Toquei o interfone. Tomei um susto. A voz do meu prime dizia meu nome: “O primo Zé chegou”. Como ele sabia que era eu? Que casa estranha. A porta abriu em segundos. Adentrei. Em seguida a porta se fechou. Andei três passos e me esbarrei em uma grade. Para que tudo isso? pensei intrigado. Dois cães logo apareceram. Estava explicado, era a gaiola dos cães. Mas como eu faria para chegar à varanda da casa? A porta se abriu e o primo veio em minha direção. Recebeu-me com muita alegria. Antes de abrir a jaula, ele pôs os cães nas correntes. Indaguei ao primo o que significava tudo aquilo. Ele apontou para alguns pontos, disse-me que havia câmeras por toda parte, observava até a rua. Imaginei que o primo estava louco. Falou-me que tudo aquilo era para a segurança dele, dos filhos e da esposa. Cocei minha cabeça. Como pode uma prisão ser o local seguro para uma pessoa de bem? “Tenho medo, o mundo está muito perigoso – afirmou o primo”. No nosso sertão somos livres feito pássaros, aqui na capital eles estão felizes quando estão presos. Como entender algo assim? “Nas ruas fervilham de bandidos, trombadinhas, delinquentes; a qualquer momento você pode ser vítima de bala perdida”. Quer dizer que a liberdade das ruas são para os marginais e a gaiola para os justos? A que ponto nosso País chegou. E ainda têm loucos que dizem que Deus é brasileiro. Deus é paz e amor, não compactua com o terror. Fiquei na capital por dois longos dias. Agora estou sentado em minha velha cadeira na varanda de meu barraco, pitando cachimbo e contemplando o belo luar. Será se meu primo algum dia já viu a Lua cheia? Uma coisa é certa, o sol quadrado ele ver todos os dias.

Crônica de Zé do Bode.

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Um ovos, três ovo

Em Água Quente, hoje Érico Cardoso, existiu uma pessoa que nos deixou muitas histórias. Aqui postamos um pequeno fato relacionado à vida de Biaca.

Biaca em uma roda de conversa entre amigos disse certa vez:

- Mulher boa é a de compadre João.

- Por quê, Biaca? – indagou alguém.

- Hoje na hora do almoço, eu pedi a ela que fritasse um ovos e ela fritou para mim três ovo.

A gargalhada foi total.

- Como é que é: eu pedi um ovos e ela fritou três ovo? – ironiza o amigo em farto sorriso.

- É os plurais das palavra– sentenciou Biaca com o seu jeito irreverente.

História de Biaca.

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Torneio de melhor canto no reino animal

jul 22 2015 Published by under Fábula

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A inveja também habita o reino animal. Sempre haverá um ser querendo usurpar o trono de outro. É o mesmo jogo que leva os humanos a digladiarem por algumas migalhas de pão. Todos almejam a glória, os troféus, as coroas de louro. Vencer faz parte, ganhar sempre é bom, ser campeão então não há palavra que se expresse tal sentimento.

No reino dos pássaros, em um mundo paralelo, todos os anos se realiza uma competição para escolher a ave campeã de canto. Os passarinhos passam os doze meses se exercitando para soltarem seus dons no concurso. O espetáculo atrai bichos de todas as espécies, um show de ilustres tenores.

O pássaro Cardeal é tricampeão do torneio, nos últimos três anos, os holofotes só estiveram na sua direção, reina absoluto no palco. Ô bichinho que canta! Canta demais este passarinho de cabeça vermelha. Entrava na disputa deste ano como um dos favoritos, contudo não seria uma parada fácil, todos treinaram forte para tentarem acabar com a hegemonia dele. O campeão passou um ano sem muitos treinos, voltou a praticar seriamente há apenas sete dias. Com três títulos, com muita fama, faltava-lhe tempo para se aprimorar. É um legitimo brasileiro, basta ganhar uma única vez para se acomodar feliz, cair na farra, beber, namorar; treinar deixa para as horas vagas que nunca chegam.

A Papagaio Louro passou o ano inteiro treinando pesado para desbancar o grande campeão. De tanto repetir, ficou bem mais afinado do que o próprio Cardeal. Estava confiante, pois sabia da sua potencialidade. Levava no canto do bico um sorriso malicioso, era a sua vez de receber aplausos, de ser coroado, de erguer um troféu de melhor passarinho cantador.

O torneio começou em uma manhã linda de verão, dia fresco, havia chovido na tarde anterior, palco ideal para uma boa disputa. O evento iniciou com o Pássaro-preto, este um grande cantador, teve uma brilhante performance, todos o aplaudiram de pé. Em seguida, subiu ao palco o Canário da Terra. Que apresentação! Também soltaram o canto: o Sofrê, o Quem-quem, o Trinca-ferro, a Fogo-pagou, a Coruja-buraqueira, o Periquito-maracanã, o Tiziu, o Sabiá, o Bem-te-vi, entre outros. Cada apresentação mais bela que a anterior. Seria difícil a escolha do melhor. Os jurados roíam as unhas, um olhava para o outro indeciso.

Já era final de tarde, por sinal, um lindo pôr do sol enfeitava o céu, restavam-se apenas dois participantes a se apresentarem: o Louro e o campeão o Cardeal. O locutor anunciou no microfone: “Agora ao palco, o Louro”. O animal subiu todo esbelto, trajando um terno, pimpão bem penteado. O apresentador fez o sinal para que o aspirante a astro iniciasse a sua apresentação. O Louro começou, todos ficaram de boca aberta, atônitos. Como ele conseguia imitar tão bem? Terminou a apresentação, todavia não recebeu sequer uma única salva de palmas. Achou estranho, ficou mal-humorado, com raiva, nervoso.

É chegada a hora do grande campeão, andou ao palco devagar, a plateia hipnotizada parou até com a respiração, contemplava a grande estrela, mostrava-lhe respeito. O Cardeal soltou o conto, algo melodioso, com notas suaves, firmes, finas e inéditas. O público o aplaudia de pé, muitos assovios, muitos “Já ganhou! Já ganhou!”. Um verdadeiro gênio do canto se curvava em agradecimentos. Antes mesmo de terminar a apresentação, o veredito já era certo. O Louro insatisfeito resolveu protestar:

- Contesto o resultado! – gritou o Louro.

- Mas nem houve resultado ainda – respondeu o apresentador.

- E precisa? Pela a alegria de todos, já sabemos que o Cardeal ganhou novamente. Fui melhor que ele, minha afinação foi perfeita, sou merecedor do troféu de campeão.

- De fato tudo que você disse é verdade, mas o senhor perdeu no quesito autenticidade. Se o senhor tivesse participado de um concurso de imitação, com certeza, seria o vencedor, pois imitou perfeitamente o canto do Cardeal. Para ser campeão deste torneio o participante precisa ser em primeiro lugar original.

O Louro deixou o recinto de cabeça baixa, triste e desconsolado. Participou de vários torneios de imitação, em todos saiu com o troféu de primeiro colocado. Contudo sua frustração era que nunca se consagraria campeão do outro torneio, pois só sabia imitar, criar era algo estranho a sua mente. Foi um campeão, passou a vida toda frustrado.

Moral da história: Imitar, a grande maioria consegue, mas criar algo novo, isso é apenas para alguns santos escolhidos a dedo por Deus.

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Quando a morte chegar, a porta estará aberta para visitas

jul 19 2015 Published by under Poesia

Quando a morte chegar, a porta estará aberta para visitas

***

Quando a morte tocar a sua pele

O calor sumirá

O frio passará

O chão a carne comerá.

Quando a morte tocar seus olhos

O brilho dissipará

A luz passará

A cor da vida se perderá.

Quando a morte tocar seus membros

Seus dedos não movimentarão

Suas pernas não mais andarão

Suas mãos uma sobre a outra repousarão.

Quando a morte tocar seus pulmões

O ar lhe faltará

O sangue se intoxicará

A voz se abafará.

Quando a morte tocar seu cérebro

Seu passado evaporará

Sua vida desaparecerá

O seu corpo o caos operará.

Quando a morte tocar seu coração

O amor se suicidará

O rancor partirá

A sua vida como uma linha ficará.

Quando a morte tocar de leve

Um arrepio de baixo para cima lhe tomará

Um pavor assombroso lhe abraçará

Uma sensação de derrota lhe magoará.

Quando a morte tocar a campainha

Se tem pernas corra

Se tem coração saiba dizer não

Se gosta mesmo da vida

Sorria

Pois quando a morte tocar

Estando preparado ou não

Se despediu ou não

Estando de acordo ou não

Ela apenas toca de leve

O restante todo mundo já sabe:

Caixão e vela preta.

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Empréstimo Consignado nem a pau!

jul 16 2015 Published by under Zé do Bode

Hoje fui ao banco para retirar meu beneficio da previdência. Ao chegar lá, o gerente logo veio me atender, fez-me sentar em uma poltrona confortável, mandou trazer café, biscoitos, ofereceu-me até uísque. Pela primeira vez na vida, senti-me como gente. Seria eu um rei? Tudo isso porque sou um aposentado. O homem começou com o seu palavreado enrolado, vai para um lado, volta, começa a repetir o começo, tentava dá um nó em meus neurônios. Quanto mais a conversa prolongava, mais eu gostava. Até ar-condicionado tinha a minha disposição. Ao final, ele me disse que havia um negócio ótimo para mim. Tudo aquilo já era bom demais, agora um negócio bom… Pedi a ele que adiantasse a conversa, disse que estava gostando. O gerente me falou de dinheiro, de um empréstimo, de móveis novos, de uma TV de Led, ar-condicionado no quarto, geladeira, computador. Eu não estava acreditando no que ele me dizia. Parecia ser ele o gênio da lâmpada. Explicou-me que só precisava de meu aval, de uma simples assinatura. Indaguei-o sobre do que se tratava. “Trata-se de Empréstimo Consignado”. Desejava que eu assinasse os papeis na hora, sem sequer ler o que estava escrito. Para surpresa e desgosto dele, falei que em minha casa o galo cantava fino, que quem mandava era a mulher, sem o consentimento dela, nada feito. Deixei as dependências do banco com o meu dinheiro mensal. Dirigi-me para casa, mas antes parei para prosear com o velho amigo João Caboré. Ao adentrar em sua residência, antes humilde, agora toda equipada, levei um baita de um espanto. De onde havia saído tudo aquilo? Ele me respondeu que o gerente do banco lhe emprestou alguns dinheiros, que em pouco tempo estaria tudo pago. Quantos meses: “Vinte e quatro, passa voando”. Em dois anos? Demorará muito não. Estava com sede e pedi-lhe um copo com água, de preferência gelada. Recebi como resposta que só havia água do filtro. Mas e a geladeira nova? “Cortaram a energia da minha casa. Fiquei sem pagar a conta”. Quer dizer que o matuto compra tudo isso e deixa cortar a energia. Coisa de louco. Caboré me explicou que o beneficio dele ficou reduzido, passou a receber uma merreca, mal estava dando para comer. Pobre homem, no terreiro dele o galo canta fino, a mulher o obrigou a pegar o dinheiro oferecido pelo gerente. Indaguei-o quanto tempo iria ficar recebendo a merreca; disse-me que em dois longos anos. A matuto desgraçado! Vinte e quatro meses é pouco, contudo dois anos são longo. Compadre, João Caboré, o gerente me tentou enfiar este tal de empréstimo consignado goela abaixo; sou da roça, porém não sou besta; mentir, disse que lá em casa quem mandava era a mulher, o besta acreditou. Lá em casa, o galo canta grosso e cedo. Galo vacilou, ficou preguiçoso; faca no pescoço e panela! Meu avô já me dizia: “Quando vem em sua porta, corra, pois se fosse bom, não chegava a lhe oferecer”. Devemos sempre obedecer os mais velhos. Agora fica o governo incentivando o povo a tomar o Consignado; os bestas entram de cabeça; no final, os grande se tornam maiores, e os pequenos só diminuímos de tamanho. Mês que vem voltarei ao banco, desta vez vou aceitar o uísque.

Crônica de Zé do Bode.

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O Brasil precisa de mais cadeias, porque bandidos temos aos milhares

jul 12 2015 Published by under Zé do Bode

Outro dia desses eu assistir em um telejornal uma matéria falando da votação na câmara dos deputados de um projeto que foi intitulado de Maioridade Penal. Parece que os deputados estão insatisfeito com a quantidade de presos e querem encarcerar ainda mais pessoas nas cadeias e presídios do Brasil. Se for aprovada a tal Maioridade Penal, os jovens de dezesseis anos passarão a ser tratados como um adulto qualquer. Mas com tantas ideias a voga, fica-nos uma indigesta indagação: “Onde irão prender essas pessoas”. Antes de diminuir a faixa etária, primeiro precisaríamos levantar mais locais para engaiolarem a multidão que em breve estará chegando a procura de um espaço. As cadeias já estão abarrotadas, os presos que lá entram geralmente saem pior. Reeducar o delinquente e torna-lo um homem de bem seria a meta maior do sistema penitenciário de qualquer nação. Criar leis por criar, ou apenas para agradar eleitores, pouca serventia tem. Temos uma Constituição que por si só já garantiria uma pátria honesta e justa para com os seus filhos, contudo fica sempre esquecida nas estantes.

 Sou morador do Sertão, nasci em meio a mandacaru e pedregulho, sou um cabra sofrido, tenho as mãos calejadas, a pele queimada, os pés rachados, carrego nos ombros o peso cruel de uma nação perversa. Sou filho do Brasil, mas nem parece. Diante a tantos problemas ainda assim não reclamo da vida, não me revolto e nem tampouco me perco a praticar delitos. E olhe que até fome há dias que passo, pior é ver minhas crias chorando pedindo pão, um copo de suco, e eu não tenho para oferece-lhes. Todos os motivos para me revoltar, eu tenho, contra o sistema opressor em que vivo, todavia sei que a vida para alguns não são verdadeiramente vida, e sim padecimento em cima de padecimento. Como posso viver dentro do Brasil e ao mesmo tempo tão longe. O mundo moderno sequer sabe se eu existo, para ele sou um mero animal. Desta forma meus ancestrais foram obrigados a criar suas normas, seus costumes, suas leis. Herdei dos meus pai, meus pais herdaram dos meus avós, meus filhos estão herdando de mim. Cria minha basta ver meus olhos que já entende o que quero dizer. Na hora das refeições, primeiro fazemos uma oração agradecendo pelo alimento, nenhum se atreve a servir, a minha companheira serve um por um, não há conversa. Se for preciso usar o chicote, não penso duas vezes. Todos eles me ajudam na lida. Nenhum nunca levantou a mão contra o patrimônio de alguém. A educação primeira é a de casa.

Crônica de Zé do Bode.

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Por que matamos os rinocerontes?

jul 09 2015 Published by under Zé do Bode

Fiquei triste, muito triste ao ver no telejornal uma matéria sobre a morte de rinocerontes e de elefantes na África. Matam-se apenas para a retirada dos cifres e dos marfins, produtos de alto valor no Oriente. A matança é enorme, porém ilegal. Quem somos nós para agirmos desta forma contra outras espécies? A vida dos animais se pautam no seu valor econômico, como os cifres valem bastante, os traficantes saem a caça, pelo caminho deixam os enormes corpos aos abutres. A reprodução de tais animais é demorada, se nada for feito a tempo, corre-se o risco deles entrarem em extinção.

Moro aqui no Sertão, em meio a cactos e juazeiros, terra esturricada e cheia de pedras, na seca tudo lembra a morte. A natureza do local é essa, tem as suas fazes. Lembro-me bem de no passado dá de testa nas minhas saídas pelo mato com suçuarana, raposas, veados… Nos dias do presente sumiram, os exterminaram todos. Nossas matas estão silenciosas, com a chegada do rifle o aniquilamento ganhou assustadoras proporções. Como já não temos mais veados e onças, matam-se os preás, os tatus, os teiús, os mocós… Não sei como será o futuro, às vezes fico a matutar, tudo tão lindo e nós insistimos na destruição. Quando eu era garoto, certo dia acuei um preá, o pobre animal inofensivo me encarou, seus olhos eram de medo, sabia que a morte o espreitava; eu me tinha pronto para deferi o golpe fatal, contudo algo me roubou a atenção: “Zé, Zé! Para quê, Zé? Olhe o medo do animalzinho”. Baixei a cabeça, ao levantar, o preá já não se encontrava mais. Quase teria me tornado um assassino. Agradeço a Deus até hoje por não carregar em minhas cortas a culpa de ter exterminado uma vida.

Crônica do Zé do Bode.

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Um ano passou rápido, rápido foi a Alemanha fazer sete no Brasil

jul 08 2015 Published by under Zé do Bode

Gol da Alemanha! Quem não se lembra desta memorável frase do Galvão: “Gol da Alemanha”. Uma frase que soará por muitos e muitos anos nos ouvidos daqueles que viveram tal momento. O “Gol da Alemanha” apagou de vez a derrota na Copa de Cinquenta para o Uruguai em pleno Maracanã lotado; o “Gol da Alemanha” afundou de vez a fragilizada rede do bagunçado futebol brasileiro; diante ao “Gol da Alemanha” parecíamos a patinhos inofensivos encurralados por um faminto leão. Foram tantos os “Gols da Alemanha” em tão pouco tempo que nos pareceu aos tantos corruptos desmascarados em um ínfimo espaço de tempo na pátria amada e idolatrada por todos nós. Chegamos rapidamente ao sétimo “Gol da Alemanha”, talvez não tão rápido como naquela memorável partida; para os alemães, algo para ser lembrado sempre; para nós, um pesadelo a ser esquecido. Mas como esquecer tal desastre? A casa caiu em plena festa. A nação que parou o país para assistir ao espetáculo do ano, em poucos minutos foi humilhada, ultrajada e por último lançada na face a temida realidade em que nos encontramos. Os sete gols sofridos são apenas sete motivos para refletimos sobre nossos erros. Perder faz parte do esporte, ganhar também. Glorificamo-nos por ser o país do futebol, após o vexame nem isso mais somos capaz de idealizar. O nosso povo sofrido caminha vacilante em direção a um futuro áureo, o nosso maior problema é que acostumamos ao “Jeitinho Brasileiro”, que não passa de malandragem, esperteza, coisa vil.

Como posso me esquecer daquela tarde, tinha preparado meu rancho, pinga, cerveja, carne assada, um feijão farofado de encher a boca d’água; comprei foguetes, bandeira, camisa amarela da seleção, enfeitei o terreiro com bandeirolas; os garotos comiam pipoca e bebiam refrigerantes; uma verdadeira festa. Estava tudo preparado para nossa classificação para a grande final contra nossos eternos rivais, os argentinos. Mas veio a goleada e os “Gols da Alemanha”. A tristeza tomou conta do Sertão, nossa farra virou velório. Ninguém queria acreditar naquele terror. Os garotos e as mulheres em prantos, os homens xingavam todo tipo de palavrão. Nossos jogadores nos deram um “Cavalo de Troia”. Naquela noite não consegui dormi, tomei quase um litro de aguardente.  Depois meditei melhor, sacudi a poeira, segui minha estrada, com o coração manchado, com o gosto pelo futebol esvaziado de mim. Nunca mais vi o esporte com o mesmo entusiasmo. Os jogadores da seleção foram cruéis com o povo brasileiro, conseguiram diminuir pela metade a paixão que existia pelo futebol. É triste, contudo o brilho acabou, acabou a emoção, a emoção de sentar e sorri com uma partida bem jogada, com a magia dos dribles, com os gols. Para finalizar com chave de ouro: “Gol da Alemanha”. “Gol da Alemanha”. “Gol da Alemanha”…

Crônica de Zé do Bode.

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