Archive for: abril, 2015

Mata o bicho, Chico!

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Na nossa região todos conhecemos o famoso Padre Benvindo, muitas histórias pululam a respeito dele no imaginário popular.

Certo dia, não, não, não, certa noite, o Padre Benvindo iria realizar uma Missa na Sede do município de Água Quente (Érico Cardoso). Momentos antes do início da cerimônia: “Cadê o Sacristão? Por onde anda Seu Oscar?”. Ninguém sabia dizer. “Como poderemos começar a Missa do Galo sem o Sacristão? Corram, tragam-me um aqui e agora”. As pessoas entraram em pavoroso. Quem serviria de Sacristão? Ninguém desejava tal comprometimento. Sem alternativa, a única opção foi Chico. O pobre homem, como dizem por aqui: “Já estava pra lá de Bagdá”.

A cerimônia começou, o Padre falava, rezava as ladainhas, levanta, senta, os devotos cantavam… Chico a segurar o turíbulo, sempre a sacudi-lo, a fumaça aromatizava de incenso todo o recinto. O Padre levanta a hóstia, em seguida o cálice contendo o vinho. Naqueles segundos, uma mosca distraída atolou no vinho, nadava inutilmente tentando se salvar. O Padre ao perceber o episódio, disse ao Sacristão:

- Mata o bicho, Chico!

Era tudo o que Chico mais queria na vida. Avançou ao cálice e em uma golada só sorveu o líquido com mosquito e tudo.

- Chico, eu lhe pedi para matar o bicho e não para tomar o vinho! – berrou o Padre embravecido.

Sem graça, Chico resmungou:

- No linguajar nosso, “Matar o Bicho” é beber em um gole só.

Os presentes se fartaram de tanto sorrir.

História baseada em fatos reais.

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Um celular por mil reais é barato; um livro por quinze, é caro

abr 21 2015 Published by under Crônica

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É sabido por todos da Nação brasileira que nós brasileiros temos preguiça para estudar e pavor em ler. Andamos na contramão do progresso, a maioria do nosso povo é analfabeto funcional. A evolução do Brasil sempre andou pela estrada do marasmo, do “deixe a vida lhe levar”.  Neste clima de sol e festa, estimular a mente chega a ser abominável, os que assim procedem se dão muito bem.

Outro dia desses escutamos uma mãe de um aluno da rede pública dizer: “A professora pediu para que meu filho comprasse um livro de literatura para ser trabalhado no semestre. Comprar livro numa crise desta! Ela só pode está louca”. A mulher saiu a procura do referido livro, de porta em porta, queria emprestado. Se encontrou, não sabemos. O livro na internet custa aproximadamente quinze reais, como é um livro antigo, no sebo, encontrar-se-á abaixo de dez reais. Um livro por dez reais é barato ou caro? A mesma mãe deu ao filho um celular de mil reais, o garoto não precisou sequer chorar.

Se a geração atual não gosta de ler, a antecedente peregrinou pelo o mesmo caminho. A leitura tem o poder de transformar, de pegar um ser morno e transforma-lo em alguém de destaque no mundo. Precisamos aprender a gostar dos estudos, da leitura. “A sociedade só evolui com livros”.

Na internet estamos criando leitores voadores. Há uma matéria, o título aparece em alguma página nas redes sociais levando abaixo uma foto carregando um link que o direcionará a outro site; o indivíduo lê o título, observa a foto, se for do seu interesse, aperta no link, ao abrir a matéria apenas passa os olhos pelo começo e pelo final, satisfeito procura por outro assusto. As pessoas dizem que não têm tempo, mas o grande tempo perdido rolando a página do Facebook para baixo dura horas, no final, não se encontra quase nada, na maioria trivialidade da vida cotidiana: “levantei agora, estou tomando banho de piscina, que prato delicioso, olhe como estou linda”.

Mudar é difícil e complicado, todos sabemos, continuarmos agarrados aos nossos defeitos é burrice, chega a ser patético repetir tais palavras. Presenteie seu filho com um livro, procure o assunto que mais o interessa. Devemos começar devagar, que seja lida uma única página por dia, logo passará a duas, três, quatro…

Tomara que alguém tenha lido este texto. Interessante ou não, pequeno ou grande, que nasça neste leitor o gosto pela leitura.

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Os últimos passos de Jesus

abr 05 2015 Published by under Poemas

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Os últimos passos de Jesus

***

Um Galileu se diz rei

Senhor da terra e do céu

Qual o nome do infame?

Sabemos ser Cesar o rei

Dizem que ele cura

Restitui a visão aos cegos

Faz andar os aleijados

Qual o nome do impostor?

Jesus o Nazareno

Filho de um carpinteiro

José e Maria são seus pais

Um filho de Nazaré?

Como pode ser um rei?

Onde estar seu reino?

Há soldados a seu redor?

Sem terras e sem soldados

Todo rei tem soldados

Impostor isso ele o é

Legiões o acompanham

Ameaças a Roma

Tragam Jesus até a mim.

*

Trinta denários por um rei

Um dos amigos traidor

Traído com um beijo

Amargurado na alma

Seguiu o caminho de dor.

*

Por três vezes negará

Antes que o galo cante

Não és como uma rocha?

Irmão, Pedro, a estrada

Possui espinhos e pedras

O suor será de sangue e fel

Vacilar o corpo vai

Mas a alma seguirá.

*

Jesus o Nazareno!

És tu soberano rei?

Meu reino não é palpável

Não é ele deste mundo

Onde estar sua pátria?

Cadê seus seguidores?

Um rei possui soldados

De terras faz um reinado

Por que eles não o defendem?

Há paz na casa do pai

Moradas existem várias

Levar-te-ei a julgamento

Mesmo não vendo em ti mal

Seu povo decidirá.

*

Na Páscoa um prisioneiro

É libertado por mim

Povo de Roma, hoje

Diante os vossos olhos

Postos dois prisioneiros

De um lado Barrabás

Lá Jesus de Nazaré

Por ser Páscoa um deles

Vocês o libertarão

Solte Barrabás ou Jesus?

Liberdade a Barrabás!

Liberdade a Barrabás!

Teu povo te trai, Jesus

Crucifique o impostor!

Crucifique o impostor!

Liberdade a Barrabás!

Liberdade a Barrabás!

Na água lavo-me as mãos.

*

Tragam ao rei uma coroa

Um rei que não tem terra

Nem tampouco soldados

Uma coroa de espinhos

Agora sim és um rei

Soldados, o chicote!

Batem uma, duas, três vezes

Com mais força, soldados

Quero ver o sangue jorrar

Um pagamento justo

Roma pune os infiéis

Soldados, tragam a cruz

Ao dono lhe dê o prazer

De leva-la ao Gólgota

Batam mais fortes, homens

Esfolem o falso rei.

*

Pelas ruas levava

Pesada e forte cruz

O povo em gargalhada

Aplaudia o sufrágio

Berravam feitos loucos

Gritavam impropérios

Jesus em chagas vivas

Seguia o caminho de dor.

Pacato e quieto

Revertido em lágrimas

Triste e desolado

Sozinho marchava ao fim

Um ser quis ajuda-lo

Tomou-lhe a cruz dos ombros

Cada qual carregue a tua

O homem vacilante

Tendo o corpo cansado

De pé em pé andava

Para o ponto mais alto

Cumprindo a Escritura

Seria na cruz pregado.

*

Sobre o morro do terror

Cruzes em pé alertavam

Que homens lá padeciam

Em um lugar sem amor

Jesus jogado na cruz

As suas mãos esticadas

O primeiro prego varou

Um gemido pulsante

Sangue bastante sangue

Vazou no ferimento

Voltou a marreta lançar

Para empurrar o prego

O segundo em segundo

A mão e a madeira

Num golpe só trespassou

Grito mudo e calado

Aumentado tão logo

Nos pés outro prego varou

Posto ao alto a cruz

O Homem teve sede

Vinagre o fez tomar

Com uma lança um furo

Soldados se alegrando

Outros dois homens tristes

Breve fecharão os olhos

Um pedido a ele fez

Amavelmente disse

Ao chegar ao seu reino

Não se esqueça de nós

Se com um ramo verde

Fazem o que fizeram

O que farão com um seco?

Senhor Deus, perdoai-vos

Pois não sabem o que fazem.

*

Os olhos de dor e paz

Fecharam para o mundo

Levando o Cordeiro

Deixando a esperança

Nossa Terra perdida

Um caminho encontrou

Nas palavras do Cristo

Na fé do nosso Senhor

O sol que agora brilha

Alimenta os pássaros

Fortalece as flores

Ilumina o caminho

Para que os humanos

Confiantes percorram

Vencendo a si mesmo

Eliminando o rancor

Do coração doente

Egoísta e avaro

Enraizando em seu solo

Paz, ternura e amor.

Fonte da Foto: Google.

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