Archive for: março, 2015

Vendem-se conselhos

mar 13 2015 Published by under Crônica

conselhos

Em uma tabuleta sobre a entrada de uma barraca de feira livre levava o seguinte dizer: “Vendem-se conselhos”. As pessoas passavam e sempre paravam por alguns segundos a meditar sobre a frase. Quem é o doido que deseja vender conselhos? Os transeuntes estacionavam, observavam, mas nunca adentravam. O vendedor paciente esperava pelos clientes sentado em um esteira sobre o chão.

Um senhor ao ler a tabuleta ficou indignado, enfurecido, quis tirar satisfação.

- Onde já se viu vender conselhos! Quem é o engraçadinho? Esse merece uma boa lição.

Adentrou à barraca. Deparou-se com um homem sentado a meditar. Parou por algum tempo, esperava que o homem olhasse para ele, todavia o vendedor continuava na sua posição habitual.

- O senhor é mudo? Não ver que tem uma pessoa dentro do seu estabelecimento.

- A pessoa que aí está é cliente? Deseja ele compra-me alguns conselhos?

- Você é muito engraçadinho! Que negócio é este de vender conselhos?

- Sempre quando eu dava de graça alguns conselhos a alguém, o mesmo virava e me dizia: “Se conselho fosse bom, não se dava, vendia-o”.

- Você é um ladrão safado! Vagabundo!

- Posso lhe dá um conselho?

- Pode?

- Mas custará cem reais.

- Que desgraçado! Eu não vou lhe pagar sequer um centavo pelos seus conselhos. Ladrão, isso sim é o que você é.

- Primeiro conselho: “Se eu fosse você, ficaria quieto”.

- A boca é minha, falo o que bem quiser. Você é um ladrão, safado, vagabundo.

- Segundo conselho: “Trate bem as pessoas”.

- Você merece é cair na porrada, isso sim.

- Terceiro conselho: “Pague a quem deve”.

- Eu não devo a ninguém.

- Claro que deve. Eu lhe vendi três conselhos agora mesmo. O senhor me deve trezentos reais.

- Você só pode está louco. Não vou lhe pagar nada.

- Vai sim, e agora.

- Não vou.

- Então lhe levarei à justiça.

- Não lhe pago nada, pois não comprei nada em sua mão.

- Tudo que passa em minha barraca está sendo filmado. Se você não me pagar o que me deve agora, pagará bem mais perante à justiça. O senhor me chamou de ladrão. Vou lhe processar. Estar tudo gravado. Tenho câmeras instaladas no meu estabelecimento.

O homem gelou de cima para baixo. Por ser honesto, tirou dos bolsos os trezentos reais e jogou sobre o vendedor de conselhos.

- Quarto conselho…

- Não precisa, não precisa, já estou de partida. – deixou o lugar correndo. – Não quero mais conselhos.

- Quarto conselho: “Nunca acredite no que os outros falam de imediato”. Aqui neste lugar não há câmera alguma. Vender conselhos é melhor que dá conselhos.

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Querem explicar Deus

mar 06 2015 Published by under Crônica

Explicar algo inexplicável é banal ao estremo. Na ânsia de criar sentido a tudo o homem procura no seu intelecto caminhos que o tire do lamaçal nebuloso em que se encontra. Diante à amplidão do mundo, à exuberância das coisas reais, à pequenez do indivíduo perante à majestosa obra, o ser pensante se ver envolto à dúvidas que o reduz a quase nada. Raciocinar vem a ser um ponto positivo, mas que na singular situação podemos ver como um ponto de dor, já que sem as respostas para as indagações o homem se sente humilhado no seu alto ego.

Dizem que Deus criou o mundo. Um Deus eterno, todo poderoso, infinito, bom, justo… Damos ao nosso Criador todas as bases que nos convém. O que falam são opiniões humanas, vontades melhor espessarmos. Metemo-nos a explicar fenômenos que nos fogem a compreensão. Nossa mente é um bosque fértil onde os sonhos correm soltos.

Tudo que germina tem na sua base uma semente. Alguma força fez brotar as coisas que nossas retinas vislumbram. Dizermos ser essa força Deus. O que viria a ser justo e bom? Sempre o homem observa o mundo de acordo a sua ótica, pensando ser ele o centro. A bondade de Deus seria apenas em consonância com a vida humana, outros seres fariam parte para satisfazer o progredir dessa espécie.

Devemos deixar Deus em paz. Sentimos a pujança do mundo. Os fenômenos naturais que seguem uma lei e que mesmo sendo muitos deles destruidores ainda assim são belos e fantásticos. Não conseguimos entender conceitos mais simples, nosso campo mental ainda é pequeno demais para tal. Vencer nossos preconceitos, abandonar certas tradições, nas muitas das vezes nos aparentam como fora da realidade. O homem no desejo de ser Deus cria conceitos de dominação, para um falso sucesso, reina no seu ínfimo universo. A Força vital das coisas vibra e se acomoda por todos os lugares, somos uma pequenina parte dela, como não a podemos ver de fora, nossa visão se resume a um cantinho, quase nada do todo.

Nossos sentidos não dão conta de responder ou formular conceitos de Deus. A imaginação nos leva a caminhos diferentes, possibilidades diversas existem, mas chegar a um denominador preciso parece-nos utopia.  A fé, a esperança de que nossos sonhos se pautem dentro da realidade nos faz seguir confiantes. Sem essa fé teríamos uma vida restrita aos anos de existência de cada um. Viver com prazo de validade seria uma cruz pesada demais para os humanos carregar, ainda mais a certas pessoas que nasceram em prejuízo. Nossa mente nos incute um futuro glorioso, uma chama no peito diz isso, tomara que seja o sopro Divino a nos incutir a verdade suprema.

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Espírito de Porco

mar 03 2015 Published by under Crônica

porco-espirito

Neste mundo o que não faltam nunca são pessoas a tentar pôr a paz de outrem em conflito. Este tipo de gente sempre chega com face de bom amigo, conversa, exprime seu ponto de vista, parece a um ser angelical. Mas aos poucos colhe um ponto em determinado assunto e começa. Ataca o outro com palavras afiadas a lhe ferir o ânimo. O rancor que carrega no coração deseja contaminar toda a sociedade, sentir-se-á feliz levando dor e desgraça à felicidade do amigo. Um verdadeiro “Espírito de Porco”. Quem se deixa levar por suas leviandades passará um dia mal. O desgraçado é tão astuto que procura as piores maneiras para deferir seus golpes baixos. É uma espécie de ratazana social. Doente procura transmitir sua cólera, primeiro, aos amigos, já que a sua inveja é tamanha que o sucesso alheio o incomoda, o faz chorar de raiva. Um “Bicho de Porco” que persegue a vítima incessantemente. Se você estiver diante a uma pessoa assim, corra, fuja, não o dê ouvido. O abismo dele o danado desejo que os outros se afundem juntos. Neste mundo, sempre uma boa distância afugenta futuros desgostos. Todos têm problemas vários, não queira culpar o mundo pelos seus insucessos. Suma, Espírito de Porco!

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