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Os brasileiros estudam pouco

fev 27 2015 Published by under Crônica

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Qual a virtude que diferencia o ser humano dos demais seres? A única e maior vantagem nossa diante os demais bichos é a capacidade que temos de raciocínio. Pensar, refletir, aprender, atributos que fazem com que a raça sapiens se evolua e se distancia dos demais grupos. Na longa história humana, não tão longa quanto de outros seres, buscamos o conhecimento como forma de dominação do ambiente e de preservação da espécie. Sem essa vontade, seriamos presas fáceis na cadeia alimentar.

Nós humanos somos tão frágeis que perdemos em habilidade para quase todos os seres. Dentro da água somos péssimos nadadores. Qualquer lambari mergulha melhor que o mais dotado dos homens. Um dos sonhos maiores nosso era poder voar, a inteligência nos colocou no céu nas asas das aeronaves, mas voar igual aos pássaros até o momento só nos ares da imaginação. Um insignificante vírus pode em poucas horas acabar com uma pessoa. Se não fosse a inteligência, certamente nossa raça estaria extinta da face da terra há muito tempo.

Olhando o atual momento do cenário brasileiro, tentamos entender, contudo não chegamos a uma resposta satisfatória. A educação escolar das crianças e dos nossos adolescentes como tem andado? Peguemos os anos de 2014 e início de 2015. As aulas terminaram no começo de dezembro de 2014, até aí tudo dentro da normalidade. Já estamos no final de fevereiro e as aulas ainda não começaram na rede pública de ensino de Paramirim. Segundo boatos que flutuam pelas ruas e praças é que as aulas irão começar no dia nove de março. Se as aulas terminaram no início de dezembro e irá começar quase na metade de março, pelas contas temos um pouco mais de três meses de férias. Dezembro, janeiro, fevereiro e um pouco mais de descanso.

Professores afirmam ganhar pouco, todavia nos parece que trabalham pouco também. Foram mais de três meses de férias. No decorrer do ano são vários os feriados prolongados. No mês junino têm as paralisações em detrimento dos festejos. Os alunos têm pouco tempo para assimilar bastante conteúdo. Sem levar em conta que o tempo presente cobra bem mais de nós referente ao aprendizado do que em outras épocas passadas.

As escolas particulares são mais organizadas, essas voltaram às atividades no início de fevereiro. Como a cobrança é maior por parte de quem paga, o ensino permeia por caminhos mais seguros, carga horária maior, professores mais compromissados com a obrigação. O problema é que só possui esse direito quem tem recursos suficientes para pagar a salgada conta.

A maioria dos alunos adora essa féria exorbitante, ama os feriados, sem prestar atenção que o mundo ficou competitivo demais para os de pouco conhecimento. A seleção natural não para, seleciona sempre os melhores. Ler livros para os nossos jovens só quando são obrigados, tendo como recompensa uma nota na matéria. É preocupante para um País que quer sair do ostracismo em que se encontra. Na falta de profissionais qualificados perdemos recursos preciosos e tempo.

Se nós somos dotados deste poderoso mecanismo que se chama raciocínio, trabalhá-lo parece ser a nossa obrigação. O peixe nasce sabendo nadar e vive assim até o final da vida. Para os humanos, seres diferenciados na cadeia alimentar, tudo se faz diferente. O filho que abre os olhos para a vida, se não tiver os cuidados necessários nos primeiros anos de existência, perece antes mesmo da gesticulação da primeira palavra. Com as nossas crianças e adolescentes se comporta da mesma maneira, se não tivemos instituições fortes, comprometidas com o ideal maior que é ensinar, perderemos nossa geração para os mais variados vícios. O trabalho dignifica o homem, antigo ditado popular. A educação eleva o ser, coloca-o acima da ignorância do mundo.

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