Archive for: fevereiro 14th, 2015

O povo paga a conta

fev 14 2015 Published by under Crônica

brasil-povo

Engraçado, muito engraçado, engraçadíssimo, cômico, muito cômico, uma verdadeira palhaçada. Somos povo. O povo precisa comer. O povo não sabe votar. O povo, sempre o povo. Agora, nestes dias de muitas incertezas, dizem por aí que o povo pagará a conta. O povo pergunta: mas que conta é esta? A conta da energia, a conta dos combustíveis, a conta dos pedágios, a conta do feijão, resumindo, todas as contas, inclusive, é claro, não podemos deixar de mencionar, a conta salgada do senado e da câmara dos deputados. É conta demais, bicho. Estou lascado, pois faço parte do povo.

O governo aumentou tudo, primeiro os salários dos deputados, senadores, presidente e ministros. E o que o povo tem a ver com isso, pergunta alguém desconfiado. Você é povo? Que se dane o povo. Povo nasceu foi para sofrer. Por isso aumentei também tudo o que o povo precisa. O povo precisa comer, aumente o imposto dos alimentos. O povo precisa se locomover, pau na gasolina. O povo gosta de leite, deixe o branco amargo. O povo aguenta, aguenta calado. Povo é povo desde quando me conheço por gente. Se o povo se revoltar e for as ruas, tenho um remédio, pão e circo. O povo se desmancha em risada. Faz parte do povo.

O que fazer sendo povo? Sofrer? Gritar? Gemer? Não, não se desgaste à toa. O governo não quer seu povo infeliz, quer um povo ordeiro, um povo que paga seus tributos em dia. O povo é obrigado a seguir o que manda a lei, a constituição. O povo indaga: mas e a parte dos líderes, eles são ou não obrigados a cumprir, já que a constituição os obrigam também. O povo tem direito a educação. O povo tem direito a saúde. O povo tem direito a água potável. Os políticos zombam: povo não sabe ler, por isso leu a coisa de cabeça para baixo. Pobre povo de uma nação rica, à margem da sociedade é burro de carga para boa vida dos que se dizem acima do povo.

O povo paga o uísque caro, paga as viagens de avião, paga os hotéis cinco estrelas, paga mansões, paga a conta dos seus carcereiros. Em troca o povo recebe chutes, tabefes, bofetadas, pau no lombo, gravata, coices, mordidas, e o pior, é obrigado a carregar por toda a vida as pesadas correntes de um sistema negro e corrupto. Aí vem um e grita: A voz do povo é a voz de Deus. Do alto olham os governantes, em risadas zombam: O povo delira no seu eterno pesadelo. Fecham com a memorável frase: Que se dane o povo.

Comments are off for this post