Archive for: fevereiro, 2015

Alegria de Pobre dura pouco

fev 28 2015 Published by under Crônica

Por um momento os pobres do Brasil, as dezenas, as centenas, os milhares, os milhões, sonharam em ter uma vida com um pouco mais de comodidade. O governo generoso criou programas para incentivar a compra de automóveis e eletrodomésticos. O povão se endividou comprando de tudo, geladeira, ar-condicionado, televisores, computadores… Os pobres começaram a ter uma vida razoável. Passamos a tomar água gelada, passamos a esquentar os alimentos no micro-ondas, passamos a acessar a internet no celular ou no computador. Depois de ter engordado os caixas das grandes empresas em um ato “generoso” o governo mudou a regra. Agora a energia e os combustíveis estão subindo, os impostos sobre eles aumentaram, o caixa do governo subirá. Os pobres têm suas modernidades, mas já não podem mais usar. Breve acontecerá no Brasil a onda avassaladora de cortes de eletricidade das residências, muitos não conseguirão pagar o abuso. Os pobres deixarão nas garagens os carros de luxo como em um museu. A política de incentivo ao consumo foi uma isca para pegar pobres, depois que compraram todas as bugigangas, o jogo mudou novamente. Para que ter uma casa equipada se a conta da eletricidade será além do salário do mês. De fato: “Alegria de Pobre dura pouco”. Glória, glória, fomos mais uma vez iludidos, somos idiotas.

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Os brasileiros estudam pouco

fev 27 2015 Published by under Crônica

aulas-sem

Qual a virtude que diferencia o ser humano dos demais seres? A única e maior vantagem nossa diante os demais bichos é a capacidade que temos de raciocínio. Pensar, refletir, aprender, atributos que fazem com que a raça sapiens se evolua e se distancia dos demais grupos. Na longa história humana, não tão longa quanto de outros seres, buscamos o conhecimento como forma de dominação do ambiente e de preservação da espécie. Sem essa vontade, seriamos presas fáceis na cadeia alimentar.

Nós humanos somos tão frágeis que perdemos em habilidade para quase todos os seres. Dentro da água somos péssimos nadadores. Qualquer lambari mergulha melhor que o mais dotado dos homens. Um dos sonhos maiores nosso era poder voar, a inteligência nos colocou no céu nas asas das aeronaves, mas voar igual aos pássaros até o momento só nos ares da imaginação. Um insignificante vírus pode em poucas horas acabar com uma pessoa. Se não fosse a inteligência, certamente nossa raça estaria extinta da face da terra há muito tempo.

Olhando o atual momento do cenário brasileiro, tentamos entender, contudo não chegamos a uma resposta satisfatória. A educação escolar das crianças e dos nossos adolescentes como tem andado? Peguemos os anos de 2014 e início de 2015. As aulas terminaram no começo de dezembro de 2014, até aí tudo dentro da normalidade. Já estamos no final de fevereiro e as aulas ainda não começaram na rede pública de ensino de Paramirim. Segundo boatos que flutuam pelas ruas e praças é que as aulas irão começar no dia nove de março. Se as aulas terminaram no início de dezembro e irá começar quase na metade de março, pelas contas temos um pouco mais de três meses de férias. Dezembro, janeiro, fevereiro e um pouco mais de descanso.

Professores afirmam ganhar pouco, todavia nos parece que trabalham pouco também. Foram mais de três meses de férias. No decorrer do ano são vários os feriados prolongados. No mês junino têm as paralisações em detrimento dos festejos. Os alunos têm pouco tempo para assimilar bastante conteúdo. Sem levar em conta que o tempo presente cobra bem mais de nós referente ao aprendizado do que em outras épocas passadas.

As escolas particulares são mais organizadas, essas voltaram às atividades no início de fevereiro. Como a cobrança é maior por parte de quem paga, o ensino permeia por caminhos mais seguros, carga horária maior, professores mais compromissados com a obrigação. O problema é que só possui esse direito quem tem recursos suficientes para pagar a salgada conta.

A maioria dos alunos adora essa féria exorbitante, ama os feriados, sem prestar atenção que o mundo ficou competitivo demais para os de pouco conhecimento. A seleção natural não para, seleciona sempre os melhores. Ler livros para os nossos jovens só quando são obrigados, tendo como recompensa uma nota na matéria. É preocupante para um País que quer sair do ostracismo em que se encontra. Na falta de profissionais qualificados perdemos recursos preciosos e tempo.

Se nós somos dotados deste poderoso mecanismo que se chama raciocínio, trabalhá-lo parece ser a nossa obrigação. O peixe nasce sabendo nadar e vive assim até o final da vida. Para os humanos, seres diferenciados na cadeia alimentar, tudo se faz diferente. O filho que abre os olhos para a vida, se não tiver os cuidados necessários nos primeiros anos de existência, perece antes mesmo da gesticulação da primeira palavra. Com as nossas crianças e adolescentes se comporta da mesma maneira, se não tivemos instituições fortes, comprometidas com o ideal maior que é ensinar, perderemos nossa geração para os mais variados vícios. O trabalho dignifica o homem, antigo ditado popular. A educação eleva o ser, coloca-o acima da ignorância do mundo.

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Políticos sem vergonha

fev 26 2015 Published by under Crônica

plenario

Brasil, oh meu lindo Brasil, o que fazem contigo? Uma nódoa de pilantragem fere a dignidade deste País múltiplo. Qual a tua verdadeira riqueza? Os morcegos do poder subjugam a soberania em bem próprio, legislam a seu favor, punem os honestos e os trabalhadores. Brasil, mostre a tua cara. Brasil, expulse do seu solo os pilantras, os corruptos, os bandidos. Brasil, meu querido Brasil, terra santa, pátria amada e idolatrada, por favor, volte a brilhar.

Aos políticos as benesses do suor alheio, a usurpação do patrimônio Nacional; ao povo a covardia de leis punitivas e coleiras de imposta repressão. A quem buscar? Não temos guardiões. Estamos sozinhos em meio a lobos famintos. Os impostos atrofiam a Nação para dá vida boa à meia dúzia de astutos. Covardes, infames, capetas revertidos de anjos.

O País em caos às portas de uma profunda recessão. Caminhoneiros em atos de protestos tentam qualquer vantagem no lamaçal de desilusão. A justiça pronta a descer o cacete. O povo que paga a conta foge feito rato, esconde-se das feras. Em qual direção seguir? Quem poderá nos defender? Chamem rapidamente o Chapolin Colorado. Vamos delirar, pois a realidade é opressora.

Os governantes tentam maquiar as verdades, mentem diante às câmeras. Eles têm nas suas vans sabedorias que o povo é fraco e idiota. Posam de terno e gravata com ares de gente importante. Canalhas que legitimam o roubo que ora fazem da pátria. Dentro da lei tudo pode florescer a qualquer instante, se não existe uma lei que acobertem seus delitos, fácil criar uma para atender aos anseios do enxame de vespas assassinas.

Faltam estradas, falta educação, falta emprego, falta dignidade. Pobre sofre calado, pobre pena nas longas filas, esperam por benefícios garantidos que não são ofertados pelo poder que se julga como tal. Os homens de terno estão nos seus gabinetes, de canetas em punho, prontos para acanetar em favor do próprio bolso. Em plena crise, eles aumentam seus salários. Ainda saem a dizer que não haverá impacto, que não custará nada para a Nação, que é apenas a correção. Correção de que se os meliantes entraram no cargo no exato ano?

Olhar para os velhos sentados em suas poltronas, mentindo, roubando, é de se enlouquecer. O que leva um velho a fazer algo assim? O salário deles é alto, possuem a seus dispor todas as regalias, mesmo assim acham pouco. Em plena crise elevam suas vantagens. Nos seus discursos posam como andorinhas, quietas, não elevam as vozes, a eloquência dos dizerem some no salão. Canalhas! Nesse jogo não há direita nem tampouco esquerda, são todos amigos, farinha do mesmo saco. Cala-se a situação, emudece-se a oposição, a conta quem paga mais uma vez é o povo. Canalhas! Mil vezes canalhas.

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Falando do Amor

fev 22 2015 Published by under Poesia

Falando do Amor

*

Amor é desejo que queima e cobra

É cobertor que protege e afoga

É compaixão pelo irmão que chora

Labaredas crescente que no corpo se acomoda

Mar manso de satisfação as almas que olham

Mãos estendidas a dor da desilusão

Sentimento que se expressa nas formas

Pulsa em ondas invisíveis

Pelos poros do ser brota

Contagia e se deixa enfeitiçar

Machuca com seus caninos a carne

Ao mesmo tempo cola

Para o amor sempre as flores

As mais doces palavras

Do cosmo todas as belezas

Poesia e exaltação

É sequência, é ritmo, é ordem

Não machuca

Prolifera

Os opostos nele se unem

Na sua eternidade é deus

Não morre.

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Pagando propina

fev 19 2015 Published by under Contos

dinheiro_propina

Quem nunca ouviu falar no “Jeitinho Brasileiro”. Um legítimo filho da Nação, obra prima das mentes deste povo criativo. Anda por todos os locais, adora repartição pública, entra nos templos religiosos, dá olé nos gramados, palpita sem ser chamado à questão. O sucesso do indivíduo por aqui depende exclusivamente desse padrinho nacional. É cafetão, é bajulador, é bom de papo, é tudo o que você possa imaginar. Encontrando-se em uma enrascada, grite por ele, com certeza sairá do apuro na hora.

Estava um rapaz a dirigir seu automóvel pelas ruas pacatas da cidade pequena onde residia. Quanto menor o município, maior parece o poder do jeitinho brasileiro. Ao lado encontrava-se seu pai. Do nada ele foi surpreendido. Um guarda o mandava encostar. O que o homem da lei desejava? O coração do motorista batia forte, chegava a ouvir as pancadas no ouvido, suava frio. Algo esse guarda quer. Coisa boa não pode ser.

- Por favor, habilitação e documento do veículo.

Os documentos foram entregues à autoridade. Continuava a tremer.

- Tudo certo.

Que alívio escutar “tudo certo”, pensou o rapaz.

- Mas…

Meu Deus do céu, que diabo de “mas” é esse. O coração queria sair pela boca novamente.

- Por que os dois não estão usando cinto de segurança?

- É mesmo. É fruto do hábito.

- Sou obrigado a lhe multar.

- É seu dever cumprir com a sua obrigação de autoridade.

- Claro. Autoridade deve cumprir com o que manda a lei.

- Seu guarda, o senhor me cobra algo, contudo quem me defenderá das atrocidades do Estado?

- A Justiça.

- O mesmo governo que ora me aplica a multa, que me pune por uma falta, de nada sofre. Adiante, olhe os buracos na via. Quem multará o governo?

- Faz parte do sistema.

- Se eu não usar sinto de segurança, o grande prejudicado será eu mesmo.

- Não. Se você for hospitalizado após um acidente, o Estado gastará no tratamento do acidentado.

- Como? Os hospitais estão à beira da morte. Alguém lá não deveria levar uma multa?

- Não faz parte da minha jurisdição multar hospitais.

- Não tem jeito mesmo?

- Sempre tem um jeitinho.

- Tem?

- A natureza é tão linda. Dois peixes resolverão seu problema.

- Dois peixes? Tenho na carteira um peixe e uma onça.

- Desta vez eu farei um desconto pra você, mas só desta vez.

Os dois colocaram os cintos e seguiram. O jeitinho brasileiro reina soberano. A vida prossegue, a vida continua.

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O povo paga a conta

fev 14 2015 Published by under Crônica

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Engraçado, muito engraçado, engraçadíssimo, cômico, muito cômico, uma verdadeira palhaçada. Somos povo. O povo precisa comer. O povo não sabe votar. O povo, sempre o povo. Agora, nestes dias de muitas incertezas, dizem por aí que o povo pagará a conta. O povo pergunta: mas que conta é esta? A conta da energia, a conta dos combustíveis, a conta dos pedágios, a conta do feijão, resumindo, todas as contas, inclusive, é claro, não podemos deixar de mencionar, a conta salgada do senado e da câmara dos deputados. É conta demais, bicho. Estou lascado, pois faço parte do povo.

O governo aumentou tudo, primeiro os salários dos deputados, senadores, presidente e ministros. E o que o povo tem a ver com isso, pergunta alguém desconfiado. Você é povo? Que se dane o povo. Povo nasceu foi para sofrer. Por isso aumentei também tudo o que o povo precisa. O povo precisa comer, aumente o imposto dos alimentos. O povo precisa se locomover, pau na gasolina. O povo gosta de leite, deixe o branco amargo. O povo aguenta, aguenta calado. Povo é povo desde quando me conheço por gente. Se o povo se revoltar e for as ruas, tenho um remédio, pão e circo. O povo se desmancha em risada. Faz parte do povo.

O que fazer sendo povo? Sofrer? Gritar? Gemer? Não, não se desgaste à toa. O governo não quer seu povo infeliz, quer um povo ordeiro, um povo que paga seus tributos em dia. O povo é obrigado a seguir o que manda a lei, a constituição. O povo indaga: mas e a parte dos líderes, eles são ou não obrigados a cumprir, já que a constituição os obrigam também. O povo tem direito a educação. O povo tem direito a saúde. O povo tem direito a água potável. Os políticos zombam: povo não sabe ler, por isso leu a coisa de cabeça para baixo. Pobre povo de uma nação rica, à margem da sociedade é burro de carga para boa vida dos que se dizem acima do povo.

O povo paga o uísque caro, paga as viagens de avião, paga os hotéis cinco estrelas, paga mansões, paga a conta dos seus carcereiros. Em troca o povo recebe chutes, tabefes, bofetadas, pau no lombo, gravata, coices, mordidas, e o pior, é obrigado a carregar por toda a vida as pesadas correntes de um sistema negro e corrupto. Aí vem um e grita: A voz do povo é a voz de Deus. Do alto olham os governantes, em risadas zombam: O povo delira no seu eterno pesadelo. Fecham com a memorável frase: Que se dane o povo.

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Servindo as Forças Armadas a pulso

alistamento_militar

No Brasil a lei obriga o cidadão a servir as Forças Armadas. No passado, há alguns anos, ir para o Exército implicaria sérios riscos. Se necessitasse ter que lutar em alguma guerra, naqueles tempos a iminência de conflitos era grande, a pessoa estaria frente a frente com uma morte prematura. Muitos indivíduos tinham pavor só em pensar sobre um possível alistamento.

Um filho da região do Vale do Paramirim, certo dia, recebeu um comunicado, um documento exigindo a sua apresentação na Capital baiana para se alistar. O homem perdeu o sono, perdeu a fome, teve vários pesadelos.

Neste tempo do recebimento da intimação ao dia aprazado para estar diante ao oficial, ele refletiu sobre uma maneira de se ver livre desse maldito incômodo.

Os dias passaram rapidamente, na data e no horário determinado, lá estava ele sentando, em uma cadeira dura, frente ao general. O relógio marcava dez horas.

- Qual é o seu nome? – indaga o general, encontrava-se de cabeça baixa.

O silêncio acolhia todo o recinto, quebrado apenas por um canto de um passarinho em uma gaiola na parede.

- Qual é seu nome? – volta a perguntar.

O rapaz permaneceu imóvel, olhar fixo para o general.

- O leão comeu sua língua foi? Como você se chama? Não me faça de idiota.

O rapaz apontou com o dedo para o peito, dava a entender que ele tentava se comunicar por códigos.

- O senhor é surdo-mudo?

O homem permaneceu imóvel e com o seu olhar sempre fixo. Por sua vez o general deixou o rapaz sentado e começou a trabalhar com as suas anotações. Volta e meia indagava algo, porém não recebia resposta. Já se passava do meio-dia, a fome tomava conta dos dois.

- Já é mais de meio-dia, estou com uma fome – murmurou o general.

 O surdo-mudo pôs seu plano abaixo, a fome o traiu:

- Eu também – afoitamente disse ele. – Ops! Me dei mal.

- Surdo-mudo! Querendo ludibriar a autoridade? Irá servir o Exército sim, seu cabra! Agora me responda: qual é o seu nome?

- Fulano de tal.

- Não entendi. Fale mais alto. Soletre!

- F-u-l-a-n-o d-e T-a-l.

- Teremos o maior prazer em lhe ensinar boas maneiras. Uma delas é a de não mentir para autoridade nenhuma. A primeira coisa que faremos é a raspagem do seu cabelo.

- Eu não posso ficar aqui. Tenho que cuidar dos meus filhos.

- O surdo-mudo recuperou suas habilidades. Sua esposa cuidará bem deles. Sebastião!

Um rapaz vestido uniforme do exército apareceu rapidamente.

- Leve o homem e dê a ele as primeiras instruções. Espere. Parece que ele está com fome, só sirva o almoço daqui duas horas. É para aprender a não mentir. Agora o leve. Já.

História baseada em fatos reais.

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Por onde anda mesmo o machado?

Certo dia, em algum mês do passado da região de Paramirim, uma figura muito conhecida naquela época, todos o chamavam de Felin, chegou à residência de Dona Pequena, entrou pelo portão dos fundos, passou pelo quintal, parando na porta da cozinha.

- Dona Pequena! – gritou ele.

- Quem é? – indaga a senhora em outro cômodo da casa.

- É Felin.

- Como eu queria lhe ver, Felin. – de imediato chegava à cozinha.

- Como vai a senhora.

- Vou bem, meu filho. Estou precisando de um serviço seu.

- Pode dizer.

- Minha lenha cortada acabou, preciso que você rache os paus que estão próximos ao muro.

Ele levantou o olhar para o local, em seguida disse:

- Tem muito, vai demorar uns dois dias para terminar o serviço.

- Rache um pouco, outro dia você retorne para rachar o restante.

- Tudo bem. Mas de barriga vazia eu não vou conseguir rachar sequer dois paus. Estou com fome. Tomei apenas um cafezinho preto de manhã, sequer um pedaço de pão tinha para comer.

- Vou fazer um prato.

- Capriche, a fome é grande, e o trabalho, também.

Dona Pequena trouxe um prato a derramar pelas bordas. Felin, segurando uma colher firmemente, afoito, começou a devorar o alimento. Poucos minutos e o prato estava vazio.

- Dona Pequena, já terminei. Tem um cafezinho aí?

- Temos sim, Felin.

Ele tomou o café devagar, olhou para o horizonte, enfim disse:

- Onde está o machado?

- Está encostado no quarto lá nos fundos.

- Me mostre ele.

A senhora chegou ao local e não o encontrou, procurou por todas as partes, nada. Chamou um dos filhos, mas o machado insistia em não aparecer.

- Dona Pequena, eu vou à venda de Nelson. Se a senhora encontrar o machado, mande alguém chamar a minha ilustre pessoa.

- Certo.

Pelo mesmo portão que havia entrado, ele saiu. Ao pôr os pés na rua, desapareceu no mundo.

No outro dia cedo, uma criança brincava em um monte de areia no quintal da casa de Dona Pequena, ao passar a mão em certo local, sentiu algo estranho, ao cavar um pouco encontrou o machado enterrado.

- Vó, encontrei o machado! – gritou a criança, a mesma sabia que a avó procurava pelo objeto.

Dona Pequena ao se inteirar que o machado estava enterrado na areia deduziu logo o que tinha acontecido. Felin ao entrar pelo quintal, sabido como era, a primeira coisa que fez foi enterrar o machado. Comeu e não trabalhou. O mundo é mesmo dos espertos.

História baseada em fatos reais, fatos esses da história da região do Vale do Paramirim.

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Brasil a passos largos para uma recessão

fev 06 2015 Published by under Crônica

recessao

A economia brasileira vem ao longo dos últimos anos mostrando sinais nítidos que cedo ou tarde entraria em uma recessão profunda. O ano de 2014 foi de muitos gastos, Copa do Mundo, Eleição, entre outros episódios corriqueiros. A inflação acima do desejado e o desaquecimento do comércio tiram o sono dos governantes. Para pôr ainda mais sal nesse angu de caroços a Natureza também dá o seu quinhão.

As medidas impopulares tomadas pela Presidente da Republica neste momento amargo, atributos que deveriam ter postos em prática em outras ocasiões mais oportunas, não os foram devido à politicagem e o ensejo de se continuar no poder. O horizonte escuro esconde tempestades, ventanias, raios, trovões… A população adormecida acorda nesta manhã anormal e indaga o que realmente está acontecendo. Seria um pesadelo? Nação de gente pacata, gente que só pensa no bolso, no agora. Viver a nuance de uma vida repleta de vícios e opulências. Enquanto isso, exaurimos os recursos naturais que o planeta Terra nos oferece de graça.

A falta de água parece que veio para ficar, pelo menos até tomarmos consciência e encaramos a realidade com racionalidade, respeito, inteligência e seriedade. Os cientistas já alertavam para o que no momento toma boa parte do País. Mas o que fizemos? Os governantes empurraram e empurram com a barriga, pensando que nunca chegaria a hora de pagar a conta deixada em aberto por vários anos seguidos. A população conivente destrói a fauna, a flora e os rios em prol do bolso.

O Brasil corre sérios riscos de sofrer pela falta de energia. Sem eletricidade, não tenha duvida, a Nação parará por completo. Faltaram políticas públicas, faltaram medidas claras para que a iniciativa privada pudesse investir. Vimos a corrupção corroer o já existente; vimos a burocracia de um País atrasado emperrar ainda mais as engrenagens do progresso; vimos a farra das propinas para que um único tijolo seja posto no lugar. A classe política refém do sistema que ela mesma criou é vista por todos como um morcego vampiro causador dos obstáculos que impedem que o País cresça.

O aumento dos combustíveis causou estardalhaço na mídia. O Governo protegendo a galinha dos ovos de ouro sucateou a indústria do etanol. Incentivou a venda em larga escala de automóveis e motocicletas. Vender combustíveis parece um bom negócio, no momento sim, contudo é um bem finito e grande poluidor. Devemos patrocinar as mentes brilhantes para que elas busquem novas fontes, descubram meios para a substituição dos combustíveis fósseis. Andamos na contra mão, contra o sensato, contra o plausível. Pensamos apenas no gozar o hoje. Que se dane o futuro.

Com o crédito fácil, presenciamos uma multidão buscar nos bancos dinheiro para adquirir imóveis e carros de luxo. O certo seria para o investimento, para alavancar a economia, para criar condições para que cada cidadão tivesse o pleno poder para desenvolver suas aptidões, todavia o Governo abriu os cofres e deixou sair de todos os jeitos e formas os recursos da Nação. Resultado, atualmente, temos uma população endividada. Os juros voltaram a crescer, levantar dinheiro começa a ficar difícil na praça. Se a recessão realmente chegar, muitos quebrarão. Os sinais não são bons, contudo há um jargão que diz que nas crises é que acontecem os verdadeiros crescimentos. Aqueles que comiam farinha e passaram a degustar goiabada com creme, talvez voltem aos dias de farinha. Pelas facilidades do mercado, muitos são o que nunca foram exatamente, com a recessão voltarão a ser o que sempre foram de direito.

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Seleção Natural versos Seleção Social

fev 05 2015 Published by under Crônica

Pássaros

Quem já sentou em um banco de escola tem uma nítida noção do que venha a ser a Seleção Natural das Espécies. Charles Darwin, naturalista britânico, percorreu várias partes do Globo em sua embarcação de nome Beagle, elaborou sua obra de maior cunho científico, de grande valia para a sociedade. Os seres são selecionados pelo ambiente, cada característica é fundamental para o sucesso. Por que o pinguim consegue sobreviver no frio da Antártica? Por que o tatu suporta o calor do Sertão? Se o tatu for habitar o Polo Norte, morrerá nas primeiras horas. O mesmo se dará com o pinguim, na Caatinga será presa do próprio ecossistema, perecerá. As mudanças acontecem devagar, nesse espaço de tempo somente os mais adaptados perpetuarão suas espécies.

Atualmente notamos um novo ciclo se operar. Com a intervenção do homem, com a construção das grandes e pequenas cidades, com as práticas predadoras do ser pensante, espécies em breve serão extintas, já outras gozarão da predominância nesses novos ecossistemas feitos de ferro e cimento. Os ratos se proliferam pelos esgotos, lixões, casas abandonadas… Não haverá mais preás, pacas, cutias, os ratos reinarão soberanos. Coelhos, por serem fofos e bonitos, viverão, apenas, porém no interior das casas como animais de estimação. Os bovinos serão confinados simplesmente para oferecerem a vida ao prato dos restaurantes. O homem mesmo sem se atinar dita as regras do jogo. A Seleção Natural foi para o brejo.

Ontem detivemos o olhar a um bando de pardais em plena cantoria, uma reflexão sacudiu na cabeça. Essas pobres aves, consideradas por muitos como pragas, têm um canto sem graça, suas cores não alegram os olhos. Mas são os pardais que estão se dando bem com o viver moderno dos homens. Esses animais comem os restos no lixo, constroem seus ninhos nos telhados, ninguém consome sua carne, ninguém os quer preso em gaiolas. Proliferam no céu como os ratos nas entranhas das cidades, viraram pragas.

 Os canários, os pintassilgo, os sabiás, os curiós, os trinca-ferro, os cardeais, os corrupiões, as siriemas, entre outros passarinhos hábeis cantadores estão sendo trucidados pela proeza que possuem no gogó. Tais pássaros são aprisionados, a espécie não consegue gerar mais descendentes, o silêncio toma conta das matas, das praças e dos quintais. O homem no seu orgulho desmedido quer ter tudo a seu poder. Nos atuais dias já não encontramos canários a alegrar o ambiente, por todos os lados apenas pardais. Somos culpados pela exterminação da beleza que a Natureza produziu no decorrer dos séculos. No futuro teremos poucos seres, na sua maioria os domésticos, ou os que servem para a alimentação do homem. É triste, mas é o fim.

Sejamos sensatos, precisamos dá uma oportunidade para que a Natureza se regenere, não queiramos ter o desgosto de no vindouro nosso lar venha a ser um ambiente estéril. Os papagaios precisam voar pelo céu das matas e das cidades, os sabiás merecem o sossego dos parques e jardins, os azulões, as margens dos lagos para alegrar o nascer e o pôr do sol. Simplesmente um sonho, um delírio de alguém que analisa o agora com preocupação no futuro.

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