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Briga entre mulheres

jan 15 2015 Published by under Crônica

A sociedade cria no seu interior uma intrincada teia de acontecimentos variados que coloca os humanos como atores reais desse teatro universal. De tudo se acontece um pouco, a loucura parece nos dominar, cada caso se transforma em um episódio para se contar.

A feira livre é um local singular para fatos notórios germinarem. Na multidão diversificada da feira o conflito de interesses faz brotar atritos e confusões de todas as cores e formas. Nessa maior manifestação cultural da sociedade, onde os seres buscam de tudo, do feijão ao arroz, da aguardente ao fumo de corda, do frango caipira as panelas de barro; as histórias que ganham vidas se multiplicam do nada.

De repente, um alvoroço, as pessoas correm, muitas gritam, outras choram. Uma roda se abre no meio da multidão, no centro duas mulheres, duas feras, uma querendo arrancar a cabeça da outra. Você deitou com o meu namorado, sua vagabunda, berrava uma. Não gosto de cabra frouxo, vociferava a outra. O conflito girava em torno de traição. A mulher que era ofendida diante sua própria barraca, diante seus próprios fregueses, apanhou uma arma sobre a mesa. Agora você verá quem é a vagabunda aqui, gritou ela. A outra arregalou os olhos, recuou. A oponente se aventurou contra a rival. Um segundo, a oponente passou a faca na outra. O povão gritou, gritava, pedia para que chamassem a polícia. A mulher voltou a procurar por sua vítima, iria acabar com aquela arruaça logo. Outra vez, para pânico do público, passou a faca na outra. A mulher gritava, chorava. Cadê a coragem da sem vergonha, indagava a mulher de arma nas mãos. Aventurou mais uma vez, o povão sentiu o fim, a gritaria era imensa, intensa, assustadora. Como em um raio, a mulher voltou a passar a faca na outra. A rival tombou dura no chão de cimento. Cadê a coragem da vagabunda, indagava a mulher com um sorriso nos lábios. Sou do norte, não tenho medo de homem para ter medo de mulher, desta vez só passei uma faca na outra, da próxima passarei no bucho da dita. Os policiais então chegaram ao local. O episódio já havia tido o seu desfecho. A mulher que caíra desmaiada acordou meia atordoada, precisou de água e de alguns aromas para voltar em si. A feira seguiu seu ritmo constante, apenas mais um fato acontecido no seu seio.

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