Archive for: janeiro, 2015

O Terrorismo Humano

jan 28 2015 Published by under Poemas

fome

O Terrorismo Humano

***

Oh Deus grande! o que fazer?

Somos vítimas do medo

Reféns do maldito terror

Homens matam em seu nome

Oh Deus, todo poderoso

Aos poucos matamos o amor.

***

Oh Deus, quanto vale a vida?

Para muitos pouco custa

Pessoas cultivam o rancor

Sem rota, cansados, andam

Oh Deus! pai bondoso e justo

Conceda-nos um bom pastor.

***

Oh Deus, que é paz e ternura

Cabeças caem feitas a umbus

Mulheres afogam no pavor

Crianças perdidas vagam

Oh Deus, dê fim a agonia

Governe-nos com leis e rigor.

***

Oh Deus, conhece seus filhos?

São seres verdes e impuros

A maldade é seu gestor

Adoram as trevas a luz

Oh Deus, onde foi seu erro?

Do todo feito o que faltou?

***

Oh Deus, da vida e da morte

Para que tanta loucura?

Mancha negra o dedo pintou

O amargo tingiu a obra

Oh Deus, do Céu e da Terra

A sua luz a fera borrou.

***

Oh Deus, olhe aos desvalidos

Guie os filhos ao certo passo

Amenize o desamor

Restitua a paz ao mundo

Oh Deus, não nos abandone

A cruz pesada é o que restou.

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Mudança de hábitos

jan 24 2015 Published by under Crônica

obeso

A vida moderna curou vários hematomas que trucidavam os indivíduos nos tempos pretéritos. Se vencemos muitas doenças, ganhamos outras com a nova postura humana. Os hábitos vão se acomodando de acordo às exigências do momento. A alimentação que era a base de produtos naturais, passou no decorrer dos últimos anos a ser quase toda manufaturada.

Estava eu a praticar meu exercício rotineiro, final de tarde, na orla da lagoa, alternância entre caminhada e corrida. A natureza ao redor é uma pintura, de um lado a água, do outro, o pôr do sol; pássaros cantam, alguns animais pastam o capim verde… O que fazemos ali é bem mais que atividade física, é terapia contra o stress dos afazeres diários. Muitos estão por gostar do esporte, outros por pura imposição da vida.

Em certa parte, três homens dialogavam, um deles sempre vai à orla fazer caminhada, os outros dois poderíamos dizer que são meros turistas. O pouco que escutei deu para entender do que se tratava. O mais gordinho, usando short jeans, sandália, camisa polo, estava atento a conversa. O rapaz dizia que andava cerca de oito quilômetros. O gordinho achou aquilo algo de outro mundo. Como pode, andei cerca de cem metros e já me sinto exausto, indagava-o.

Outro atleta passou correndo e gritou: “E aí, rapaz, qual foi o médico?”. O primeiro remédio que os profissionais da medicina receitam aos pacientes chama-se caminhada. Se chega à orla uma pessoa diferente, gorda ainda por cima, com certeza foi imposição do médico.

O gordinho afoito a comidas gordurosas passou por uma bateria de exames. Ao receber o resultado quase caiu duro. Tudo nas alturas, por sinal, após tantos anos de comilança e bebedeira herdou dos maus hábitos o diabetes. Preocupado com o futuro foi a orla praticar uma caminhada. Aquele lugar não era a sua praia, sentia-se um estranho, sem jeito mantinha-se na retaguarda. Por que Deus foi fazer isso logo comigo? Pensava o pobre coitado. Gosto mesmo é de comer, beber, farrear. O que será de mim? continuava a delirar sufocado pelo seu calvário.

Os dias passaram e o gordinho acabou sumindo da orla, preferiu abandonar por um momento os conselhos do médico a gastar um pouco a sola dos pés. Mudar sempre é difícil, esquecer os prazeres, cortar as raízes da vida por completo e cultivar outras totalmente diferenciadas, algo pesado demais para um ser humano. Mas a vida nos impõe, quando menos esperamos, obstáculos, a princípios, enormes demais a serem vencidos. Em dado momento, não há alternativa senão avançar no novo caminho. Os que fogem e se escondem na preguiça perdem a oportunidade de gozar de uma existência mais saudável.

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A coisa estar ficando feia

jan 22 2015 Published by under Crônica

meio-ambiente

O nosso Brasil ultimamente vem sendo chacoalhado por inúmeros acontecimentos, fatos esses receados de dramaticidade. A Natureza sofrida com as atrocidades levantadas ao seu patrimônio tendo no seu bojo o fator causa e efeito ver seus fenômenos alterados. O homem atônito com as novas dificuldades da existência social sente na pele a punição dos seus atos impensados e egoísticos.

Em bem ao luxo e a opulência de uma classe dominante o meio ambiente é exterminando. As matas dão espaços a enormes fazendas de gado, os rios morrem assoreados, a mineração rasga o chão em busca de minerais preciosos, o ar é contaminado pelo combustível fóssil… Onde antes o verde era predominante, o agora somente asfalto e cimento. O medo de uma sobrecarga do sistema vigente faz os governantes se arrepiarem.

Governos corruptos e descompromissados com a saúde do Planeta desaparecem da mídia temendo as consequências daquilo que ignoraram por completo. Nos grandes centros a água torna-se artigo de grande valor, ao mesmo tempo por serem metrópoles mal planejadas temem fortes chuvas. A poluição das fábricas e dos escapamentos dos automóveis diminui o bem-estar. O calor fruto do aquecimento global aumenta o desconforto e o transtorno.

Diante um quadro dessa magnitude cabe ao animal pensante, pensar. A Terra tem seus recursos finitos. O homem não pode e nem deve de uma única vez, de uma hora para outra, torrar tudo em nome dos prazeres que apenas intoxicam o corpo. Ser racional com a nossa casa, não ceder aos pedidos de alguns seres que só enxergam apenas o dinheiro, quem sabe não seria o caminho sensato a ser seguido. Enquanto ficarmos nos escondendo, fingindo vivermos num paraíso, os dias passam, os problemas se agigantam, as soluções vão se tornando de difícil resolução.

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O vendedor de pães

jan 19 2015 Published by under Crônica

pao_frances

Nas madrugadas da vida pessoas se lançam na labuta diária para a conquista do pão. Acordam antes mesmo do galo soltar seu primeiro turrado. São seres das noites iguais aos morcegos e as corujas. Cada pessoa leva nos ombros o saco que lhe fora confiado, cada qual procura suas aptidões para melhor enche-lo. Enquanto acordar cedo para muitos é sofrimento demais, para outros é a única alternativa de sustento.

O homem com o seu carrinho vara a escuridão, destino, a padaria. Ele anda devagar, cabeça baixa cobrando pelo sono que deixara na cama macia. Não consegue pensar em nada, anda passo a passo sem se importar com os acontecimentos que giram ao seu redor. Um gato preto sobre o muro, o cão que fareja uma lata de lixo, um automóvel estacionado quase no meio da rua, um muro que foi posto ao chão, passou por tudo isso como se nada existisse. Para ele apenas o trabalho, mas naquele momento o prazer do descanso o atraia mais. Que se dane as coisas do mundo, trocaria tudo por meu sono em minha cama, pensava ele. Neste espaço há correntes que nos fazem escravos das necessidades, mesmo essas não existindo visivelmente.

O rapaz com o carrinho abarrotado de pães saiu a peregrinar pelo seu caminho rotineiro. O sono deixava de o incomodar à medida que os raios do sol se levantavam no horizonte. Com a sua buzina alertava os fregueses que era hora de comprar o pão para o café da manhã. Aquele pom-pom corria pelo espaço indo de encontro aos tímpanos dos que os aguardavam. Cada residência uma pequena pausa, acionava sua buzina duas vezes, esperava; o cliente saia bocejando, pedia a quantidade de pães, pagava e voltava para o conforto do lar. O vendedor continuava na sua luta.

Certo dia, uma senhora, freguesa já de mais de mês, pediu-lhe o de sempre, logo foi entregue as mãos dela uma sacola cheia de pães. A mulher com a sacola na mão direita disse ao vendedor que não tinha dinheiro no momento, que anotasse. Ele redarguiu dizendo que não trabalhava com fiado. Ela retrucou que era uma cliente honesta, que nunca dera cano em ninguém. O rapaz com medo de perder a freguesa, cedeu ao apelo.

A senhora começou a comprar e a pagar, comprar e a pagar. Em uma dada manhã, após várias buzinadas, a senhora não apareceu para buscar os pães. O vendedor estranhou o ato, mas seguiu, alguma coisa poderia ter acontecido com ela. Passou dez dias seguidos, nada da mulher aparecer. Ao meio dia, hora do almoço, ela certamente estaria em casa, o vendedor de pães se dirigiu a residência da devedora, apertou a campainha, a dita saiu. Ao vê-lo, de imediato, falou com aspereza, fez cara de mal. Quando soube que o rapaz estava ali cobrando, a mulher se transformou, virou uma fera, disse que era uma afronta com a família dela, que ninguém nunca tivera a petulância de agir assim antes, afirmava que não iria pagar de jeito algum, pois era uma insulto muito grave. O pobre do vendedor de pães, trabalhador, honesto, padeceu com o prejuízo.

O difícil é a primeira vez. Por que ele foi ceder ao apelo daquela maldita mulher? Abriu o crediário para um freguês, acabou vendendo para todos. Como o dinheiro dele se encontrava nas mãos dos outros, pobre ser, foi obrigado pelas mazelas sociais a também comprar fiado. Com o passar dos dias, pobre ser, perdeu a honestidade, também deu o cano.

E as engrenagem da nossa sociedade gira sempre nesse ritmo tênue de comprar e não pagar. Há pessoas que constroem mansões, compram automóveis de luxo, comem do bom e do melhor, sempre nas custas dos outros. E depois essas mesmas pessoas gritam alto e em bom som: “No Brasil só tem corruptos. É uma cambada de ladrões”. Como as pessoas não se omitiram, pelo menos tiveram uma virtude, foram sinceras.

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O mundo carece de amor e não de provocação

jan 17 2015 Published by under Crônica

liberdade

Em um mundo conturbado em que estamos metidos, onde há várias religiões, vários times de futebol, vários partidos políticos, várias etnias, várias divisões sociais; o respeito às diferenças se torna o remédio primordial para se evitar futuras desavenças. A Natureza é tão bela, a vida por si só é magnifica, mas insistimos em perder tudo isso em prol do poder e da riqueza.

A ilusão que a atual mídia nos dá consegue imprimir nos seres um fascínio pelos holofotes. Existem pessoas que fazem de tudo por alguns segundos no ar. A loucura tomou conta da população. Os meios de comunicação fazem um apelo e o povão marcha junto por um ato sequer meditado. A grande massa parece um rebanho de alienados, de zumbis guiados pelo primeiro que grita incessantemente nas tvs, nos rádios e na internet.

O momento é da liberdade de expressão. Coisa linda, liberdade, maravilhosa. Mas por onde anda ela mesmo? Em um mundo regido por bilhões de leis, falar em liberdade parece algo estranho. Em determinada rodovia uma placa alerta que a velocidade não pode ultrapassar os oitenta quilômetros por hora, muitos usam da liberdade, o governo também usa da sua liberdade para multar os infratores. As liberdades se chocam, uma ferindo a outra.

Para conter os ânimos da espécie humana somente leis severas. Não estamos acostumados a liberdade, quando a temos em abundância fazemos besteira. Deus nos deu à vontade para agirmos segundo nossas forças e aptidões, somos nós que escrevemos nossa história. Com a luz posta em nossas mãos fazemos dela o que bem entendermos. No sistema em que estamos inseridos, que o sucesso e a fama gritam em cada um, não importa os meios, o que vale é o resultado. O público louco por loucuras enlouquece com o humor depravado do século que estamos vivendo. Fazem apologia a tudo de ruim, e o pior, gozam de sucesso.

Se algum jornalista resolver criar um vídeo que talvez lhe dê o estrelato, que seja por um dia, um vídeo cômico, contudo de alto risco. Ele com uma câmera no capacete vai de encontro a uma colmeia e a golpeia com várias porradas. As abelhas sentindo à afronta cobrirão o invasor com milhares de ferroadas. O jornalista usou da sua liberdade para ferir as abelhas, as abelhas retribuíram a gentileza no mesmo nervosismo e veneno.

O mundo precisa de paz, amor e carinho. Todo ato de guerra, briga e confusão mostra nossa pequenez perante a grandeza da razão. Os animais usam dos instintos, nós humanos temos o pensamento. Devemos um respeitar os outros. Ódio gera ódio, destruição gera destruição, todavia amor faz florir amor, paz traz aromas suaves e doces.

A Terra entra no caos do terrorismo, não será colocando gasolina no fogo que resolveremos o problema. Se todos seguíssemos as palavras dos livros sagrados, certamente o mundo seria bem melhor, não haveria lutas, os homens não destruiriam a natureza, seriamos uma unida sociedade, o qual o lema maior seria o respeito a liberdade. A sustentação de tudo estar em saber onde começa e termina cada vontade. Se todos resolvêssemos usar dela a todo instante, haveria barbárie e nada mais.

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Briga entre mulheres

jan 15 2015 Published by under Crônica

A sociedade cria no seu interior uma intrincada teia de acontecimentos variados que coloca os humanos como atores reais desse teatro universal. De tudo se acontece um pouco, a loucura parece nos dominar, cada caso se transforma em um episódio para se contar.

A feira livre é um local singular para fatos notórios germinarem. Na multidão diversificada da feira o conflito de interesses faz brotar atritos e confusões de todas as cores e formas. Nessa maior manifestação cultural da sociedade, onde os seres buscam de tudo, do feijão ao arroz, da aguardente ao fumo de corda, do frango caipira as panelas de barro; as histórias que ganham vidas se multiplicam do nada.

De repente, um alvoroço, as pessoas correm, muitas gritam, outras choram. Uma roda se abre no meio da multidão, no centro duas mulheres, duas feras, uma querendo arrancar a cabeça da outra. Você deitou com o meu namorado, sua vagabunda, berrava uma. Não gosto de cabra frouxo, vociferava a outra. O conflito girava em torno de traição. A mulher que era ofendida diante sua própria barraca, diante seus próprios fregueses, apanhou uma arma sobre a mesa. Agora você verá quem é a vagabunda aqui, gritou ela. A outra arregalou os olhos, recuou. A oponente se aventurou contra a rival. Um segundo, a oponente passou a faca na outra. O povão gritou, gritava, pedia para que chamassem a polícia. A mulher voltou a procurar por sua vítima, iria acabar com aquela arruaça logo. Outra vez, para pânico do público, passou a faca na outra. A mulher gritava, chorava. Cadê a coragem da sem vergonha, indagava a mulher de arma nas mãos. Aventurou mais uma vez, o povão sentiu o fim, a gritaria era imensa, intensa, assustadora. Como em um raio, a mulher voltou a passar a faca na outra. A rival tombou dura no chão de cimento. Cadê a coragem da vagabunda, indagava a mulher com um sorriso nos lábios. Sou do norte, não tenho medo de homem para ter medo de mulher, desta vez só passei uma faca na outra, da próxima passarei no bucho da dita. Os policiais então chegaram ao local. O episódio já havia tido o seu desfecho. A mulher que caíra desmaiada acordou meia atordoada, precisou de água e de alguns aromas para voltar em si. A feira seguiu seu ritmo constante, apenas mais um fato acontecido no seu seio.

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Falsa glória, falsos reis

jan 12 2015 Published by under Crônica

rei

Os humanos criaram no decorrer da sua evolução algo que tenta colocar alguns seres acima dos demais, nos dias em que estamos se conhece por fama. Seria a superposição dos mais fortes sobre os mais fracos? Na mídia os indivíduos se atracam por alguns segundos de ibope. Uns são considerados reis em certa área, outros são como deuses, e assim seguem. Um pouco de análise é o bastante para desfazerem os mitos. Os ditos reis, os deuses, são doentes e fracos como toda a maioria. Onde estaria esta glória louvada por muitos? Se alguém souber, avise ao mundo para que todos conheçam tal luminosidade.

O que é ser o rei da Formula Um? O grande vencedor, campeão dos campeões, o máximo dos máximos, um verdadeiro gênio, o todo poderoso deus. Mas qual a grandeza mesmo de ser campeão em um esporte que não diz nada? A mídia fala das proezas desses pilotos, narram fatos incríveis, deixa os espectadores atônitos diante tamanha superioridade. Qual o valor dessa conquista para o piloto? Ser o primeiro, o campeão, reverenciado, ovacionado. Que gosto tem tal vitória? Um pouco de análise e tudo virá à lama feito excrementos frutos do trabalho do estômago de um bicho qualquer.

Na vida os seres matam até a mãe em prol da cobiçada fama. Para ser o grande campeão a pessoa usa das mais sórdidas manobras, proezas dignas do capeta e não de um deus. As pobres almas nos rabos se enrolam. Os dias passam e aqueles ferozes homens são apagados perante sua fragilidade histórica, quanto mais o historiador penetra nas entrelinhas do que não fora divulgado, maior é a pequenez do objeto ora analisado.

Há os verdadeiros campeões, aqueles que venceram suas dificuldades, aqueles que escreveram na trajetória da sua espécie um risco de bondade perante todo o grupo. São seres quase invisíveis, dotados de tamanha luz que a podridão do mundo pouco os seduzem. Não desejam ser deus, rei, príncipe, pois sabem da sua inferioridade dentro da obra. Vencem suas más inclinações, dominam seus instintos, lutam dia a dia contra seu corpo e sua mente que cobram loucuras mil.

O rei do futebol, o rei da formula um, o rei do basquete, o rei da piscina, os reis das competições; reis falsos que usam coroas de ouro como todo usurpador do poder o faz; brilham um quê de brilho que não é brilho aureolado, passam como o vento que já não se sente mais. Na vida, a sociedade emoldura seus deuses, engrandece a pequenez imunda de certos integrantes, faz da figura de um monstro algo a ser louvado e reverenciado. Quando os ditos reis são esquecidos, pobres, entram na melancolia do fracasso, tombam diante a realidade, muitos fogem as drogas ou aderem ao suicídio. Para onde foi à grandeza de tais reis? Para canto algum, pois a glória nunca os pertenceu.

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Sempre a um passo atrás

jan 12 2015 Published by under Crônica

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Minha vida é marcada por um fato, simples, porém de grande relevância, faz toda a diferença. Nas minhas buscas pelas conquistas pessoais, sempre, sempre mesmo, chego um passo atrás da grande massa. Seria minha sina? Ou serei eu um fraco? Ou tudo não passa de oportunidades perdidas? Ou me falta ser malandro? Não sei, mas sempre é da forma que acabamos de mencionar.

Vou narrar minha história, história de gente pequena, história que nem merece ser narrada, mesmo assim mancho a humanidade com algo sem valor algum.

Sonhei, como todos na vida já sonharam um dia, não foi sonho de quem dorme, sim uma idealização de busca por algo que nos faz seguir. Como é bom sonhar, como é maravilhoso o caminhar em busca de algum objetivo, ao final o fruto sequer sabor tem. Sonhei, já disse, ainda sonho, todavia por sonhar pequeno tenho sempre mania de me culpar pelo resultado pífio. Volto a indagar: Ou me faltou ser malandro? Se for para ser malandro para ter um sonho elevado, melhor que fique triste, melhor não me iludir com algo que não me pertence.

Certo dia sonhei em possuir um fusca, no tempo que fusca valia muito, muito para meus bolsos vazios, para outros o fusca era menos valioso que um carro de bois quebrado. Como sonhei comprar um fusca, você não tem ideia. Passei a persegui-lo diariamente. Todo centavo que sobrava já tinha um destino, o porquinho. Quantos anos nessa luta louca. Que sonho ingrato, meu Deus! Teria eu um propósito melhor se tivesse sonhando em ser doutor, advogado, arquiteto, mas não, sonhei em comprar um fusca. Comprei que se diga de passagem, contudo me ferrei.

Com o fusca eu seria um rei, a mulherada beijaria meus pés, teria uma vida das arábias. Se fosse no tempo que tinha começado a sonhar, quando eu ainda era adolescente, sim, o fusca me abriria algumas portas. Os tempos são outros, tempo de Ferrari, Camaro, Hilux. Fusca hoje em dia só tem destaque nas mãos de colecionadores, pois os mesmos além deles possuem outras máquinas modernas. Gastei dez anos de minha vida, tornei-me morfina, um autêntico pão-duro. O fusca não conseguiu me dá as chuvas de verão que tanto sonhei. Volto a frisar: Ou me faltou ser malandro?

Cabisbaixo sigo minha estrada, alguns sonhos volta e meia volta a me azucrinar, o sangue correr rápido pelas veias, o suor desce pelo rosto. Acalmo-me, coloco-me na realidade. Sonhar é bom, essencial para uma vida salutar, contudo em demasia acaba com o nosso presente, tornando-nos escravos, doentes necessitados de apoio e direção.

Se eu fosse malandro, como teria me dado bem. Quantas portas não me abririam? Tudo aquilo que havia sonhado teria se tornado real. Não quis ser malandro, perdi a chance de gozar as proezas da carne. No final todo caminho desemboca em um único lugar, os sentidos se apagam, nós nos retiramos. Agora refletindo com os meus botões chego à conclusão que valeu a pena não ceder as facilidades, pois ao olhar para o mundo, só vislumbro vícios naqueles que um dia deixaram de sonhar e encontrou na malandragem uma forma de burlar a enorme escada para conquista do sonho. Volto a repetir: o bom é a caminhada em busca do sonho, o fruto no final sequer sabor tem.

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A ficção aos pouco está virando realidade

jan 10 2015 Published by under Crônica

Assistindo ao programa jornalístico da noite anterior, deparei-me com algumas imagens das tragédias terroristas pelo mundo. Os aviões atingindo as torres nos Estados Unidos, a guerra no Afeganistão, o terror na França… Por um momento parecia que eu estava assistindo a um filme hollywoodiano. A ficção aos poucos vai se tornando realidade. O mundo está ficando perigoso, mais do que já era.

Outros episódios, esses envolvendo o clima na Terra nos remetem aos filmes também. Secas, mortes de animais, falta de água, vendavais, terremotos… Os filmes que fizeram parte da minha infância parece se materializar. Naquele tempo sorriamos com os episódios, mas agora é coisa séria, não é baseado em fatos reais, são fatos reais ao vivo e a cores.

E os filmes sobre o espaço sideral, como eu os adorava, Star Wars era e é o máximo. Hoje já temos espaçonave pousando sobre cometa, pousando em Marte; conhecemos o Sol melhor do que os riscos da nossa mão, passamos a ver além da Via Láctea. Sabemos se um meteoro irá passar próximo a Terra, visualizamos meteoros caindo em Júpiter. Só nos falta agora sermos visitados por alienígenas, os ETs, tomara que fique para um futuro distante. Chega de tantos problemas…

Na medicina um médico nos exterior faz cirurgia a distância em um paciente no Brasil. Os robôs estão por todas as partes. Aparelhos os mais diversos para a descoberta e a prevenção das doenças. Grandes epidemias sendo bloqueadas pelos agentes de saúde, como nos antigos filmes.

As guerras ficaram sofisticadas. Aviões não são mais tripulados, misseis sabem o ponto certo para atingir, submarinos, bombas que podem varrer a vida no nosso Planeta. Carros velozes, tanques, armas as mais letais possíveis. Não é mais ficção, realidade viva.

A loucura humana só aumenta. Onde iremos parar? O homem após tantas gerações ainda ama a destruição. Evoluímos tecnologicamente, contudo nossos instintos pulsam forte e comandam o espírito. Somos crianças detentoras de brinquedos que sequer sabemos o real poder. A vida corre perigo. Um único ser mortal tem poder para exterminar o globo.

A ficção já não é mais brincadeira, os filmes já não agradam mais, pois viraram manchetes nos telejornais.

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Nada no desespero do Nada

jan 09 2015 Published by under Poemas

nada

Nada no desespero do Nada

*

O homem lançado à correnteza nada

Nada, nada, nada, no rio

Na mente dos governantes nada

Nada, nada, nada, no lago

Nas cidades impera-se o nada

Nada, nada, nada, nos mares

Os artistas pintam, esculpem, escrevem, cantam o nada

Nada, nada, nada, o peixe sem prever a emboscada

O homem sorrir entorpecido ao caos do nada

Nada, nada, nada, as baleias na mira da armada

A criança perdida nos sonhos nada

Nada, nada, nada, o seu querido barquinho

A imaginação logo se transforma em nada

Nada, nada, nada, na transparência da água

Iludido, o ser converte tudo em nada

Nada, nada, nada, na Terra restará

Somente lágrimas de uma vida vazia pautada no nada.

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