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Recordações

dez 27 2014 Published by under Crônica

O final de ano é o momento propício para os reencontros. Natal época de estar ao lado dos familiares, de se banquetear com a deliciosa ceia natalina. Virada de ano é outro momento ímpar, fogos, champanhe, camisa branca, abraços e apertos de mãos. A amizade se reencontra em novas conversas sobre velhos episódios, sorrisos, lágrimas, lembranças dos instantes aureolados.

Nestes dias que envolveram o símbolo do nascimento de Jesus, tivemos o prazer de compartilhar da conversa de dois velhos amigos. Voltaram a se encontrar após quase um ano. As lembranças vivas e fugazes de um tempo vivo em suas memórias renascem neste singular presente. Por que a fruta devorada sempre nos remete mais doçura que a que se encontra em nossa mão?

Você se lembra de Gentil? Já faleceu há algum tempo. Não diga. Era um baita de um zagueiro. Lembro-me de quando a equipe que ele jogava ganhava uma partida, ele ficava com o uniforme do jogo por três dias seguidos a desfilar pelas ruas e bares de Água Quente. O que aconteceu com Tõe Preto? Que goleiro! Ao viajar para São Paulo sumiu pela estrada e nunca mais retornou ao seu torrão natal. Nunca vi um goleiro como aquele, pegava bem mais que os goleiros profissionais de hoje.

Nessa mistura de fatos que se tornaram pingos da história da nossa região o sabor do passado contamina as horas atuais fazendo delas insignificantes perante a glória dos dias da juventude. Paramirim já não é mais como outrora, Água Quente herdou o nome de um antigo filho. Tínhamos o campo da Lixa, tínhamos o Cinema de Nelsão, tínhamos a Semana de Cultura. Hoje já não temos mais nada. O saudosismo, a nostalgia, parece afogar esses seres que não encontram na realidade um ponto de apoio. Tudo se modificou, os tempos são de outra geração. Buscar no passado o que já foi extinto, tentar resgatar e trazer ao presente um pouco de alento neste espaço estranho que se tornou o mundo.

Viver bem as diferenças do tempo, pois não tardará para sermos obrigados a novas mudanças. Temos um pouco de camaleão, somos borboletas. Os dias passam, as recordações vão se amontoando, como as nuvens que correm ligeiras pelo céu azul da Caatinga. Por sinal, o friozinho do início da manhã nos fez lembrar os antigos Santo Antônio.

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