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A punição de uma traição

ago 17 2014 Published by under Contos

Quando o homem viaja para trabalhar em terra distante, a esposa fica desprotegida das asas do maridão, desta forma as raposas, os lobos, os carcarás e os gaviões a cercam com seus galanteios, olhares, recados, presentes, propostas de muito amor. Se a pobre gazela tem o espírito fraco, a coitada se deixa levar pela lábia afiada desses seres trevosos e se joga de corpo e alma nessa arapuca.

Um rapaz deixou sua família e foi buscar melhoras na capital, sonhava em dias dourados; comprar uma casa, adquiri um automóvel, pagar os estudos do filho. Assim que ele viajou, um sujeito começou a atacar a mulher que na cidade ficara a espera do marido. Ela tentou, no começo, suportar, mas com a ausência do marido e a vontade de prazer cedeu aos caprichos do Ricardão.

O rapaz passou a dominar a casa, homem que abominava o trabalho, tinha tempo suficiente para dá toda atenção a sua presa. A cada dia a pobre mais apaixonada ficava. Ele conhecedor das mentes das mulheres começou a chantageá-la.

- Estou precisando de um tênis novo.

A mulher comprava o presente e deixava a sua perdição feliz.

- Estou precisando de um calca.

A mulher ligava ao esposo e pedia dinheiro para a despesa do lar e comprava o desejo do homem.

- Meu carro está sem gasolina, preciso de cem reais.

A vida deles continuou nesse ritmo. Passado um ano, o esposo retorna da capital, voltava com o bolso cheio de dinheiro, não mais, porque a esposa tirou um pouco para o amante. Com a chegada do homem, o intruso se afastou. A esposa cobriu o esposo de mimos, queria passar sua fidelidade, queria mostrar seu respeito.

Mas na vida somos meros espectadores, a natureza nos prega peça, desta forma se sucedeu. Após um mês do retorno, o marido sentiu algo estranho, a barriga da esposa estava diferente. Com a orelha em pé, tentou colher alguma informação pelas ruas, algo de anormal acontecera enquanto ele estava viajando. Mais dez dias passados, a cisma cresceu, ele pegou a mulher pelo braço e a levou a um hospital.

Antes de qualquer enxame, o médico sorriu e disse:

- Meus parabéns! Antes mesmo de fazer o enxame, já adianto a vocês dois: estão prestes a ter seu primeiro filho.

O homem olhou para a esposa e com o olhar disse bem mais que mil palavras. Em seguida indagou, tristemente, ao médico:

- Como pode ela está esperando um bebê, doutor, se passei o ano todo na capital?

- Falei besteira – respondeu baixinho o profissional de saúde.

E assim se desfez uma família. O Ricardão sumiu do mapa, a esposa ficou com o peso de sozinha criar o diploma, o homem se mandou para capital e a vida seguiu seu curso torto e turbulento.

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