Archive for: maio 11th, 2014

Homenagem as Mães

mai 11 2014 Published by under Poesia

Hoje trago a ti, minha Mãe

Pétalas de gratidão

Orvalho de ternura

Raios de amor

Entrego-te meu coração

A terra é pouca

O céu é pouco

O mundo é pouco

Tudo é pouco pelo tanto que tens devotado por mim

Pelos cuidados

Pela educação

Pelo carinho

Pelo amor

Pelo pão

Obrigado, minha querida Mãe

Obrigado por existir

Obrigado por gostar de mim

Mais uma vez, obrigado

Obrigado tantas vezes for preciso

Tantas vezes necessário

Que Deu ilumine tua vida

Proteja teus passos

Parabéns pelo teu dia

Que a paz

A ternura

O amor

A alegria

Envolva-te no manto sagrado da mais pura magia

Coragem

Afeto

Empenho

Um beijo no rosto

Um sorriso

Um abraço

Outra vez, obrigado

Mais uma vez

Tantas vezes

Ainda é pouco

Obrigado.

Feliz Dia das Mães.

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Nem todas as promessas feitas são pagas

A humanidade convive entre dois mundos, o material e um suposto sobrenatural. Quando todas as portas já foram fechadas, quando não há mais uma estrada a seguir, não tem jeito, apela-se aos Santos.

Um rapaz, por ironia do destino, sofreu um acidente automobilístico, estava a dirigir, uma curva lhe tomou a direção, o veículo capotou e ele perdera os sentidos.

- Meu filho, seu irmão acabou de sofrer um acidente de carro.

- Meu irmão! ? Como assim! ? Ele está bem! ?

- Ele está em coma na UTI do hospital.

- Não pode ser! Eu estava ainda há pouco com ele.

Manoel se encontrava entre a vida e a morte. Todos os médicos atestavam o mesmo diagnostico: “O quadro é difícil, só mesmo Deus”. O paciente foi acometido de traumatismo craniano.

- Mãe, os médicos estão dizendo que é questão de horas para meu irmão falecer – fala Paulo a mãe. – Disseram-me também que a única coisa que podemos fazer no momento é rezar. A Igreja está aberta, vou lá conversar com Deus.

- Vá lá, meu filho, enquanto isso eu fico aqui a esperar por boas notícias.

Paulo foi ao encontro dos Santos, das orações, dos pedidos, das “promessas”… Na igreja, diante à imagem de Santo Expedito, ele se sentindo acuado, dialogou com a imagem:

- Santo Expedito, por favor, interceda pelo meu irmão. Ele está entre a vida e a morte, por favor, restitua-lhe a saúde.

- O que me ofereces em troca? – questiona o Santo.

Começava um dialogo entre Paulo e o seu subconsciente, ou talvez possa ter sido o próprio Santo, vá saber, o certo é que ele conversava e sua mente lhe respondia.

- Eu não tenho nada para lhe oferecer.

- Toda pessoa tem algo a oferecer. Apenas penses um pouco.

- O que o senhor que de mim?

- Não costumo interceder pelos outros sem ganhar algo em troca. Se não for dessa forma, morrerei de tanto trabalhar, pois o povo só sabe pedir. Se não possuis nada para me presentear, é melhor ires embora.

- Se meu irmão ficar bom, eu distribuirei todos os anos no dia 19 de abril, dia que homenageia o senhor, balas e doces para a criançada.

- O caso do seu irmão é grave, carece de uma penitência maior.

- Se for curado, ele irá ao Morro do Fogo a pé.

- Tu não achas pouco? Eu restituo a vida e ele faz uma pequena caminhada. O Morro do Fogo é logo ali. Aumentes o percurso.

- A Bom Jesus da Lapa.

- Fechado. Mas em qual dia?

- No dia seis de agosto, dia da romaria principal.

- Logo receberás o resultado.

- Quanto tempo?

- Bem antes do que imaginas.

- Obrigado, Santo Expedito.

- Não te esqueças do nosso trato. Promessa feita, resultado recebido, promessa paga.

- Trato é trato.

Paulo colocou o pé direito para fora do templo e a mãe dele já o recebia com um largo sorriso nos lábios.

- Meu filho acordou! Ele está conversando. Os médicos estão boquiabertos com a recuperação dele, falam em milagre.

“Minhas mãos fizeram a minha parte, agora espero que faças a tua”, uma voz martelou no seu inconsciente.

No outro dia cedo, Paulo foi ao quarto conversar com o irmão enfermo. Após dialogarem bastante sobre o acidente, sobre o suposto milagre, Paulo tocou no assunto:

- Manoel, quando você estava entre a vida e a morte, quando todos diziam que você iria morrer, eu corri à igreja e fiz uma promessa a Santo Expedito em prol de sua recuperação. Em seguida você estava curado.

- Você é um rapaz de bom coração, Paulo, diferente de mim.

- Após o meu trato com o Santo, logo ao sair do templo, nossa mãe chegou me dando a notícia da sua recuperação.

- Obrigado, Paulo. Qual foi mesmo a promessa que você fez?

- Primeiro eu tentei combinar com ele em doar balas, ir ao Morro do Fogo a pé, como não concordou, fui obrigado a aceitar a ida a pé a cidade de Bom Jesus da Lapa.

- Eu não sabia que eu tinha um irmão tão prestativo comigo. Ir a Lapa a pé é muito cansativo, uma distância longa. Você andará um bocado.

- Você não entendeu o que eu quis dizer. Quem irá pagar a promessa será você que obteve o lucro. Eu apenas fiz o intercâmbio.

- Eu! Você acha que eu sou louco de andar essa distância doida?

- Mas você não está bom?

- Estou bom, mas eu não me lembro de ter feito nenhuma promessa, ainda mais uma aberração dessas. Sou até Ateu.

- Então você não vai?

- Quem fez a promessa é que tem obrigação de pagar.

- E agora o que eu faço?

- Esquece esse negócio de promessa. Essas coisas de santos não existem. Eu só sei uma coisa: não pagarei promessa alguma.

- O que eu faço agora?

- Para que um santo quer mesmo um sacrifício desses? Esse negócio de promessa é baboseira. Esquece isso e vá cuidar da sua vida.

Os dias foram se passando, mas aquela promessa feita insistia em martelar no crânio incessantemente. “E a promessa. Não se esqueças da promessa. Rapaz, a promessa”.

- Está certo! Pagarei a promessa para meu irmão. Na festa do Bom Jesus eu irei a pé fazer a penitência e com isso ficar livre com o senhor. Hoje é quatro de janeiro, ainda faltam sete meses para a festa, quando faltar apenas um, eu começarei a me preparar.

“Por mais que te pareças muito tempo, cedo ou tarde baterás em tua porta”.

Os dias pulavam um por um como o fiel faz com as bolinhas do terço. O homem sempre a circular pela cidade de automóvel. Para ter uma ideia, a padaria que ficava a cinquenta metros, logo ali, ele fazia questão de tirar o carro da garagem para ir comprar o pão, já não sabia mais andar.

“Só restam dois meses”.

Começou a martelar em sua mente a maldita divida, a tão esperada data se aproximava, o homem andava, andava não, estava muito preocupado.

Faltando um mês, ele se vendo acuado, colocou um traje a caráter e saiu para seu primeiro dia de treinamento. Tinha em mente andar dez quilômetros, contudo ao chegar ao terceiro, pediu água, parou e ligou para a esposa.

- Sílvia, por favor, pegue o carro e venha me buscar. Não estou me sentindo bem.

A esposa ao chegar, encontrou-o sentado, todo vermelho e pálido.

- O que foi que teve com você?

Contou toda a história. O enfermo ficaria três dias de repouso, corpo quebrado, febre, assaduras pelas pernas. O problema persistia, a divida ainda havia de ser paga.

“Faltam dez dias”.

A mulher o aconselhou ir ter uma conversa com o Padre. Contou toda a história ao religioso. O mesmo o aconselhou que a promessa fosse paga indo à cidade de Bom Jesus da Lapa de automóvel.

- Obrigado, Padre, por ter negociado com Santo Expedido.

- Não foi um negócio, ele entendeu a situação e aceitou nossa proposta.

Na madrugada do dia seis de agosto, Paulo, juntamente com a família, dirigiu-se à cidade considerada como a Capital Baiana da Fé.

“Não foi este o nosso trato, mas a tua preocupação em pagá-lo mostra o respeito que tens por mim”.

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