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A agonia do meu querido Rio

abr 22 2014 Published by under Poesia

Oh, Rio!

O que fizeste contigo?

Outrora abundante

Profundo

De mata alta

Fauna exuberante

Em suas límpidas águas

Passeavam rio acima

Rio abaixo

Traíras, caris, pacus e jundiás

Hoje te tenho cambaleante

Mata rala

Lixo pelas margens

Esgoto

Falta-te oxigênio

Quase sem vida

Triste

Vejo-te na face enrugada

Um filete de lágrimas

Oh, Rio!

Não chores…

Chorar?

Não são lágrimas o que correm

Desce meu sangue

De todos os lados recebo setas e dardos

Resisto porque sou forte

Mas já não tenho forças como antes

Aproveite

O que pensas ser lágrimas

É o que te alimentas

Quem não cuida do que tem

Nada há

Quando parar meu pranto

Que espanto!

Tudo perecerá

A tua dor, compadre

Não tenhas duvidas

Aumentarás

A minha será imensa

Pois já não conseguirei cumprir com a obrigação

Que é de desaguar no mar.

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