Archive for: março 13th, 2014

A culpa e os defeitos são dos outros

O ser humano é um bicho estranho, complicado, chato, arrogante, mandão e se estende em outros mais pesados e pegajosos adjetivos. Também possuímos nossas virtudes, alguns carregam em si uma luz de maior intensidade, outros uma pequena chama de um singelo palito de fósforo.

Na sociedade, a maioria, grande maioria, quase todos seus indivíduos se armam de unhas e dentes para cobrar seus direitos, apontar os erros alheios, falar o modo correto de se realizar certas atividades. O que mais se ouve pelas ruas e praças são conselhos, o povo tem resposta para tudo.

- João, o mundo está perdido! – fala Paulo ao amigo.

- Por quê?

- Os homens estão destruindo a natureza. Eles cortam as árvores, matam os animais, poluem a atmosfera, assoreiam os rios, infectam os mares.

- De fato.

- João, o mundo está perdido!

- Por quê?

- Os políticos são todos corruptos. Roubam o dinheiro da saúde, da educação, do saneamento… As crianças vivem na miséria, as mulheres se prostituem, os homens são obrigados a furtar e a matar.

- De fato.

- João, o mundo está perdido!

- Por quê?

- As religiões só pensam no dinheiro dos fieis. A população trabalha para encher os cofres das igrejas. Enquanto isso eles não fazem nada em benefício da população.

- De fato.

- João…

- Um momento! – interrompeu o amigo. – Sabemos que o mundo tem suas mazelas, isso todos sabemos. Faço-lhe um simples questionamento: “O que o senhor tem feito para mudar tal situação?”.

- Eu?

- Sim, você. O que, o amigo, tem feito? Falar é fácil, colocar a culpa nos outros, também, mas fazer, compadre, isso é para poucos. Outro dia desses, eu vi um caminhão de madeira descarregando o produto em sua residência, hoje ela já possui um telhado novo. Quantas árvores foram mortas para o seu conforto? O senhor é um ótimo professor, por que não ensina de graça aos mais necessitados? Pegue a enxada e vá trabalhar se seu sonho é ver um mundo menos desigual.

- O senhor hoje está nervoso.

- Não, não estou nervoso. Apenas lhe mostro que o senhor está errado. Se não quer ajudar, pelo menos não atrapalhe. Hoje mesmo o senhor passou o dia todo dentro de casa ora dormindo ora assistindo televisão. Deveria ter gasto seu tempo trabalhando em prol daquilo que tanto prega.

- Já entendi.

- O senhor fala mal de Deus, dos políticos, dos religiosos, dos esportistas, dos garis, dos funcionários dos bancos, dos correios, mas esquece de apontar o dedo para si próprio.

- Valeu. Vou embora.

- Boa noite.

História baseada em fatos reais.

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