Archive for: fevereiro 13th, 2014

Tem muita unha na feijoada

Foto postada no blog www.canindesoares.com

Um dos pratos destaque na cultura da região da Chapada Diamantina se chama feijoada. Quem nunca se deliciou com essa arte culinária? Feijão preto, carne de porco, linguiça, folha de louro, entre outros produtos. Um costume que a cada ano se ramifica ainda mais por aqui é o habito de comer feijoada nas manhãs de domingos, substituindo o tradicional café. Uns dizem ser a favor, outros, discordam. O certo é que a danada acompanhada por farofa de couve, vinagrete, arroz e algumas gotas de pimenta malagueta é uma delícia só.

- Pintado, tem feijoada?

- Claro! Temos sim. Hoje é domingo, dia de feijoada. Como poderíamos deixar faltar nosso principal produto?

- Traga-me uma poção. Quero também um refrigerante.

- Mais alguma coisa?

- Tenho apenas mais um pedido, um conselho. Não quero em minha feijoada unhas.

- O cliente é quem manda.

O homem entrou para a cozinha. Não demorou muito e trouxe os talheres e os pratos. Voltou e retornou com uma garrafa de refrigerante e dois copos.

- Amor, hoje você irá provar a melhor feijoada do planeta.

- Eu adoro feijoada.

O dono do estabelecimento serviu o refrigerante ao casal.

- Pintado, lembre-se: sem unhas.

- Desta vez não haverá nenhuma unha.

Passado dez minutos chegou o arroz, a couve e o vinagrete.

- Pintado, sem unhas.

- Pode deixar. Não haverá unhas na sua feijoada.

Pintado foi e logo retornou trazendo, segurada nas alças da panela de barro, a tão falada e gostosa feijoada do Pintado.

- Pintado, eu não lhe disse que não queria unhas em minha feijoada?

- Como é que o senhor sabe que há unhas se sequer meteu a colher na panela? Ainda estou segurando ela, por sinal está muito quente.

- Tem muitas unhas na minha feijoada. Quero que você volte e me traga outra feijoada.

- Mas tirei todas as unhas do pernil. Já lhe disse que não tem unhas?

- Não me refiro às unhas do porco morto, mas as unhas do porco vivo. Falo das suas unhas que estão dentro da feijoada.

Pintado voltou os olhos à panela e viu que seus dois dedões estava enterrados dentro do produto.

- Meu Deus! E não é que o senhor tem razão: ainda há muita unha na feijoada. Vou trocar o produto. De hoje em diante terei mais atenção. Isso nunca mais irá acontecer.

Foi e retornou com uma nova panela de barro, desta vez com muita atenção e zelo.

- Aqui não há mais unha, nem de porco morto e nem tão pouco do Pintado.

O casal ficou a conversar e a comer. Passados dez minutos, os dois clientes sempre a reparar, Pintado volta para servir outra mesa, e para algazarra dos dois: havia muitas unhas na feijoada.

História baseada em fatos reais, acontecidos no município de Paramirim Bahia. Demos aos personagens nomes diferentes e ao enredo um pouco mais de pimenta malagueta. Esperamos que tenha ficado apetitoso o texto como a feijoada da foto.

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