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Todos nós deveríamos viver cem anos

jan 31 2014 Published by under Crônica

dorzila-cardoso

A vida não foi feita para ser compreendida na sua plenitude das formas. Ela apenas se contenta em começar como iniciamos este texto e termina quando a vontade natural imprime sua gigantesca força. O ser humano vence suas fases, etapas diferenciadas para cada. Nascemos e nos sentimos bebês, passamos a crianças, entramos na adolescência, amadurecemos iguais às frutas, envelhecemos e… Muitos nos afirmam que o ponto final se chama morte, talvez seja, talvez não. Certo é que a vida passa, passa rápido.

Olhando para uma senhora que suporta o peso descomunal de noventa e oito anos, seus traços caídos pelos muitos dias sob o efeito da gravidade, sua fala já perdida na imensidão, seus passos gastos e lentos, sua mente vagando pelo ar, chega-nos alguns pensamentos, indagações, duvidas, incertezas… Que efeito é este? Por que tem que ser desta maneira? O silêncio é suficiente para descrever tal situação. A senhora anda sem rumo, apoia em outros, já não participa ativamente da realidade agora. Apenas aguenta e saboreia as dores amargas da velhice, paga o preço por ter vivido tanto. Questionar o quê? Para quem? Não conhecemos quase nada. Há muitos segredos, a nós nos revelaram poucos atributos, por mais que a humanidade tenha evoluído ainda nos encontramos precocemente no caminho da evolução.

Devemos sim nos felicitar por alguém da nossa estima ter chegado à reta final. A vida tem seu ciclo, nascer, crescer e perecer. O corpo gastou como a rocha sofre o efeito dos raios solares, da água da chuva e do vento. A seiva aos poucos se esvai sem perceber, o chão cobra a terra que lhe emprestou. Não conseguimos burlar ou ludibriar a magistral Lei, por mais que queiramos. Cedo ou tarde se cumprirá a promulgada sina.

Cabem-nos as boas recordações, os ensinamentos, a certeza que um dia partilharemos desta outra realidade. Devemo-nos felicitar por ver um companheiro se pôr dignamente diante à linha de chegada, pois muitos botões de flores são podados antes mesmos de serem tocados pelas graças dos meigos beija-flores.

A vida se perde por entre os dedos como a água que tentamos segurar entre as mãos, ainda que consigamos vedar os orifícios por onde ela se deixa ir, no cansaço do tempo some ao efeito da evaporação. Somos um singelo ponto, pequeno e quase imperceptível neste grandioso universo de Deus. A viagem nossa continua, devemos ter fé em um futuro, se a reta final for o escuro eterno, felicitemos por ter sonhado um pouco.

Quero parabenizar a senhora Dorzila Vianna Cardoso pelos seus noventa e oito anos completados no último domingo, dia 26 de janeiro de 2014. Que Deus a dê força e coragem para as lutas que ainda há de enfrentar pelos caminhos da existência.

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