Archive for: outubro, 2013

Minha redação do Enem sobre a Lei Seca

out 29 2013 Published by under Crônica

Rapaz, que tema de redação complicada foi aquele do Enem? Pediu para fazer uma redação falando sobre a Lei Seca. Gastei quase cinco horas para terminar minha prova e passar para o gabarito. Sobraram trinta minutos para escrever a redação. Li o tema e mandei brasa, sequer fiz o rascunho.

Primeiro surgiu uma indagação: o que seria esta tal Lei Seca? Sacudia a cabeça, remexia com os neurônios, mas não me vinha nada. Como escrever sobre algo que não o conhecemos? Então comecei a raciocinar: Lei Seca deve ter algo relacionado com a Seca do nosso Sertão. Se ela é uma Lei deve ser algo ruim para os pobres. Mas no ano que vem é ano de eleição, essa Lei deve beneficiar aos necessitados do Nordeste, desta forma os votos cairão na urna igual umbus no verão. Veja abaixo como escrevi minha redação, foi mais ou menos deste jeito:

A Lei é Seca, mas salva vidas.

O Brasil sorrir de contentamento ao saber que uma das suas Leis conseguiu de fato diminuir a mortalidade do seu povo. Nossos queridos e amados Deputados merecem parabéns por ter criado esta tal Lei Seca. Com essa norma muitos jovens, e também adultos, foram salvos. 

Um povo que anda perdido desde o descobrimento realizado por Cabral só avança e é domado na base de leis e regras. Com tanta fome, tantas epidemias, tanta precariedade nos serviços essencial: educação, saúde e bem-estar social; a criação de uma lei vem pôr cabresto no rebanho que anda perdido pela vastidão de um País que se assemelha a um continente.

Mas nem tudo são flores, enquanto nossas escolas sofrem por não ter o básico exigido pela modernidade, enquanto os governantes ignoram que para transformar uma realidade é necessário que tenhamos uma educação de qualidade que possa imprimir mudanças na consciência dos jovens e faça de cada agente um ser dotado de pernas, vontades próprias e corretas, ficaremos nesta ideologia de criar mais e mais leis para cada nova situação que germinar.

Poderíamos fazer o básico. Para que inventarmos novamente a roda? Chegam de tantas leis, tantas regras, de tanta burocracia. O que nossa gente precisa é de respeito e de educação, de saúde e de lazer. Se a educação dos menos favorecidos for de primeira, o restante da cadeia rodará em perfeita sintonia. Como faz o relógio, para o funcionamento deste só precisa dos princípios de física, matemática e química. As leis conseguem coibir o infrator, mas se não estiver entrelaçadas com uma boa formação com o tempo novas regras precisarão ser inventadas. Para que o mal pereça e a paz prospere é de suma importância que tenhamos mais educação e menos leis.

Fiz minha redação sobre a Lei Seca, porém nem sei se a Lei Seca seja de fato o que eu a imaginei. Olhe minha linha de pensamento: se a Lei Seca foi criada para ajudar as pessoas afetadas pela seca então falei que a Lei de fato era boa, mas que o que nossa gente necessita é de mais educação, saúde…

- Você não leu os tópicos referentes ao tema? – indaga o amigo.

- Não tinha tempo. Apenas me restavam trinta minutos para o final do exame. Sem falar que tomei três pingas antes de ir para a sala, eu estava muito nervoso.

- Três pingas?

- Agora para aliviar a tensão da prova vou pegar meu carro e vou ao forró lá no Pajeú. Tomarei todas.

- Sabia que você poderá ser pego pela Lei Seca?

- Eu, por quê?

- A Lei Seca é para apanhar indivíduos que dirigem alcoolizados.

- E é?

- Se lhe parar embriagado você poderá perder sua habilitação e ainda terá que pagar multa.

- E agora, quem irá trazer meu carro? Ir à festa e não beber é melhor ir dormir.

- Eu vou com você. Deixar comigo, dirigirei o seu carro na volta.

- Se a Lei Seca é o que você acabou de dizer, então eu dancei na Redação do Enem.

- Mesmo sem você saber o significado da proposta ainda assim sua ideia não fugiu do tema. Piores que a sua redação tem milhares, a minha, por exemplo, é uma delas.

- Vamos para festa. Ano que vem nos preparamos mais e quem sabe faremos uma boa prova.

- Água que passou por baixo da ponte não volta mais.

- É isso aí.

- Pinga que entrou na barriga às vezes retorna.

- Se fizer vômito.

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Fugindo da Realidade

out 28 2013 Published by under Contos

carro-batido

Em um mundo paralelo alguém se encontra entocado nos seus medos, anseio e sonhos.

- Garçom, por favor, mais uma.

Não demorou muito e o rapaz voltou a pedir:

- Garçom, por favor, mais uma.

E assim se repetiu por inúmeras vezes, só que, à medida que falava ao garçom a frase que antes mostrava respeito passou a vir em forma de insultos.

- Garçom, traga mais uma!

- Garçom, traga mais uma. Ligeiro, rapaz!

- Mais você é lerdo! Não ver que estou pagando! Traga mais uma, verme!

Foi servida mais uma dose, mais outra e mais várias outras da mesma bebida.

- O que você está me olhando?

- Meu caro amigo – indaga o garçom –, você não acha que já está na hora de parar? O senhor já bebeu demais por hoje.

- Que intimidade é esta comigo? Dirigi-se a mim como senhor. Você está aqui para servir e não para dar conselhos.

- Não está mais aqui quem falou…

O rapaz tomado pelo efeito do álcool habitava naquele momento um universo paralelo. Tudo aquilo que ele não tinha coragem de realizar em plena consciência, agora, desinibido, não possuía mais. Fantasmas povoavam sua imaginação, demônios os convidavam ao inferno, ele cedendo aos apelos destas entidades ia aos poucos gostando das opiniões. Fatos decorrentes de sua vida que o incomodava vinham lhe atormentar as ideias. Havia dentro do peito um gosto por vingança. Era obsediado, as vozes faziam pensamentos virarem realidades, transformou-se em uma marionete nas mãos dos bichos do além.

- Traga-me a conta, por favor! Não quero mais beber nesta droga de estabelecimento. Vou para outro lugar. Isso aqui paga o que eu bebi? – tira uma nota de cem do bolso.

- Sobra troco.

- Fica para você.

“Isso não vai terminar bem” – pensou o garçom.

Alguém resmunga:

- Não pode dirigir neste estado. Ele vai bater o carro.

- Você não pode dirigir – gritou o garçom.

Antes de abrir á porta do veículo, virou e sacou um trinta e oito.

- Eu quero ver quem é o doido que irá me impedir.

O silêncio abateu-se por todo o estabelecimento, até o vento sequer quis manifestar uma opinião, ninguém ousou qualquer movimento, parecia que o tempo e o espaço haviam parado naquele local, naquele determinado instante.

Embriagado, o homem liga o automóvel e arranca em alta velocidade pela longa e larga avenida.

“Mais fundo, mais fundo!” – vozes escoavam em seus ouvidos. “Não pare de acelerar, não pare”. “A sua mulher é a grande culpada”. “Você foi traído”.

Por um instante sentiu seu pé mais pesado, parecia que tinha mais uns três outros sobre o seu apertando-o contra o acelerador. Tentou puxar, não conseguia. Talvez fosse o efeito da bebida. Algo muito estranho estava acontecendo. O volante foi tomado das suas mãos por uma força gigantesca. Apagou-se, não viu mais nada.

Três dias se passaram até a luz voltar a habitar suas retinas.

- Onde eu estou? – pergunta o enfermo.

Uma moça toda de branco o olha com desprezo.

“Não, eu não posso está no Céu” – pensou ele.

- O que uma traição não faz na vida de uma pessoa – alguém comenta.

Ele não ver o rosto desta mulher, apenas escuta suas palavras e volta ao estado de antes.

Enquanto o automóvel arrancava em alta velocidade, o garçom corria freneticamente ao telefone. Ao discar o primeiro número escuta um estrondo. “Só pode ter sido ele. Tomara que nada de grave tenha acontecido”. No recinto ficou apenas o garçom, não poderia de maneira alguma deixar o estabelecimento a sós sem antes fechá-lo.

Trazido pelo vento chegam choro e lamentações. As portas do bar são fechadas. “O pior aconteceu”, falou o garçom enquanto se dirigia em direção ao ocorrido.

Os olhos do garçom de imediato notaram a chegada de uma ambulância ao local, logo viu um homem e uma moça usando jaleco branco prestando os primeiros socorros a uma senhora já de idade. Sangue, muito sangue pelo passeio. Chegou mais perto, uma multidão rodeava o veículo, com muito esforço e pedidos de licenças conseguiu ver o interior do mesmo.

- Dê licença, dê licença! – chegavam mais homens de roupas brancas.

Alguém da multidão deferiu sagazmente:

- Este daí, já era…

Com muito trabalho conseguiram retirá-lo do meio das ferragens.

Outra pessoa indaga:

- Doutor, ele morreu?

- Não. Mas o estado não é dos melhores. Dê licença, dê licença, precisamos levá-lo ao hospital o mais rápido possível.

Os dois enfermos foram encaminhados ao hospital da cidade. Não tardou e a polícia chegava ao local. Restava ao pessoal apenas comentar o fato ocorrido.

- O que uma bela mulher não faz com um homem – dizia um ancião de uns oitenta anos.

- Ele descobriu que a mulher o traia – afirmava o amigo do velho que possuía quase a mesma idade, alguns anos a menos.

Muitos comentários a respeito do ocorrido, o certo é que tudo aquilo havia virado realidade, acontecimentos que ninguém desejaria presenciar, mas que volta e meia chegam assustando a todos sem aviso ou compromisso.

Passado seis dias, ausente e presente neste mundo, o homem do carro volta à vida com plena consciência de vida.

- Onde estou? O que aconteceu comigo. – Lembra dos vários copos de bebidas, dos insultos ao garçom, da perda da direção. No fundo torce para que tudo aquilo não tenha passado de um sonho, um horrível pesadelo.

- Você foi um irresponsável – explica a enfermeira dando uma pequena pausa. – Atropelou uma senhora, derrubou um muro e acabou com o seu carro.

- Atropelei…? Como assim, atropelei…?

- Atropelou uma senhora. E o pior: ela perdeu uma das pernas. Os médicos tiveram que amputar o membro esquerdo da pobre mulher. Está feliz agora?

- Meu Deus, o que eu fiz? Tudo por causa daquela desgraçada da minha esposa!

- Não coloque culpa em outrem, a culpa foi somente sua. Dirigir alcoolizado e em alta velocidade, crime grave, não acha.

- Tem razão… Fui uma criança. Mas como passa a senhora?

- A sua mãe? Passa bem…

- Minha o quê? – O mundo desabou sobre si em tamanho peso.

- Só que sem a perna esquerda.

Um ato é capaz de mudar o mundo, tanto para o bem quanto para o mal. Pense antes de agir.

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Capotamento em alta velocidade

cão-correndo

Todos os seres tem uma história, uns possuem verdadeiras sagas, outros ficam marcados por um singelo acontecimento. Já faz algum tempo, estávamos a passar pela estrada de terra que leva a comunidade de Canabravinha, íamos de carro. Na nossa viagem de ida o sol estava quente, era pouco mais das 13h00. Ao passar defronte a certa residência um cão levantou do seu sono, correu a porta e latiu três vezes. Olhei pelo retrovisor e vi o rei retornar para a sombra todo cheio de si, sacudindo o rabo e balançando o traseiro. Até cão sabe ser metido.

A rotina do cachorro foi sempre esta, correr atrás dos automóveis que passavam pela estrada. Ele era o dono do pedaço, naquela área ele mandava, as cachorras eram todas do harém dele. O bicho virou corredor, havia dias que ele dava suas arrancadas umas vinte vezes, sempre retornava com estilo.

Na nossa volta, o sol já sumia no horizonte, ao apontarmos na curva o cão correu e se preparou rente ao portão, começou a latir. Nosso carro passou e o danado se lançou atrás, corria muito, estávamos a uns cinquenta quilômetros e ele acelerava lado a lado conosco. O carro ia rente ao final da margem da estrada, ao chegar a dado ponto tinha um pequeno obstáculo, o cão não pressentiu o perigo, não pôde evitar o capotamento. Tropeçou em uma pequena ondulação rodopiando várias vezes sobre o próprio pescoço.  Observávamos pelo retrovisor, diminuímos o ritmo, pudemos ver o coitado retornar cabisbaixo e triste para sua residência. Já nós nos fartamos de tanto sorrir. Quem mandou ser metido a Zé Gostosão.

O bom foi que nenhuma das fêmeas viu a triste cena, se vissem poderia abalar a reputação do mesmo. Será que após este trágico acontecimento ele ainda continuou a correr atrás de carros e motos?

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Tenho Fome

out 19 2013 Published by under Contos

- Pai – lágrimas nascem dos belos, cansados e tristes olhos da pequena criança, despencam pelo rosto seco de uma sertaneja sofredora.

O homem estava à janela com um olhar fixo no horizonte tostado de uma vegetação aparentemente morta. Tem medo de voltar à atenção para prole, sente os soluços da menina, prever o que se possa ter acontecido.

- Pai, eu acho que meu irmãozinho morreu – as lágrimas aumentaram de volume, chuva de dor em pleno Sertão.

O garotinho estava de cama havia cinco dias em um estado esquelético de plena desnutrição. Sofria a angustia de ser devorado de dentro para fora. Seus grandes olhos buscavam loucamente o infinito, já não vislumbrava a esperança. Ele se contentava em saber que poucos minutos o salvaria daquelas pesadas correntes. A morte para a pequena criança seria a libertação de uma prisão que o destino lhe obrigara a enfrentar.

O debilitado senhor leva à mão direita à testa e ainda olhando aquele cenário que para ele tinha se tornado medonho chora nas profundezas da alma, sente o coração despedaçar. Faz um esforço para rezar. Tenta entender. Não conseguindo obter respostas, conversa com a imensidão:

- O que eu fiz para merecer tudo isso? Onde moro nem furtar eu posso, sendo que não possui nada a ser furtado. Agora acabo de perder meu filho, se ficar por aqui algum tempo mais, logo perderei minha filha. E se por acaso eu vir a perdê-la, não pensarei duas vezes em dá cabo da minha degradante vida, juro que eu me matarei. Não lhe pedir para nascer! Para que tanto sofrimento? Caso isso tudo seja para me punir livrasse pelo menos a minha família desses padecimentos. Meu coração tornou-se duro demais para Lhe aceitar. Como pode um pai fazer algo assim com o filho? A vida em si de nada vale, pois ela nos leva a pesado sofrimento. A minha vontade agora é de pegar uma faca e acabar com o que nem deveria ter tido o trabalho de começar, só não o faço por ainda existir minha pequenina filha, que não merece o destino que deram a ela. De hoje em diante farei o possível e o impossível para que o alimento não falte à mesa da minha pequena.

Em um lençol branco e imundo estava um corpo franzino de um garotinho de seis anos. Nem uma caixa de madeira o pobre tivera direito. Poderia no futuro, quem sabe, ter sido um homem importante, ou o cientista descobridor de algo benéfico à sociedade. Morreu sem conhecer a vida. Partiu clamando e desejando na sua débil loucura a morte. Acabou-se antes mesmo de ter começado a sonhar. Seu Zé, como era chamado pelo povo sofrido desse lugar, abriu e fechou a sepultura na companhia da pequena filha; ao término, os dois se abraçaram e choraram por longos minutos.

Jazia no pequeno cemitério ao lado da casa, esta feita de barro e varas, cinco corpos, o da mulher, os das três filhas mais velhas e agora o do garotinho de seis anos. Cinco cruzes no chão seco mostravam uma realidade macabra, a penúria de se morrer por falta de alimentação. Ali estava um mundo esquecido dentro de outro todo conectado. Dificilmente alguém passaria por aquele local. Para o mundo aquela gente sequer existiu, as cruzes na imensidão da Caatinga só relatava a força que o ambiente exerce sobre os seres não adaptados.

A família numerosa fora vitimada pela doença de nome “Fome”. Restara apenas o pai e a filha menor.

- Filha – dizia com certa frieza. A dor moldou em seu rosto a decepção pela vida. – Temos que partir.

Pai e filha fugiram da seca deixando para trás a humilde casa e um pedaço seco de terra sem valor algum; a família teria que ficar, enterrada com seus sonhos, medos e vontade de dias melhores. Ficava neste lugar uma história não divulgada, porém jamais esquecida pelos dois que a vivenciaram. Ninguém sabia daquela triste tragédia, apenas os autores e os anjos que os escutavam.

Esses casos acontecem todos os dias a nossa volta, não nos damos conta. A vida nem sempre pode ser considerada vida para todos.

Esta pequena história não teve um final, sabendo que vagam por estas paragens muitos pais e muitas filhas, desnutridos, podados nos sonhos de uma vida simples e digna. Enquanto o orgulho reinar nos nossos corações, situações como a descrita acima ainda continuarão a acontecer.

Seu Zé e a filha saíram a vagar de cidade a cidade, de povoado a povoado, sumiram no mundo, não deixando rastro nem pista, fantasmas de uma sociedade torta.

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Para um esperto, um esperto e meio

bruacas

Na vida muitos usam da esperteza para levarem vantagem, alguns conseguem, outros nem tanto.

É dia de feira livre, dia de comprar mantimentos para a semana: carne seca, arroz, feijão, rapadura e farinha. Das comunidades vinham às famílias a puxar os jumentos munidos de bruacas. Antes de o galo soltar seu primeiro canto, o barulho, o movimento na praça já era enorme. Às oito horas, um senhor coloca uma mesa encostado em uma esquina e espera pelos fregueses para uma brincadeira, um divertimento que criança passa longe, coisas de adulto. Neste mundo cada qual procura seu jeito de ganhar a vida, ele tirava seu sustento da malandragem que aprendeu.

Um homem se aproximou e ficou a observar.

- Companheiro, posso jogar?

- Mas e claro, amigo. Só precisa ter dinheiro.

- Observei e parece fácil se dá bem neste jogo.

- É muito fácil… basta acertar onde se encontra a bolinha.

- Vou apostar mil cruzeiros.

- Mil… Gosto de jogador determinado. Para se dá bem no jogo tem que está confiante.

O pessoal foi encostando. Mil cruzeiros na aposta chamava muito a atenção dos curiosos.

- Olhe bem… a bolinha está neste copo, eu irei girar os três copos e o senhor escolherá apenas um.

- Dois por um. O dobro de chance para o dono da banca. Vou apostar mil. Se eu ganhar levarei quanto?

- Se o senhor acertar levará dez mil.

- Posso apostar mais?

- Claro.

- Vou apostar cinco mil.

- Vou girar os copos.

O homem rodou os copos devagar, todos viam que a bolinha se encontrava no que parou no centro. Ninguém conversava, a aposta era entre os dois.

- Não tem como eu perder? Todos aqui viram que a bolinha esta neste copo. – Colocou a mão direita sobre o copo. – No copo do meio. Eu tenho tanta certeza que sou capaz de dobrar a aposta.

- Se o senhor quiser. Fique a vontade.

- Aposto dez mil que a bolinha branca está debaixo deste copo.

Uma pessoa que assistia murmurou:

- É sempre assim, sempre temos certeza, mas nunca ganhamos.

- Se eu apostar vinte mil eu ganharei quanto?

- Duzentos mil.

- Posso apostar vinte?

- Até trinta se quiser.

- Eu aposto os trinta.

Tirou um pacote de dinheiro do bolso e pôs sobre a mesa.

- Pronto. Aqui está os trinta mil.

- Agora pode levantar o copo – disse o dono da banca sorridente.

- Pensem comigo, amigos. Se a bolinha se encontra debaixo do copo que a minha mão está o segurando, então os outros dois copos estão vazios. Levante-os. Se a bolinha estiver em um deles os trinta mil será seu.

- Como assim? Você é que precisa levantar o seu copo.

- Já que eu sei que a bolinha se encontra aqui embaixo… Levante os outros dois copos.

O pessoal gritou:

- Levante! Levante!

Levantou devagar o da esquerda. Nada da bolinha. Levantou o da esquerda. Não tinha a bolinha. A bolinha só poderia está no copo do meio.

- Não preciso nem levantar o copo. Se não está em nenhum dos dois copos só pode está neste. Quero meus trezentos mil cruzeiros.

- Mas eu não tenho todo este dinheiro agora.

- Como é que uma pessoa aposta sem ter dinheiro. Vou ficar com o seu carro.

Na mesma localidade, mas em outro dia, uma mãe conversa com o filho:

- Filho, amanhã você levantará cedo para ir trabalhar com o seu pai. Já está na hora de você ajudar com a despesa da casa.

- Acordar cedo? Deus me livre!

- Converse com o seu pai então.

O pai ia entrando pela porta.

- Se a sua mãe disse está dito, rapaz. Amanhã cedo você irá trabalhar.

No outro dia ainda escuro o pai acordou o filho, este resmungou e se colocou de pé.

- Estou indo. Daqui a vinte minutos quero você no curral.

O pai foi à frente, logo o filho saiu de braços cruzados e de cabeça baixa. No trajeto um pequeno pacote se encontrava no chão, olhou aos quatro cantos, estava só, apanhou-o e o colocou no bolso. Seguiu seu destino. Ajudou o pai e retornou para tomar café.  Ao chegar a casa abriu o pacote e nele havia mais de mil cruzeiros.

-Mãe, achei este dinheiro no caminho para o curral.

- Está vendo, meu filho, quem madruga Deus ajuda.

- É minha mãe, mais cedo perdeu quem mais cedo madrugou.

Os dois fatos mencionados acima fazem parte das conversas de ruas, de botecos, de esquinas. Já o próximo conto que ditaremos abaixo foi verídico, aconteceu na antiga Água Quente, hoje Érico Cardoso.

As chuvas foram boas, o arrozal cresceu bonito, o homem do campo trabalhou feliz, arou a terra, semeou, regou e espantou as baias, colheu, bateu e no lombo dos jumentos entregou ao comprador. A primeira carga vinha chegando a porta do homem da cidade, quatro jumentos carregando cada um duas bruacas com o grão branco.

- Seu Cardoso, trago as primeiras cargas do arroz segundo o que combinamos.

- Deus foi generoso, Seu Zé. Muita chuva no tempo certo e sol na colheita. Produção alta.

- Foi muito boa a produção. Irei lhe entregar cerca de cinquenta bruacas destas, todas abarrotadas. O senhor quer conferir a mercadoria?

- Não, não precisa. Eu confiou no senhor. Só preciso saber quantas bruacas o senhor trará por vez.

- Como o senhor ver eu trago oito.

- Quando trouxer a última carga lhe pagarei o combinado.

- Até o final da semana trago tudo.

O homem continuou a trazer as bruacas, as duas primeiras abarrotadas, na terceira as bruacas vinham quase pela metade, para alegria dos jumentos e do dono. Quanto ele não iria surrupiar naquela magnífica manobra? Chega o dia de sábado, a pequena tropa parava defronte a residência do comprador.

- Seu Zé, esta é a última carga?

- Sim.

- Seu arroz rendeu em, Seu Zé? Cinquenta e seis bruacas abarrotadas do grão.

- Foram cinquenta e seis na tampa. Para os jumentos subirem a ladeira da ponte foi um sacrifício. Houve vez que pensei que não iriam aguentar.

- Deixe-me dá uma olhada nestas bruacas.

- Como assim?

- Quero ver se estão mesmo abarrotadas.

Ao abrir a primeira os olhos brilharam.

- É, Seu Zé, esta aqui parece que derramou pelo caminho. Deixe-me ver a outra. Também. E a outra. Todas estão abaixo da metade. Como tivemos cinquenta e seis bruacas abaixo da metade então tivemos cerca de vinte e cinco bruacas cheias. Este será o valor que o senhor irá receber.

O sertanejo triste diante a situação aceitou sem contradizer. Deus foi generoso com a chuva e a boa safra, mas a ganância dele levou boa parte do lucro para as mãos de outra pessoa. Como dissemos no título: Para um esperto, um esperto e meio.

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Qual é o custo real de um funcionário para uma empresa?

out 05 2013 Published by under Contábeis

TrabalhadorTodos nós sabemos que um funcionário para uma empresa custa bem mais do que o simples repasse feito a ele pelo trabalho realizado no decorrer de um mês. Será se todos os empresários conhecem de fato o valor montante? Partamos pelo Salário Mínimo corrente (2013) de 678,00 reais. Muitos ao contratar têm a errônea ideia de pensar que seu funcionário custará apenas à quantia mencionada, estamos falando de uma pessoa que é contratado com o Salário Mínimo. Observação muito importante: “Nenhum funcionário poderá receber abaixo do estipulado pelo Governo, neste caso o Salário Mínimo”. Usamos o programa do Site (http://www.calculador.com.br/calculo/custo-funcionario-empresa) que oferece de forma rápida e fácil o cálculo referente a um mês trabalhado, basta digitar o valor do Salário e demais custos, se por ventura os tiver, e no final sairá um pequeno relatório. Fizemos usando a base de 678,00 reais e chegamos ao montante por mês de 1.036,59 reais. Alguns irão espantar e indagar: “Mas o cálculo está correto?”. Na matemática em certos casos usamos a proporção, esse por sinal é um deles. Se existe o direito de Férias, se há o Décimo Terceiro, estes valores serão fracionados nos doze meses, cria-se uma provisão, desta forma se sabe ao certo o montante no decorrer de um mês por exemplo. De 678,00 reais para 1.036,59 reais temos um acréscimo de 52.89%. Do montante, 226,76 reais são de impostos, ou 28.00% do que a empresa gasta para manter um funcionário (809,83, contados com as provisões é o valor real gasto com um funcionário). Não podemos nos esquecer de que se o funcionário for demitido sem justa causa o patrão terá que depositar 50.00% do valor existente na conta do FGTS do dispensado.

Ao contratar pense e analise bem sua estrutura. Para saber o valor final dos seus produtos e serviços leve em consideração todos esses custos mencionados no texto.

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Frase do dia

out 05 2013 Published by under Frases

Tudo se acaba como começou, com uma grande interrogação.

interogacao

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