Archive for: setembro, 2013

O Circo

set 26 2013 Published by under Poemas

circo

O Circo
*
O circo chegou
Vamos ao circo
Teremos calor
E muito sorriso.
*
O circo chegou
Trazendo alegria
Brincadeira e aplausos
E muita magia
*
O circo chegou
Vai ter espetáculo
Globo da Morte
Suspense no palco.
*
O circo chegou
Paraíso de cores
Pureza e encantos
E muitos sabores.
*
O circo chegou
Com ele os mágicos
Apenas um toque
Sonhos se abrem.
*
O circo chegou
No céu acrobatas
Olhos fascinados
Crianças encantadas.
*
O circo chegou
Trouxe palhaços
Contento no rosto
Um mundo encantado.
*
O circo chegou
Serão quatro dias
Jovens e adultos
No trem da folia.

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A macumba decide uma eleição?

Feiticeira

Neste mundo onde há muito ainda a ser explicado, local em que sonhamos com super poderes, quando as coisas não vão bem apelamos de imediato ao sobrenatural, as forças ocultas, mesmo dizendo ser Ateu corre a procura de uma santa solução.

Aqui é a Bahia, meu rei! Terra de todos os santos e de todos os oxalás.

- Compadre – pede a atenção Seu Zé falando baixinho, ninguém poderia escutar.

- Pode dizer, Zé.

- Quero que o senhor me acompanhe a um especifico local.

- Posso saber onde?

- Iremos ganhar a política agora.

- Como assim? A eleição será ainda daqui a um mês.

- Entre em meu carro que vou lhe levar a um lugar.

Os dois partiram estrada adentro. Após andar cerca de cinquenta quilômetros, pararam defronte a uma humilde residência, de adobe, tinha uma calçada e o terreiro estava limpo, algumas galinhas pretas vagavam a procura do que comer.

- Oh de casa! – grita Zé. – Oh de casa!

- Já vai! Não precisa mais gritar. Para que tanta gritaria? Eu não sou surda não.

Abriu a janela e os indagou:

- O que os senhores querem comigo?

- Precisamos de uma ajudinha da senhora.

- Chegou na hora certa. Hora boa para mexer com essas coisas, é no deitar do sol que as forças ocultas são mais vivas e fortes.

Os dois entraram na pobre residência, chão de terra e um banco de madeira a esperar as visitas, ou clientes.

- Dona Clotilde, precisamos da sua ajuda. Estamos disputando uma eleição muito difícil e não podemos perdê-la de jeito algum.

- Vocês são de onde?

- Somos de Água Quente.

- Já tive alguns clientes de lá. Muitas eleições na nossa região sou eu quem as decide. O candidato imagina que dando mantimentos e dinheiro fará com que o cabra vote. Estão enganados. A força dos meus amigos atrapalha a visão das pessoas quando diante do papel, elas pensam que votam num, mas na verdade votaram noutro.

- Queremos que a senhora faça o mesmo com os nossos eleitores.

- Deixe-me ver com meus amigos o que eles dizem a respeito de tal eleição.

A mulher entrou para um quarto escuro e lá permaneceu por um bom tempo.

- Será que a mulher não foi dormir, Zé?

- Que nada. Demora assim mesmo. Vamos esperar.

- Então por que está demorando?

- É assim mesmo, às vezes os amigos dela não estão por perto. Temos que aguardar. Depois que ela fizer o trabalho, a vitória nas urnas será certa.

- Sei não, Zé…

- O mal é a sua falta de fé.

O trinco da porta se mexeu, a mesma foi puxada, a mulher voltava pensativa.

- O que tem para nos dizer, Clotilde? – pergunta Zé afoito.

- De fato a eleição na sua terra é das mais difíceis. Tive uma longa conversa com meus amigos e eles me disseram que somente com um trabalho bem feito para poder ganhar nas urnas com facilidade.

- E o que teremos que fazer?

- Vejo que seu amigo não está muito confiante nos meus poderes não.

- Não se preocupe não, ele é desse jeito mesmo.

- Eles me pediram a lista com todos os nomes dos eleitores do município. Se vocês conseguirem a tal lista já pode se considerar o mais novo prefeito de Água Quente.

- Viu. Se fizermos tudo como ela disse você será o futuro prefeito. Desta vez não tem para ninguém.

Os dois partiram, mas antes tiveram que pagar pelo serviço.

- Quanto nós temos que pagar por ter nos ajudado? – pergunta Zé.

- Pagar? – indaga o amigo surpreso.

- Eu não cobro nada pelo que eu faço, porém muitos me presenteiam com alguma coisa. Vocês veem, eu preciso de ajuda para sobreviver, sou pobre.

Zé tirou um pacote de dinheiro do bolso e passou as mãos da mulher. Os olhos dela brilharam de contentamento. Pegou o pequeno maço e em voz baixa contou as notas: dez, vinte, trinta, cinquenta, setenta, setenta e cinco. Ao terminar fez cara de quem não gostou.

- Mas isto está pouco demais. Desse jeito não dá mais para trabalhar.

- Quanto nós teremos que pagar mesmo?

- Mais umas cinco vezes esta quantia que está em minhas mãos.

- Não dispomos desta quantia agora, da próxima vez quando voltarmos aqui com a lista dos eleitores nós lhe pagaremos o restante.

- Agora sim… Melhorou bastante. Meus amigos reclamam quando trabalho e não cobro. Eu não gosto de cobrar, mas a vida é dura e a gente precisa muito da ajuda do pessoal que nos procuram.

Eles correram a conseguir a lista com os nomes dos eleitores, o candidato sempre com um pé atrás, todavia não poderia de jeito algum contrariar o amigo e eleitor. Gastou dinheiro e tempo para ter em mãos a lista e arcou com toda a despesa com a mulher, pois o homem que pagou antes cobrou com juros e correção depois. A eleição não demorou em chegar, logo se apuraram os votos, e o candidato perdeu por uma poção de votos de diferença, aqui dizem: “De lavada”. Será se o outro candidato não procurou a ajuda de uma feiticeira com maior poder, ou talvez tenha ido atrás de logo duas ou três? Um velho ditado popular da nossa querida Bahia: “Se mandinga valesse o Campeonato Baiano de Futebol terminaria todos os anos empatado”. Vá saber se com o outro candidato não deu certo. Aí, meu compadre, será outra história.

Esta história foi baseada em um fato que aconteceu na nossa querida Água Quente. Em cidade pequena tudo gira ao redor da política local.

One response so far

Não e não e não

set 13 2013 Published by under Poesia

Não

Não e não e não

                ***

Não procure aplausos

Não venere a fama

Não pense que é Deus

Não se iluda com elogios

Não há reis neste mundo

Não existe eternidade na Terra

Não perca seu escasso tempo

Não se mate por pertences

Não ignore o texto

Não abra a porta

Não a feche

Não faça nada que desagrade

Não ande sem direção

Não cante para surdo

Não exija do outro

Não pare nunca de sonhar

Não diga não quando a resposta deve ser sim

Não diga sim quando tem que dizer não

Não é como você está pensando

Não e não e não

Não faça isso

Não é culpa do Criador

Não pare antes da chegada

Não pereça em vão

Não ao não

Não posso continuar

Não tenho mais forças

Não há palavras

Não, basta para encerrar:

Não!…

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Chegada e Partida

set 10 2013 Published by under Poesia

Cometa

Chegada e Partida

A vida começa na alegria de uma enigmática interrogação

A essência se finda na tristeza do mesmo sinal

Do nada eu vim

Para o nada voltarei

Somos poeira estrelar

Fagulhas de um cosmo sem fim.

One response so far

Que horas será o Sete de Setembro?

Sete de Setembro

Nos botecos são os locais onde acontecem de tudo um pouco. Quer ouvir piadas? Procure um boteco. Quer conhecer novos causos? No mesmo local. Quer jogar conversa fora? Não há lugar melhor.

Manhã do feriado, dia de homenagear a Pátria, Dom Pedro I gritou as margens do Ipiranga “Independência ou morte!”. Dia de folga é momento de levantar cedo, acordar com os galos para desfrutar ao máximo. Vamos jogar dominó, sinuca, baralho. Tomar uma pinga, comer um churrasquinho. Vamos nos divertir.

Foi em uma roda de bar, entre um copo de cerveja e uma dose de milonda, ao sabor do barulho das bolas de bilhar entrando na caçapa, da risada descontraída e farta que uma simples conversa se transformou em algo engraçado.

- Vem cá, Bory – Mota pede a atenção do amigo.

- Pode falar, Mota.

- Eu gostaria de saber que horas será o Sete de Setembro aqui em Água Quente?

- Se lá em Ibiajara o Sete de Setembro é de meio dia pra tarde eu não sei, mas aqui em Água Quente o Sete de Setembro é o dia todo.

O boteco lotado de marmanjos se explodiu ao som estridente das risadas.

- Eu me referi ao Desfile Cívico – explica Mota todo sem graça. – Não ver, eu irei vestir de Dom Pedro Primeiro?

- Na terra dele o Sete de Setembro é do meio-dia pra tarde – caçoa Zé Rodão aos risos.

Todos os anos no feriado de Sete de Setembro sempre há alguém a relembrar o engraçado acontecimento, por sinal hoje mesmo estava defronte a minha residência e o fato voltou a acontecer, Boga viu Mota passar dirigindo e o chamou, o nosso Raul Seixas retornou e os dois em gargalhadas relembraram daquele cômico acontecimento.

Este texto foi baseado em fatos reais, aconteceu na antiga Água Quente (hoje Érico Cardoso).

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Paralelepípedo

Paralelo

Paralelepípedo

***

Quero passar

Um pouquinho para o lado, por favor

Para a direita

Esquerda

Tanto faz

Estou com pressa

Saia já daí

Fale alguma coisa

Você é mudo?

Faça um movimento

Que rocha

Sem sentidos

Sem sentimentos

Por que logo em minha frente

Parada

Inerte

Passará a vida toda aí?

Que diabo de vida é esta

Uma pedra no meio do caminho

Alguém já disse isso antes

Será que foi com a mesma?

As pedras são todas iguais?

Ela me olha

Ela me escuta

Recebe insultos

Ignora os pensamentos dos outros

Vive no mundo dos paralelos

Em uma dimensão estranha

Paralelo ao nosso

Será que foi por causa desta pedra que se criou o mundo paralelo?

A rocha não fala

Mas nos colocam a pensar

Mesmo sem ser atirada em nós

Dá uma dor de cabeça…

É melhor eu desviar

Não

Vou por outro caminho.

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Casamento à moda antiga

Cavalheiro

- Olhem lá, olhem lá!

- Onde?

- Os noivos estão chegando! Vivas aos noivos!

- Hoje teremos festa, carne assada e pinga da boa – comenta um bêbado jogado nos degraus da igreja. – Vou me fartar.

Os animais vinham em ligeira cavalgada, na mesma passada, uns pretos, outros castanhos, brancos e pintados. “Coisa bonita de se ver”. Uma cena de filme do faroeste americano. A poeira levantada pelos cascos contracenava com o Sertão seco. Cavaleiros afoitos, cavalos cansados e com fome de água. Aquela tropa avançava sem cessar, as pessoas saiam às portas a felicitarem com boas vindas.

A tropa parou frente à igreja matriz. As casas se esvaziaram, os curiosos correram ao local. Fogos subiam ao céu, logo uma lira já se encontrava a animar, a pinga era servida a largo.

- É festa, minha gente, é festa! Vamos beber – gritava o homem metido em um paletó.

Passado quase uma hora, a farra seguia, o número de participante aumentava de minuto a minuto. Uma voz interrompeu a alegria:

- Pessoal, vamos se achegar. O Padre pediu para lhes dizerem que já é chegada a hora.

- Mas cadê a noiva? – indaga o homem de terno.

- A noiva já está a caminho. O noivo só a pode ver no altar. Se a ver antes, você sabe o que acontece, azar no amor. Respeite a Casa do Senhor, deixe a pinga para a festa.

Ao pronunciar Casa do Senhor, de imediato o silêncio ganhou a batalha contra a animação, era a paz de Deus contra o reboliço da algazarra. Todos entraram para a Santa Casa. Raras eram as palavras, apenas alguns cochichos. Aquele povo simples observava as imagens, os Santos os intimidavam, um dizia “Olhe lá”, o outro “Aqui é a casa de Deus”, um sentenciava “Se perturbar te mandarei ao inferno”. A cabeça daquela gente fervia só em pensar na punição de uma possível ida ao encontro com Satanás.

O Padre apareceu ao altar e convidou o noivo para está ao lado dele. A luz que adentrava pelas portas da frente deixava seu interior escuro.

- A noiva começa a adentrar na Santa Casa – pronuncia o Padre. – Vamos recebê-la de pé.

A claridade que penetrava pela porta misturava com o branco do vestido da noiva, aquela cena na cabeça dos presentes era como um anjo a descer a Terra.

- Mamãe, um anjo! – fala uma garotinha enquanto puxava a barra do vestido da genitora.

- Como ela está bonita…

A Lira deixou suaves notas vagarem pelo ambiente, soltava pelo ar a famosa melodia que de tão tradicional a cada ano que passa torna-se ainda mais importante nesse tipo de cerimônia.

O Padre abençoou as alianças. As juras eternas foram afirmadas pelo casal. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza… Um singelo e rápido beijo selou a união de dois corpos em apenas um. Perante Deus e a sociedade uma nova família germinava com a plena concessão das partes.

Fogos subiam alegres, alegres estouravam para alegria geral. A Lira entoava melodias que animavam a todos. A bebida corria solta, ainda estavam em frente à Igreja, curtiam o singelo momento. Após uma hora de comemoração, a comitiva partia e em seu rastro deixava saudade e boas lembranças, desta vez com as companhias da noiva já casada e de alguns amigos que se aventuram em ir curtir a festança. A poeira baixava devagar, os últimos cavalos dobravam a esquina e se perdiam da visão dos que ali ficavam.

O sol ainda estava vivo, fazia muito calor. O noivo de terno e gravata sobre seu cavalo castanho era o mais alegre, ele quem conduzia a tropa. Em todas as comunidades que passaram fizeram uma pequena comemoração, pelo seu rastro era como o telégrafo a deixar a notícia do casório dos dois.

- Mãe, quando eu casar eu vou querer um festa igual à de Maria – comentava uma moça de uma das comunidades ao observar a comitiva partir.

- Se você encontrar um homem de posses… Um casamento assim fica caro.

Ao chegar ao derradeiro povoado, daquele ponto somente restava atracar no destino, os homens já estavam sobre o efeito do álcool, pararam para dá o que beber aos animais. Em uma baixa se encontrava uma aguada, suas águas não se distinguiam com a cor da terra, era tudo uma coisa só. Os cavalos loucos pelo líquido foram encostando e abaixando o pescoço, os cavaleiros sequer tiveram a coragem de descer, o estado era precário, se descessem certamente não conseguiriam voltar a montar. O noivo, o mais alegre e embriagado do bando, desceu a pirambeira correndo montado em seu animal. O bicho não freou, adentrou com tudo dentro da água, quando o líquido chegava já no dorso, o danado virou e deixou cair quem estava em cima. As mulheres choravam de tanto sorrir, os homens davam tapas nos traseiros das montarias e gritavam de tanta emoção. O noivo saiu do tanque puxando seu animal pelo cabresto. Não havia tristeza no rosto, pelo contrário, apenas alegria.

- Juca tá parecendo a um barrão – gritou o irmão do noivo.

A risada que começava a perder força cresce atingindo alto grau. O noivo estava todo encharcado, sujo, vermelho, um legítimo barrão. O que fazer? Como poderia o noivo chegar naquele estado em sua terra para o baile e a festa? Em pouco tempo o homem já se encontrava em uma residência a tomar banho. Os amigos correram a lavar o animal. Um senhor o emprestou um já gasto terno. Ao vesti-lo ficou bastante folgado.

- Fazer o quê? Se não há outro, vamos com este mesmo.

Os cavaleiros e as suas companheiras seguiram viagem. Não demoraram e já se encontravam à porta da sua comunidade. A população local esperava apreensiva e preocupada, já era noite e a previsão para chegar havia passado de três horas. A criança que tinham mandado ir à procura de informação, ao chegar ficou a fazer parte do movimento e voltava junto com os demais. Foguetes estouravam aos quatro cantos, o reisado se colocou à frente e conduziu o grupo montado até a porta da casa da mãe da noiva.

- Vivas a Juca e a Maria! – gritou o tocador de reis.

A multidão em uma só voz:

- Viva!

- Vivas aos noivos!

- Viva!

- Viva à festa que foi feita para nós!

- Viva!

O reisado continuou o seu batuque, foguetes de tempo em tempo falavam que a festança não teria hora para terminar. O forró comeu solto pelo terreiro de terra batida. E a vida continuou. O casal teve vários filhos e o sertão se embelezou em flor.

Esta história foi baseada em um fato verídico que aconteceu pelas terras de Paramirim. Fizemos algumas modificações, usamos da nossa arte de escrever, de romancear. A história, ou melhor, o caso, foi nos contado por Milton Cardoso (Bezinho).

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