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Vida de Criança

ago 07 2013 Published by under Crônica

Os adultos sempre dizem que têm saudade do tempo de criança. Claro. Como não. A sobra dos grandes momentos se chama saudade. Ser criança é ter no rosto o sorriso da liberdade, da felicidade e da fascinação pelas descobertas. O adulto chora o diamante que perdeu, chora o choro que não chorou quando não tinha motivos para se infelicitar, chora porque sabe que venceu o doce açucarado da existência.

A criança brinca feliz, corre atrás dos frangos, nada a incomoda, o mundo a diz brinca, ela não precisa nem responder, eu já sabia, os traços no rosto falam por si só. As brincadeiras que rodopiam pelos prados de fantasia que envolve essa bela fase são em muitas cores e formas. Outro dia um garoto, de cinco a seis anos, corria montado em um cabo de vassoura como se fosse o seu mangalarga, e era sim um majestoso, a felicidade dele tornava o sonho realidade. A criança brinca, não deseja outra coisa, brinca porque nascera para brincar, brinca e cumpre a razão do existir.

Em tempo de pipa a fascinação é toda dela. Tem a época do ioiô, da bolinha de gude, das cartinhas de coleção, dos carrinhos de tábua, o futebol parece eterno. Boca de forno, forno, se eu lhe mandar você ir você vai, vou, se não ir, ganha bolo. Simples e prazeroso, que vide a mim as criançinhas, disse o Mestre Jesus.

Os anos passam e nos tornamos duros, ambiciosos e menos felizes. Por que afinal temos que ser assim? A nossa busca pelo sucesso nos faz perder o que tínhamos de melhor, a alegria. Esse curso segue constante e firme, tormentas de um rio que nasce calmo para se tornar tenebroso. Aceitamos a natureza da idade como se fosse lei, talvez seja. Ao crescer deixamos de viver em um mundo gigante e cheio de sonhos para se contentar a um punhado de deveres e obrigações.

Crianças sonham apenas em pensar em ir dormir, saboreiam as histórias infantis como se fossem as personagens principais, correm, pulam e se acham donas do mundo. Quando os pais desligam a luz e diz “Boa Noite”, ela responde meigamente “Amém”. Dorme e sonha, mas não precisa dormir, sonha durante o correr do dia inteiro.

Há vários mistérios na vida, um deles é o simples fato de existir um pulo gigantesco da infância para adolescência, uma transformação que destrói quase tudo da primeira fase levantando uma nova consciência. Essa agitação leva muitos a se precipitarem na ribanceira da aparente liberdade, fruto do impacto da criancice com a rebelião de uma adolescência que ferve por todo o corpo.

Atirei o pau no gato tou tou; ciranda, cirandinha vamos todos cirandar; o cravo brigou com a rosa; se esta rua fosse minha, Terezinha de Jesus. As músicas abrem um campo que mostra a singeleza desse curso. Lembrar é recordar e recordar é viver, viver sempre recordando para poder viver dias melhores. Se não podemos voltar a serem crianças que sejamos crianças nas demais fases da existência, porque para alçar voo ao Reino de Deus precisa ser como as criançinhas, assim sentenciou Jesus.

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