Archive for: maio 18th, 2013

Jogando Contra

A história é bonita e merece ser sempre lembrada. Nossa região ao longo do tempo teve seus personagens, alguns deles com suas histórias pra lá de engraçadas. Iremos contar um pequeno acontecimento que se deu lá pelas paragens do antigamente. Um fato ocorrido nas peladas de finais de tarde da antiga Água Quente, hoje Erico Cardoso.

O final de tarde se aproximava, a juventude se preparava para um bate bola, rotina daqueles tempos. Repartiram-se os times, onze para cada lado, jogavam-se bons e também os sem habilidades. No baba do dia anterior havia chovida bastante, o pessoal saiu todo encharcado. Mas antes devemos mostrar, ou dizer, como eram confeccionados as chuteiras. Antigamente, por aqui, não existiam as marcas Nike, Adidas, nem tão pouco Puma; chuteiras eram de couro de boi, feita sobre encomenda no sapateiro local. O profissional que exercia a função era Tõe Martins. Os jogadores sempre o procuravam para fazerem seu instrumento de diversão.

- Tõe, estou precisando de um par de chuteiras – chegou um freguês todo sorridente.

- Para quando?

- O quanto antes melhor. Estou jogando de pés descalços. Preciso delas, pois o campo tem muitas pedras e espinhos.

- Vou tirar a medida e em dois dias você terá suas chuteiras.

Combinaram-se o preço e no dia aprazado o jovem voltou para apanhá-las. Ali mesmo experimentou, olhou, voltou a colocar no pé novamente, enfim, ficou satisfeito. Foi aconselhado que se colocasse dois pares de meiões para se evitar os possíveis calos. Esta mesma tarde teria treino, ele iria estrear seu calçado novo, a expectativa era enorme. O treino começou às quatro da tarde, o céu estava nublado, após meia hora de diversão o cacau desceu. Chovia forte, raios e trovões de tempo em tempo. Como o jogo estava gostoso, parar jamais. Com o fim do temporal deu-se o fim da diversão. Cada qual procurou seu destino, uns correram ao rio para se banhar, outros foram para suas devidas residências.

Na tarde do dia seguinte, a juventude estava toda lá, no mesmo local, no mesmo horário do dia anterior, após ter repartido as equipes, a bola rolou. Bola pesada, de couro, escura, para batê-la deveria usar de jeito, senão poderia ocasionar lesão. O zagueiro de uma das equipes era o rapaz de nome Josias. O jogador adversário emendou uma bicuda após receber uma bola mal passada por um parceiro, livrava-se da bola para não correr risco de sofrer um gol, a partida estava no zero a zero. Josias com o seu par de chuteiras novas, tinha estreado no dia anterior, fez uma pose para rebatê-la, de pronto, chutou-a, não, estilingou-a; a bola em vez de ir para frente subiu pela canela, passou por todo o corpo, virou no ombro e foi morrer no fundo do gol do qual o goleiro era do seu próprio time, gol contra. Um golaço diria Galvão Bueno se tivesse a narrar o lance.

O que teria acontecido para o episódio se dá. A chuteira que era de couro com o contato com a água da chuva do dia anterior teve seu bico inclinado, parecia mais a um sapato de palhaço a uma chuteira. Por causa do bico a bola ganhou aquele destino estranho.

- Josias, amanhã você irá jogar virado para o goleiro do seu time, pois assim não correrá o risco de fazer outro gol contra. Disse-lhe um amigo ao deixar o campo.

Essa é uma história baseada em fatos reais. Quem a nos contou foi o senhor Dormário Viana Cardoso.

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